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Câmaras com IA nos camiões do lixo fotografam casas para detetar infrações



 Câmaras equipadas com Inteligência Artificial (IA) foram instaladas em camiões de recolha de lixo volumoso para detetar automaticamente infrações urbanísticas, como relva alta, lixo acumulado, ervas daninhas, entulho ou problemas estruturais nas fachadas.


A cidade de Dallas, nos Estados Unidos da América (EUA), começou a testar câmaras equipadas com IA montadas em camiões de recolha de lixo volumoso, por forma a detetar automaticamente infrações urbanísticas.


A cada propriedade fotografada é atribuída uma blight score (em português, pontuação de degradação), numa escala de 1 a 4, sendo 4 o nível mais grave.


De acordo com registos obtidos pela estação local NBC 5, a cidade começou a testar este sistema em abril, tendo intensificado a sua utilização ao longo do verão.


No total, são 100 câmaras, montadas aos pares em 50 camiões, uma de cada lado do veículo, com resolução de 1920 x 1080 pixeis e sem qualquer zoom ótico ou digital.


Segundo a autarquia, as câmaras operam ao nível da rua e não conseguem captar imagens acima de vedações.


A chaminé, alegadamente desgastada, de uma casa. Crédito: Edward Ayala/NBC 5


Multas, privacidade e dúvidas sobre os critérios

A empresa responsável pela tecnologia, a City Detect, garante que não tem qualquer influência sobre a forma como a cidade utiliza os dados para efeitos de fiscalização.


Segundo o diretor-executivo da empresa, Gavin Baum-Blake, rostos e matrículas são automaticamente desfocados nas imagens captadas.


Além disso, de acordo com a autarquia, os modelos de IA foram treinados com exemplos que cobrem diferentes estações do ano, estilos arquitetónicos, bairros, condições de iluminação, condições meteorológicas e zonas geográficas, numa tentativa de reduzir deteções inconsistentes ou enviesadas.


Os dados e as imagens ficam armazenados em servidores na cloud, localizados nos EUA, e a City Detect mantém essa informação durante todo o período do contrato com a cidade.


Ainda assim, o descontentamento é generalizado. Há quem questione quem definiu, afinal, o que conta como “degradação” numa propriedade. Por exemplo, um morador cuja casa recebeu pontuação 2 por causa da tinta desgastada de uma chaminé considerou a classificação excessiva, sublinhando que nem sequer um nível 1 lhe pareceria justo.


Às preocupações com os critérios juntam-se as questões de privacidade, uma vez que se trata de fotografias tiradas a propriedades privadas sem qualquer consentimento dos donos. Além disso, o receio de que o sistema erre nas suas deteções.


Até agora, já foram enviados 1800 “avisos de cortesia”, com a autarquia a admitir o objetivo de emitir cerca de 5200 por ano, números que podem resultar em coimas para quem não corrigir as alegadas infrações.


Documentos obtidos pela equipa de investigação da NBC 5 revelaram mais de 21.000 possíveis violações de normas detetadas por câmeras com IA. Fonte: estação local NBC 5


O que se segue para o programa

O maior receio dos críticos prende-se com o impacto desproporcional que este tipo de fiscalização automatizada pode ter sobre zonas economicamente mais vulneráveis, onde problemas de manutenção habitacional tendem a ser mais frequentes e onde pagar uma coima pode pesar muito no orçamento familiar.


Perante a contestação, o vereador Chad West propôs cortar o financiamento ao contrato de três anos e 2,5 milhões de dólares que sustenta o programa.


Contudo, acabou por aceitar adiar esta proposta depois de a câmara municipal se ter comprometido a realizar uma audiência pública sobre o tema, em dezembro.


Apesar de reconhecer utilidade à tecnologia, nomeadamente na deteção de despejos ilegais de lixo, West defende que é necessário investigar melhor o impacto sobre as famílias afetadas e perceber quem tem, de facto, acesso às imagens recolhidas.


Câmaras com IA nos camiões do lixo fotografam casas para detetar infrações


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