Avançar para o conteúdo principal

Portuguesa Veniam: “Somos os primeiros no mundo a ligar veículos em movimento a milhões de hotspots Wi-Fi”

 João Barros, diretor executivo da Veniam, no Parque da Ciência e da Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC) - Foto: Rui Duarte Silva / TiN

Software desenvolvido pela empresa do Porto permite reduzir até 80% os custos com internet móvel em carros, carrinhas, autocarros e camiões. Primeiros veículos equipados de origem com software da Veniam chegam ao mercado já em 2022


É um salto evolutivo que pode não ser tão visível como outros que estão a acontecer, mas há cada vez mais tecnologia dentro dos carros e um cada vez maior número de veículos que estão ligados à internet. E tanto pode ser um sistema de telemetria essencial na gestão de uma frota de distribuição, como podem ser veículos que registam e comunicam informações dos seus próprios componentes ao fabricante.


“A quantidade de dados que estão a viajar entre os veículos e a cloud está a aumentar exponencialmente”, explica João Barros, diretor executivo (CEO) da Veniam, em entrevista à Exame Informática. E a empresa do Porto entra agora num ponto de viragem.


Atualmente, existem cerca de mil veículos em diferentes países – Portugal, EUA, Singapura, entre outros – equipados com a tecnologia da Veniam. Mas o software da empresa pode agora chegar a veículos mais recentes, que aceitam atualizações de software através de ligações sem fios (OTA, de Over The Air). Até ao final do ano, a tecnológica portuguesa espera aumentar para 200 mil o número de veículos conectados com a sua plataforma instalada.


Mas a grande novidade é outra: a partir do próximo ano, deverão chegar ao mercado os primeiros veículos já com a tecnologia da Veniam integrada de origem. “Temos acordos de confidencialidade, não podemos divulgar as marcas, mas ao longo dos próximos 12 meses talvez possamos ir anunciando. Os primeiros a saírem de fábrica já com o software estão previstos para 2022”, revela o executivo.


“A Veniam é a primeira empresa no mundo a conseguir ligar esses veículos em movimento a milhões de hotspot Wi-Fi disponíveis em infraestrutura”, destaca ainda João Barros.


Internet of Moving Things

A Veniam desenvolve uma plataforma de rede inteligente que permite a veículos e outros objetos em movimento – daí a designação de Internet of Moving Things (Internet das Coisas que se Movem, em tradução livre) – trocar grandes quantidades de dados entre si e a cloud a um custo muito inferior aos métodos mais convencionais, que envolvem uma ligação de rede móvel.


“A Veniam traz uma solução para o mercado extremamente atrativa, porque consegue enviar todos esses dados através das redes Wi-Fi existentes, o que faz com que o custo de 1 GB de dados seja entre 50 e 80% inferior ao que essas empresas pagam aos operadores de telecomunicações”, destaca o CEO.


A lógica do sistema é simples: nem todos os dados necessitam de ser comunicados no minuto em que são gerados. O software da Veniam permite fazer uma gestão inteligente destes dados e ‘descarregá-los’ nos sistemas online das empresas assim que for estabelecida uma ligação a um hotstpot Wi-Fi. E onde é que o carro se liga ao Wi-Fi? Bem, nos dias que correm, praticamente em todo o lado.


“Os hotspots Wi-Fi estão por toda a parte. Transformamos os routers Wi-Fi, na cidade ou na aldeia, em pontos de acesso público. A densidade é tão significativa nos meios urbanos que os veículos encontram hotspots de 20 em 20 segundos, é a mediana. Nas zonas suburbanas, é semelhante, e chegam a enviar até 500 MB de dados por hora. Ao final do mês, são dezenas de gigabytes de dados poupados”, explica o cofundador da Veniam, empresa que conta ainda com Susana Sargento, Roy Russel e Robin Chase na lista de fundadores.


Já em meios mais rurais, o envio de dados para a cloud pode demorar algumas horas, mas seja em estações de serviço ou em restaurantes e cafés, também existem pontos de acesso público que permitem baixar o consumo de tráfego de internet móvel nos veículos.


