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Homem que diz ser o dono do Facebook foi detido

Paul Ceglia fugiu dos EUA com a família e o cão há três anos depois de instalar um dispositivo motorizado no telhado para ludibriar as autoridades. Agora, está em vias de ser extraditado pelas autoridades equatorianas

No que toca aos proprietários do Facebook, há apenas duas possibilidades: ou se é o dono oficial e de facto como o CEO Mark Zuckerberg; ou se é pretendente a dono do Facebook, como os gémeos Winklevoss que terão estado na origem da maior das redes sociais e que viriam a ser indemnizados mais tarde por isso. Nesta equação, não há lugar para Paul Ceglia – mesmo depois de oito anos a exigir 84% do capital da empresa que gere a maior das redes sociais. E nem as autoridades do Equador parecem estar dispostas a aceitar a pretensão. Ceglia, 45 anos, foi detido pelas autoridades locais e encontra-se agora em vias de ser extraditado pela justiça de Quito, depois de andar três anos fugido da prisão domiciliária em que o colocaram. Tudo porque tentou ser dono do Facebook. E também porque terá forjado um contrato com o objetivo de alcançar os intentos.

Hoje, Ceglia é apresentado pelos títulos dos jornais como um comerciante de derivados de madeira para uso em lareiras, mas o currículo patente na Wikipédia confirma que os talentos do empresário de Wellsville, no estado de Nova Iorque, são bem diversificados. Deu aulas, vendeu gelados, teve um negócio no ramo imobiliário, tentou a sorte na construção civil, e também tentou criar um cemitério ecológico. Pelo meio ainda tentou a sorte nas tecnologias. E foi aí que chegou a Mark Zuckerberg, quando ainda não era "o" Mark Zuckerberg que o mundo hoje conhece.

Corria o ano de 2003, e seria um anúncio no site de classificados Craigslist a espoletar o primeiro negócio entre os dois empresários agora desavindos. Zuckerberg, ainda estudante da Universidade, respondeu a um anúncio de recrutamento para a criação de dois novos projetos: um site conhecido por StreetFax e outro a que foi dado o nome de PageBook.

Quando se encontrou com Mark Zuckerberg, Ceglia concordou partilhar 50% das receitas e pagar mil dólares pelo desenho de cada um dos sites. Aparentemente nada de errado houve a registar com estes dois projetos – o problema surge apenas em 2010, quando Ceglia e os respetivos advogados reivindicam a propriedade do Facebook, alegando que Zuckerberg já havia também celebrado um acordo para um terceiro projeto conhecido como The Face Book.

Numa primeira instância, ainda houve um juiz que aceitou como válido o contrato relativo a este terceiro projeto, mas no recurso, Ceglia haveria de ser condenado por fraude, por alegadamente ter forjado provas e indícios a fim de garantir a propriedade do Facebook. Perante esta sentença, Ceglia acabou detido em outubro de 2012 – mas o pretendente a dono do Facebook não se conformou com o desfecho.

Numa história que tem por epicentro um negócio das tecnologias, a própria fuga de Paul Ceglia tem contornos de inovação: em 2015, depois de os pais e irmãos juntarem 250 mil dólares para a fiança, Paul quebrou a pulseira eletrónica que o remetia à prisão domiciliária, criou um dispositivo motorizado no telhado de casa que o terá ajudado a ludibriar as autoridades durante a fuga e desativou o GPS do automóvel para não ser seguido, recorda a Bloomberg. Iniciou-se assim a grande fuga, dois meses antes da data aprazada para o julgamento e previsível aplicação de pena por fraude em sistemas de e-mail e telecomunicações. Com Paul Ceglia seguiram para paradeiro desconhecido a mulher Iasia, os dois filhos - e nem o cão ficou para trás.

Durante três anos, quase ninguém soube de Paul Ceglia e respetiva família – e quem recebia notícias do fugitivo pouco mais poderia acrescentar à história. «Senti que não tinha ninguém no aparelho do Estado em quem pudesse confiar», denunciou em e-mails trocados com um jornalista da Bloomberg. «Surgiu uma oportunidade, e encontrei uma forma à MacGyver para juntar umas coisas e começar a correr pela minha vida», apontou como justificação para a fuga num desses e-mails trocados com o mesmo jornalista.

A Reuters apresenta a extradição como o desfecho provável – apesar de o processo que está em curso no tribunal de Quito ainda ter mais de um mês pela frente até ficar concluído. Frente ao juiz, Ceglia e o advogado Roberto Calderon alegaram que a extradição para os EUA punha em risco a vida do empresário fugitivo, e que não estava contemplada pelos acordos de extradição assinados pelos dois países. Será que o juiz aceita estes agumentos? Da resposta à questão depende o próximo capítulo desta história.

http://exameinformatica.sapo.pt/noticias/mercados/2018-08-28-Paul-Ceglia-o-homem-que-achava-que-era-dono-do-Facebook-foi-detido

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