Avançar para o conteúdo principal

Dezenas de milhares de bancários excluídos do bónus de meia pensão


A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, na apresentação dos apoios às famílias, com os ministros das Finanças e do Ambiente © LUSA


 Ministra do Trabalho esclarece que apenas os reformados da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações estão abrangidos pela medida. Sindicatos alegam inconstitucionalidade.


Salomé Pinto


Pelo menos "22 mil reformados da banca deverão ficar excluídos do bónus de mais meia pensão" que o governo vai dar, em outubro, uma vez que estes bancários não estão no regime da Segurança Social ou apenas descontaram uma pequena parte do salário para o sistema, estando antes inseridos nos fundos de pensões privados, adiantou ao Dinheiro Vivo a coordenadora de contratação e serviços jurídicos do MAIS Sindicato do Setor Financeiro, Cristina Damião. Ontem a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, foi taxativa quando afirmou que "todos os pensionistas da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações são abrangidos pela medida". Ou seja, reformados que descontaram para outro sistema como fundos de pensões deverão ficar de fora.


Sindicatos dos bancários - MAIS, SBC e SBN - reúnem-se hoje com a ministra do Trabalho e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho.

Ainda assim, Mendes Godinho vai reunir-se esta terça-feira, dia 20, a partir das 9h30, no ministério do Trabalho, com o MAIS Sindicato, o Sindicato dos Bancários do Centro (SBC) e o Sindicato dos Bancários do Norte (SBN) para esclarecer o diploma do governo. As três plataformas sindicais "não admitirão que os bancários reformados sejam objeto de segregação social, não se lhes aplicando as mesmas medidas, na sua totalidade e de acordo com o princípio da igualdade, a que todas as entidades estão adstritas", de acordo com um comunicado enviado ontem à comunicação social.


Caso o governo não corrija o decreto que é omisso quanto à situação de milhares de reformados bancários que se encontram noutros regimes ou numa situação mista, cuja pensão é paga numa pequena parte pela Segurança Social e a restante por fundos de pensões, "os sindicatos vão pedir às entidades competentes como o Presidente da República, grupos parlamentares e Provedoria da Justiça que desencadeiem junto do Tribunal Constitucional o processo de fiscalização sucessiva do pacote legislativo", afirma Cristina Damião.


Para a sindicalista, "é uma enorme injustiça que uns gozem de mais meia pensão em outubro e outros não". A situação dos bancários reformados é muito específica. "Até 2011, todos descontavam para fundos de pensões da banca. Só a partir desse ano é que os bancários tiveram de transitar para o sistema previdencial da Segurança Social", explica ao Dinheiro Vivo Cristina Damião. Assim, atualmente, "a maior parte dos reformados - no caso dos sócios do MAIS serão mais de 22 mil mas o número poderá ultrapassar os 50 mil em todo o país -, ou está fora da Segurança Social ou a fatia da pensão paga por esse sistema previdencial é muito reduzida porque a carreira contributiva para a Segurança Social também é curta", adianta a dirigente sindical. E dá exemplos de como a omissão no diploma destas situações pode penalizar estes pensionistas: "Se a lei ficar tal como está, significa que uma reforma de 900 euros em que apenas 100 euros provêm da Segurança Social só terá direito a um bónus de 50% sobre os 100 euros, ou seja, este pensionista só vai receber mais 50 euros." No caso de um reformado apenas ter descontado para um fundo de pensões da banca, então não deverá receber o complemento extraordinário que o governo vai dar a pensões até 5318 euros.


A ministra do Trabalho e da Segurança Social reconheceu ontem a existência deste tipo de realidades. À margem da apresentação do programa "Comunidades Inclusivas" da Greenvolt, em Cascais, Ana Mendes Godinho admitiu que "há pessoas com situações mistas com reformas que resultam de fundos de pensões da banca e da Segurança Social, as situações são diferentes". E continuou: "Há pessoas que não estão abrangidas pelos sistema previdencial da Segurança social e têm sistemas de fundos de pensões que resultaram das suas próprias historias de trabalho".


Dezenas de milhares de bancários excluídos do bónus de meia pensão (dinheirovivo.pt)


Comentário do Wilson:

Primeiro o Estado fica com o dinheiro que estes profissionais descontaram, integrando esses fundos da banca na Segurança Social e cortando regalias para ficarem iguais à Segurança Social, agora diz que não descontaram para a Segurança Social e, portanto, não tem direito às mesmas regras...

é natural que estes reformados se sintam duplamente roubados pelo Estado.


Comentários

Notícias mais vistas:

Armazenamento holográfico

 Esta técnica de armazenamento de alta capacidade pode ser uma das respostas para a crescente produção de dados a nível mundial Quando pensa em hologramas provavelmente associa o conceito a uma forma futurista de comunicação e que irá permitir uma maior proximidade entre pessoas através da internet. Mas o conceito de holograma (que na prática é uma técnica de registo de padrões de interferência de luz) permite que seja explorado noutros segmentos, como o do armazenamento de dados de alta capacidade. A ideia de criar unidades de armazenamento holográficas não é nova – o conceito surgiu na década de 1960 –, mas está a ganhar nova vida graças aos avanços tecnológicos feitos em áreas como os sensores de imagem, lasers e algoritmos de Inteligência Artificial. Como se guardam dados num holograma? Primeiro, a informação que queremos preservar é codificada numa imagem 2D. Depois, é emitido um raio laser que é passado por um divisor, que cria um feixe de referência (no seu estado original) ...

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...

Defender a escola pública

 1. Escrevo sobre o conflito que envolve os professores preocupada, em primeiro lugar, com o efeito que este está a ter na degradação da escola pública, na imagem e na confiança dos pais no sistema educativo, nos danos que estão a ser causados a milhares de alunos cujas famílias não têm condições para lhes proporcionar explicações ou frequência de colégios privados. Parece-me importante que, nas negociações entre Governo e sindicatos, esta dimensão do problema seja equacionada. Escrevo, em segundo lugar, porque espero poder dar um contributo para a compreensão e boa resolução do conflito, apesar de todo o ruído e falta de capacidade para ouvir. 2. Nos anos pré-pandemia, eram muitos os sinais das dificuldades das escolas em prestar um serviço de qualidade. A existência de milhares de alunos sem professor, em várias disciplinas e em vários pontos do país, gerou um clamor sobre a falta de docentes e a fraca atratividade da carreira. Porém, o problema da falta de professores nas escola...