Avançar para o conteúdo principal

Bruxelas propõe corte de 65% de fundos à Hungria por violação de Estado de direito


Johannes Hahn, comissário europeu para o Orçamento e Administração © EPA/STEPHANIE LECOCQ


 Estão em causa 7,5 mil milhões de euros, cerca de um terço do envelope da política de coesão para a Hungria


A Comissão Europeia propôs uma suspensão de 65%, no valor de 7,5 mil milhões de euros, dos fundos comunitários à Hungria pelas violações do Estado de direito, foi anunciado neste domingo.


"A Comissão propôs ao Conselho [da UE] a suspensão de 65% dos compromissos para três programas operacionais no âmbito da política de coesão, num valor estimado em 7,5 mil milhões de euros, o que é cerca de um terço do envelope da política de coesão para a Hungria", anunciou o comissário para o Orçamento e Administração, Johannes Hahn, em conferência de imprensa.


Budapeste está também impedida de assumir compromissos jurídicos com os fundos de interesse público para programas implementados em gestão direta e indireta.


Esta é a primeira vez que o regulamento relativo à condicionalidade é aplicado, estando a proposta deste domingo ligada a irregularidades na contratação pública, falhas no prosseguimento das investigações e ações judiciais em casos relacionados com fundos europeus e ainda deficiência na luta contra a corrupção.


Com a proposta deste domingo, os Estados-membros têm agora um mês para decidir se adotam as medidas propostas pelo executivo comunitário, devendo este período ser estendido por mais dois meses, uma vez que o comissário referiu ser necessário tempo para a adoção das 17 medidas-chave avançadas por Bruxelas.


A Comissão, durante esse tempo, irá acompanhar a situação na Hungria, que se comprometeu a prestar informação a Bruxelas sobre a completa aplicação das medidas previstas até 19 de novembro.


Reconhecendo que Budapeste já fez progressos, desde que, em julho, Bruxelas enviou um carta com uma série de medidas a adotar, Hahn salientou que "muitos dos problemas identificados pela Comissão requerem, para além das alterações ao quadro jurídico, mudanças concretas".


Adotado em 2021, o regulamento relativo à condicionalidade prevê que, no caso de as violações do Estado de direito num determinado Estado-membro e em situações que afetam os interesses financeiros da UE, a Comissão possa propor ao Conselho da UE a adoção de medidas "adequadas e proporcionadas", como a suspensão de verbas, cabendo aos Estados-membros tomar uma decisão final, por uma maioria qualificada de 55% dos Estados-membros que representem pelo menos 65% da população da UE.


Bruxelas mantém um longo diferendo com o Governo de Viktor Órban, acusado de violar o Estado de direito, nomeadamente a independência do sistema judicial e dos meios de comunicação e infringindo direitos das minorias, e de não combater a corrupção.


O Colégio de Comissários reuniu-se neste domingo, extraordinariamente, devido aos compromissos externos assumidos pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.


Bruxelas propõe corte de 65% de fundos à Hungria por violação de Estado de direito (dinheirovivo.pt)


Comentário do Wilson:

Portugal que se ponha a pau pois também não cumpriu com as recomendações anticorrupção.


Comentários

Notícias mais vistas:

Este restaurante é tão bom que há pessoas proibidas por lei de irem lá comer

  Não é um local que sirva para ir todos os dias, mas antes em ocasiões bastante especiais. Ainda assim, nem nessas circunstâncias algumas pessoas podem entrar, mesmo que ninguém saiba porquê Como refúgio secreto outrora reservado aos antigos imperadores da China, para além da vigilância dos homens de negro que guardam a entrada em frente ao histórico Templo Lama de Pequim, um estreito caminho de pedra conduz silenciosamente a um pátio. A névoa flutua suavemente ao longo da passadeira. No final do mesmo, uma mulher envolta num manto simples sobre um vestido tradicional chinês aguarda junto a um muro caiado que protege o pátio das ruas movimentadas da antiga Pequim. Com um gesto delicado, convida os visitantes a entrar no restaurante. Não é o tipo de restaurante que se frequenta todos os dias. É um local reservado para ocasiões especiais: pedidos de casamento, aniversários ou receções. Contudo, há um tipo de convidado que não pode desfrutar do elegante estabelecimento, nem mesmo em ...

Construção da maior central solar em Portugal encravada há mais de dois anos na justiça, apesar de aprovada

Santa Luzia in northeastern Brazil.  EPA/SEBASTIAO MOREIRA  Desde 2024 que a autorização ambiental dada à central solar Fernando Pessoa foi suspensa por decisão do juiz e após impugnação do Ministério Público. Agência do Ambiente recorreu, mas não há decisão. A maior central solar aprovada para Portugal, com mais de mil megawatts (MW) de potência, está parada há mais de dois anos, na sequência de processos judiciais colocados contra a aprovação emitida pelas autoridades ambientais. A atribulada história do projeto, que foi batizado com o nome do poeta Fernando Pessoa, mostra que o licenciamento ambiental — por intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza de Florestas) — nem sempre é o maior obstáculo à execução dos projetos de energias renováveis. A central solar fotovoltaica Fernando Pessoa está prevista para o concelho de Santiago do Cacém e obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em jane...

Sonae Sierra compra nove supermercados Mercadona a fundo israelita

 O braço imobiliário da Sonae soma, com esta operação, mais 15 mil metros quadrados de superfície na Catalunha, Aragão, Andaluzia, Astúrias, Navarra e Extremadura. ASonae Sierra adquiriu uma carteira de nove supermercados Mercadona, em Espanha, ao fundo israelita MDSR. Com esta operação, realizada através do Hahn Sierra Food Retail Fund, o braço imobiliário da Sonae soma mais 15 mil metros quadrados de superfície na Catalunha, Aragão, Andaluzia, Astúrias, Navarra e Extremadura. Os nove ativos, arrendados a longo prazo à empresa de distribuição espanhola, oferecem uma “exposição diversificada tanto por geografias como por áreas de influência comercial”, segundo nota da Savills, a consultora imobiliária que assessorou a operação. O valor da operação não foi avançado, mas o fundo israelita tinha comprado 27 centros à própria Mercadona em 2021, numa operação avaliada em 100 milhões de euros. Também a EY assessorou, legalmente, a Sonae Sierra, enquanto a Eversheeds Sutherland apoiou o v...