A Veniam diz ter parcerias com vários operadores de telecomunicações e empresas agregadoras de hotspots Wi-Fi, que permite ao sistema da empresa ligar-se a diferentes pontos de acesso sem a necessidade de intervenção e interação do condutor do veículo.


Mas esta é apenas a parte da gestão automática que é assumida pelo software. Ao todo, a ferramenta tem quatro grandes funcionalidades: a gestão das ligações aos hotspot Wi-Fi, incluindo escolher sempre o melhor ponto de acesso e conseguir estabelecer a ligação em menos de dois segundos; a gestão de segurança, garantindo as credenciais necessárias para entrar nessas redes, assim como a anonimização dos dados relativamente ao posicionamento, para que ninguém possa seguir o veículo; a gestão dos dados do veículos – se são enviados agora, que dados podem ser enviados mais tarde, estabelecendo diferentes níveis de prioridade; e, por fim, o quarto elemento é a gestão de políticas a partir da cloud, como as ações que determinados serviços executam em função das redes a que estão ligados.


E ao marcar presença num cada vez maior número de veículos, a tecnológica portuguesa começa a posicionar-se noutro segmento que promete ter grande procura no futuro: redes em malha para transmissão de informação entre veículos. “Se souber que numa região todos os veículos têm os limpa-para-brisas ligados, consigo fazer inferências sobre a estrada”, explica João Barros, que neste caso, será um indicador de que está a chover.


“Quando pensamos que há informações em tempo real de como está o trânsito ou a atualização de um mapa, não há motivo para usar ligações 4G ou 5G, quando podemos obter essa informação dos veículos com que nos cruzamos. Aí passamos para um verdadeiro sistema de mobilidade, não são apenas máquinas de transporte, os dados são usados para melhorar a qualidade de vida das pessoas”, antecipa o CEO da Veniam.


https://visao.sapo.pt/exameinformatica/noticias-ei/software/2021-03-22-veniam-software-ligacao-wi-fi-veiculos-entrevista-joao-barros/

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Engenheiro cria guarda-chuva voador que segue o utilizador

A imagem mostra o engenheiro Josh Tse com sua invenção Engenheiro cria guarda-chuva voador que segue o dono pelas ruas com radar tecnológico e muda o conceito de chegar seco em casa Criado por John Tse, o equipamento funciona como um drone adaptado com uma cobertura para proteger a pessoa da chuva A primeira versão da invenção ainda dependia de um controle remoto/Reprodução Um engenheiro canadense criou um guarda-chuva voador capaz de acompanhar o usuário enquanto ele caminha. A invenção mistura a tecnologia dos drones com um objeto tradicional do dia a dia e chama atenção por parecer ter saído de um filme de ficção científica. Criado por John Tse, o equipamento funciona como um drone adaptado com uma cobertura para proteger a pessoa da chuva. O dispositivo permanece no ar acima da cabeça do usuário e acompanha seus movimentos sem que seja necessário segurar o guarda-chuva. Para conseguir realizar essa tarefa, o projeto utiliza hélices, motores elétricos, sensores e uma câmera instalad...

Descoberto 'Mini-Plutão' com atmosfera no Sistema Solar

  Um pequeno mundo de gelo com uma atmosfera, descoberto no Sistema Solar, pode revelar pistas sobre a evolução dos astros em regiões mais frias e distantes. Para já, os cientista chamam-lhe XV93. Anteriormente, os cientistas acreditavam que Plutão era o único corpo celeste no Cinturão de Kuiper a ter atmosfera. Contudo, uma nova investigação revelou um outro pequeno astro com uma atmosfera fina e delicada, possivelmente criada por erupções vulcânicas ou pelo impacto de um cometa. Com apenas cerca de 500 quilómetros de diâmetro, o chamado ‘Mini-Plutão’ pode ser o menor objeto do Sistema Solar rodeado por um véu atmosférico, de acordo com um estudo publicado na revista  Nature Astronomy , na segunda-feira. Um dos autores principais realçou a importância da descoberta: “Isto muda a nossa visão sobre os mundos pequenos”, disse Ko Arimatsu, chefe do Observatório Astronómico de Ishigakijima, citado pela  Sky News . “ A descoberta sugere que alguns pequenos corpos gelados no Si...