Avançar para o conteúdo principal

Tribunal proíbe exibição de documentário crítico do regime na Venezuela


Um tribunal de Caracas proibiu a exibição, em universidades e espaços públicos venezuelanos, do documentário "O Chavismo, a peste do século XXI", por alegadamente "promover e incitar ao ódio" contra o regime.

A proibição foi denunciada por estudantes do movimento Viva a Universidade Central da Venezuela (Viva la UCV) depois de, a 02 de outubro, as autoridades venezuelanas iniciarem uma investigação contra os responsáveis da Universidade Simón Bolívar, por terem permitido a realização de um fórum sobre o documentário.

Uma cópia da decisão do tribunal foi divulgada através das redes sociais e nela lê-se que está proibido "promover e difundir o material audiovisual criado pelo cidadão Gustavo Tovar (...) 'Chavismo, a peste do século XXI', tanto nas universidades públicas como em qualquer outro espaço público".

Ao fazer pública a decisão, o Viva La UCV explica que "só em ditadura se decide o que se projeta e o que não [se projeta] nas universidades".

O documentário em questão faz uma forte crítica aos governos do falecido Hugo Chávez (1999-2013) e do atual Presidente Nicolás Maduro.

Nele, aborda-se alegadas violações dos direitos humanos no país e responsabiliza-se aqueles governos pela crise humanitária que afeta o país.

A proibição tem lugar na sequência de um pedido do Ministério Público para se investigar o documentário pelo delito de "promoção e incitação ao ódio", com base na Lei Contra o Ódio, aprovada em 2017 pela Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime) que a oposição diz ser ilegal e que pretende usurpar as funções do parlamento.

A Federação Venezuelana de Estudantes Universitários (afeta ao regime) pediu ao Ministério Público que aplique a Lei contra o Ódio ao reitor da Universidade Simón Bolívar, Enrique Planchar, por alegadamente "instigar à discriminação e ao terrorismo".

Desde o estrangeiro, Gustavo Tovar, diretor do documentário referiu-se à decisão do tribunal como "uma honra" para todos os que trabalharam nele.

"Que uma tirania que detém, tortura e assassina venezuelanos, se sinta ofendida por um documentário é, sem dúvida, muito honroso para mim, como autor e para a equipa de produtores. Nós só tratámos de alertar sobre o horror do chavismo. Essa sentença apenas mostra a grotesca estupidez que compõe a tirania chavista", acrescentou.

Gustavo Tovar-Arroyo nasceu em fevereiro de 1968, é um ativista dos direitos humanos dos venezuelanos. Em 2007, promoveu ações contra o encerramento da Rádio Caracas Televisão (RCTV, o mais antigo canal privado de televisão do país) e contra uma proposta de reforma constitucional promovida pelo chavismo, que não teve sucesso.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1337283/tribunal-proibe-exibicao-de-documentario-critico-do-regime-na-venezuela

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Foi lançado o AMALIA, o primeiro LLM português

 O Técnico Innovation Center recebeu, no dia 1 de julho, a apresentação oficial do AMALIA, o primeiro Modelo de Linguagem de Grande Escala português. No projeto, os professores do DEI André Martins e Alberto Abad coordenaram duas equipas de investigação responsáveis pelo desenvolvimento do modelo. A equipa coordenada por André Martins foi responsável pela coordenação e desenvolvimento do modelo central do AMALIA, que permite gerar respostas textuais precisas e contextualizadas. A equipa coordenada por Alberto Abad foi responsável pela integração multimodal da linguagem falada, permitindo ao modelo não só interpretar texto, mas também receber e processar instruções faladas. Desenvolvido por um consórcio nacional de instituições académicas e de investigação, o AMALIA foi concebido para compreender e gerar conteúdos em português europeu. O modelo representa um marco no reforço da investigação e da autonomia tecnológica em Inteligência Artificial em Portugal. Foi lançado o AMALIA, o pr...

Dez países europeus criam “escudo” antimíssil — e dão à Ucrânia um papel decisivo na defesa do continente

 Coligação Antimísseis Balísticos é apresentada pelos países fundadores como uma iniciativa “puramente defensiva”, destinada a responder ao aumento das ameaças e a reforçar a capacidade europeia para detetar, intercetar e neutralizar ataques Dez países europeus, entre os quais Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, anunciaram a criação de uma coligação destinada a desenvolver uma arquitetura integrada de defesa contra mísseis balísticos, aproveitando a experiência adquirida pela Ucrânia desde o início da invasão russa. Segundo o ’20 Minutos’, a Coligação Antimísseis Balísticos é apresentada pelos países fundadores como uma iniciativa “puramente defensiva”, destinada a responder ao aumento das ameaças e a reforçar a capacidade europeia para detetar, intercetar e neutralizar ataques. A aliança reúne Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia, Ucrânia e Reino Unido. A futura estrutura deverá complementar os sistemas já utilizados pelos vários países...