Avançar para o conteúdo principal

Carga fiscal aumenta para novo recorde



Portugueses pagaram mais de 70 mil milhões de impostos e contribuições sociais em 2020.


ISV regressou aos valores de 2014. INE confirma carga fiscal recorde de 34,8% do PIB, mas pela primeira vez desde 2012 teve um decréscimo nominal. IRS cresceu e contribuições para a Segurança Social também.


No ano passado, a carga fiscal em Portugal atingiu os 34,8% do produto interno bruto (PIB), um valor recorde confirmado esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), apesar da quebra na receita arrecadada.


"Em 2020, a carga fiscal diminuiu 4,7% em termos nominais, atingindo 70,4 mil milhões de euros, o que corresponde a

34,8% do PIB (34,5% no ano anterior), refere o gabinete de estatística. Apesar da quebra em termos nominais, o decréscimo do produto foi mais elevada (efeito denominador). "Como a variação nominal do PIB em 2020 foi acentuadamente negativa (-5,4%), excedendo a redução da carga fiscal, este indicador aumentou de 34,5% em 2019 para 34,8% em 2020", explica o INE.


Mesmo assim, "Portugal manteve em 2020 uma carga fiscal significativamente inferior à média da União Europeia (-3,8 pontos percentuais, p.p.)", lê-se na nota do gabinete de estatística. "Em 2020, entre os 27 Estados Membros (levando já em conta a saída do Reino Unido), Portugal foi o 8º com menor carga fiscal, um registo inferior, por exemplo, ao da Espanha (36,6%), da Grécia (38,6%) e da Itália (42,8%)".


De acordo com o INE, "pela primeira vez desde 2012, a carga fiscal apresentou um decréscimo nominal face ao ano anterior (-4,7%), refletindo os impactos negativos da pandemia de covid-19 na atividade económica e as medidas de política económica tomadas." Assim, as receitas fiscais "reduziram-se em cerca de 3,5 mil milhões de euros relativamente ao ano anterior, atingindo 70,4 mil milhões de euros."


O conceito de carga fiscal define-se pelos impostos e contribuições sociais efetivas (excluindo-se, portanto, as contribuições sociais imputadas) cobrados pelas administrações públicas nacionais e pelas instituições da União Europeia.


ISV ao nível de 2014

A maior quebra registou-se nos impostos diretos, muito por causa do IRC que teve um trambolhão de 17,9%. Já a receita do imposto sobre o rendimento de pessoas singulares (IRS) cresceu 3,1%", um movimento explicado pelas "medidas de proteção do emprego e das remunerações no contexto pandémico. Por razões semelhantes, as contribuições sociais efetivas mantiveram uma variação positiva (1,2%)", indica a entidade nacional de estatística. "Esta evolução positiva apesar da contração da atividade económica esteve associada a medidas de política económica visando minorar o impacto no emprego e nos salários da Pandemia, como o regime de lay-off simplificado", detalha o INE.


"Os impostos indiretos, com um decréscimo de 9%, constituíram a componente que mais contribuiu para a redução da

receita fiscal", em especial o IVA que teve uma contração de 10,6%, "destacando-se ainda, entre os restantes impostos indiretos, a variação negativa da receita com o imposto sobre produtos petrolíferos e energéticos (-9,4%)", refere o INE.


"Registaram-se também decréscimos nas receitas com o imposto municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis (-6,1%), com o imposto de selo (-4,1%), com o imposto municipal sobre imóveis (-1,7%) e com o imposto sobre o tabaco (-0,6%). A redução mais significativa (-39,8%) ocorreu na receita com o imposto sobre veículos que regressou ao nível de 2014."


Por Paulo Ribeiro Pinto em:

https://www.dinheirovivo.pt/economia/impostos/portugueses-pagaram-mais-de-70-mil-milhoes-de-impostos-e-contribuicoes-sociais-em-2020-13706819.html

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Fundação Champalimaud lidera projeto europeu de IA de 15,8 milhões que transforma relatos de doentes em dados clínicos

 Projeto avaliado em 15,8 milhões de euros terá uma duração de quatro anos e irá desenvolver um assistente virtual "fiável" e "capaz de transformar as palavras dos doentes em informação clínica". Fundação vai contribuir com "conhecimentos multidisciplinares nas áreas da oncologia, saúde mental, inteligência artificial (IA) e saúde digital centrada no doente" A Fundação Champalimaud anunciou esta quinta-feira o lançamento do ResPECT, um novo projeto europeu de investigação com base em tecnologia de inteligência artificial (IA), cujo desenvolvimento refere ir liderar. “A Fundação Champalimaud lidera o desenvolvimento da tecnologia do ResPECT, projeto de 15,8 milhões de euros, que vai criar um assistente de inteligência artificial capaz de transformar as palavras dos doentes em informação clínica”, indica em comunicado. O projeto tem a duração de quatro anos e a fundação vai contribuir com “conhecimentos multidisciplinares nas áreas da oncologia, saúd...

Cascais terá a primeira linha de comboio a ser concessionada a privados. O que muda e como a Câmara quer intervir

 O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que Cascais será a primeira linha de comboios a ser concessionada a privados. A intenção é antiga, mas as condições ainda não são conhecidas. O presidente da câmara, Nuno Piteira Lopes, quer ter “uma palavra ativa” no negócio. A intenção de concessionar a privados a rede de Comboios Urbanos de Lisboa — formada pelas linhas de Sintra, Azambuja, Cascais e Sado, num total de 67 estações — foi anunciada há mais de um ano e está prevista na lei desde 2009, mas, este fim de semana, o primeiro- ministro revelou no 43.º Congresso do PSD, na Anadia, que o primeiro acordo será relativo a Cascais. O presidente da câmara, Nuno Piteira Lopes, considera que “a medida anunciada hoje vai ao encontro de uma visão que tem defendido para Cascais: aproximar a gestão da linha dos utilizadores do concelho”. Embora nada se saiba em relação aos termos da concessão, em setembro do ano passado o autarca estabeleceu como objetivo estratégico do município a grat...