Avançar para o conteúdo principal

Governo mantém horários desfasados e teletrabalho obrigatório até ao fim do ano


 Medidas eram anteriores ao estado de emergência e vão voltar a valer, mesmo depois de este terminar.


O governo aprovou esta quinta-feira a prorrogação, até ao final deste ano, das regras que impõem horários desfasados nas empresas e organismos com mais de 50 pessoas e também o teletrabalho obrigatório sempre que é possível, sem necessidade de acordo.


A regra do teletrabalho obrigatório prevista neste diploma encontra-se atualmente derrogada pela legislação do Estado de Emergência (que também impõe, ainda assim, o teletrabalho obrigatório). Tal como desfasamento de horários, estava em vigor desde o último trimestre do ano passado, indo caducar no final deste mês. Mas, com a prorrogação hoje decidida, passarão novamente a estar em vigor ambas as regras assim que seja levantado o estado de emergência, de acordo com clarificação obtida pelo Dinheiro Vivo junto do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.


"Foi aprovado o decreto-lei que prorroga, até 31 de dezembro de 2021, o regime excecional e transitório de reorganização do trabalho e de minimização de riscos de transmissão da infeção da doença COVID-19 no âmbito das relações laborais, sem prejuízo da possibilidade de prorrogação adicional após consulta dos parceiros sociais", refere comunicado do Conselho de Ministros.


A menos que haja novo diploma que se sobreponha ao decreto-lei agora prorrogado, como aqueles que impõem o estado de emergência ou o renovam, serão assim estas as regras válidas até ao termo de 2021, segundo a explicação adiantada pelo Ministério do Trabalho.


A medida de desfasamento de horários (intervalos de 30 minutos a uma hora nas mudanças de turnos) prevista na legislação agora prorrogada aplica-se às empresas com mais de 50 trabalhadores, implicando a reorganização de horários para que as horas de entrada e saída de trabalhadores, bem como das pausas para refeições, possam ser alternadas de "forma a salvaguardar o distanciamento entre trabalhadores". Implica também a constituição de chamadas equipas em espelho, estáveis, sem contacto entre si, e garantia de distanciamento no local de trabalho.


Aplica-se a trabalhadores por conta de outrem em empresas de média dimensão, incluindo ainda trabalhadores temporários e prestadores de serviços.


Há porém exceções ao desfasamento de horários, incluindo para grávidas, doentes crónicos ou pais com filhos menores de 12 anos a cargo.


Além do desfasamento de horários, o decreto-lei previa desde novembro a obrigatoriedade do teletrabalho "independentemente do vínculo laboral, sempre que as funções em causa o permitam e o trabalhador disponha de condições para as exercer, sem necessidade de acordo escrito entre o empregador e o trabalhador", com este artigo da legislação entretanto a ser derrogado pelo Estado de Emergência.


No atual período de Estado de emergência, que irá ser renovado a partir de 1 de abril, o teletrabalho mantém-se obrigatório, com contraordenações agravadas pelo não cumprimento.


Em Comissão Permanente de Concertação Social, o governo tem sido chamado pelos parceiros sociais - tanto confederações sindicais como patronais - a aliviar as regras do teletrabalho, e terá passado até aqui a ideia de que se prepara no próximo estado de emergência para prolongar a determinação de manter teletrabalho "sempre que possível", segundo um dos parceiros com assento no órgão tripartido ouvido pelo Dinheiro Vivo.


https://www.dinheirovivo.pt/economia/governo-mantem-horarios-desfasados-e-teletrabalho-obrigatorio-ate-ao-fim-do-ano-13499869.html

Comentários

Notícias mais vistas:

Aeroporto: há novidades

 Nenhuma conclusão substitui o estudo que o Governo mandou fazer sobre a melhor localização para o aeroporto de Lisboa. Mas há novas pistas, fruto do debate promovido pelo Conselho Económico e Social e o Público. No quadro abaixo ficam alguns dos pontos fortes e fracos de cada projeto apresentados na terça-feira. As premissas da análise são estas: IMPACTO NO AMBIENTE: não há tema mais crítico para a construção de um aeroporto em qualquer ponto do mundo. Olhando para as seis hipóteses em análise, talvez apenas Alverca (que já tem uma pista, numa área menos crítica do estuário) ou Santarém (numa zona menos sensível) escapem. Alcochete e Montijo são indubitavelmente as piores pelas consequências ecológicas em redor. Manter a Portela tem um impacto pesado sobre os habitantes da capital - daí as dúvidas sobre se se deve diminuir a operação, ou pura e simplesmente acabar. Nem o presidente da Câmara, Carlos Moedas, consegue dizer qual escolhe... CUSTO DE INVESTIMENTO: a grande novidade ve...

Crise causada pelo conflito no Médio Oriente será "grande, global e assimétrica", diz Fundo Monetário Internacional

Kristalina Georgieva alertou para choques na energia e inflação. Petróleo pode cair 13% e GNL 20%. Reuniões de primavera do FMI e Banco Mundial arrancam na próxima semana. Estas declarações, da diretora-geral do FMI, ocorrem poucos dias antes do início das reuniões de primavera da organização internacional e do Banco Mundial, que já anunciaram a revisão em baixa das projeções de crescimento. Mais contexto. Mais verdade. Temos 10 estadias para 2 noites, 2 adultos num dos hotéis de luxo AlmaLusa Hotels para oferecer.Oferecer Com uma redução de 13% no fluxo diário de petróleo e de até 20% no fluxo de gás natural liquefeito (GNL), os efeitos da crise causarão graves perturbações na economia global. Contudo, essas perturbações afetarão desproporcionalmente os países próximos às zonas de conflito e aqueles dependentes de importações de energia. Assim, em todos os cenários considerados pelo FMI, o impacto comprometerá seriamente as expectativas de crescimento para este ano. “Mesmo o nosso cen...

Bruxelas adverte governo de Pedro Sánchez que baixar IVA dos combustíveis é contra regras europeias

A Comissão Europeia enviou uma carta ao governo de Pedro Sánchez, indicando que baixar o IVA nos combustíveis para a taxa de 10% vai contra as regras europeias.  O Governo de Pedro Sánchez recebeu uma advertência da Comissão Europeia por ter baixado o IVA dos combustíveis, em violação das regras europeias. Tal como o Observador já tinha avançado, a descida do IVA da taxa normal para uma taxa reduzida de 10% em Espanha vai contra as regras da União Europeia definidas para este imposto. Isso mesmo admitiu fonte oficial de Bruxelas ao Observador, ao remeter para a diretiva europeia os produtos e serviços que podem ter taxa reduzida, que integra o gás e a eletricidade — onde o IVA pode ser 5% — mas que exclui essa aplicação aos combustíveis fósseis. Face à aplicação pelo Governo de Pedro Sánchez de uma taxa reduzida de 10% aos combustíveis fósseis, Bruxelas enviou uma carta a Espanha advertindo-a de que essa redução viola as normas europeias, noticia o El País que indica que a carta fo...