Avançar para o conteúdo principal

Aumentos salariais na Função Pública e nas pensões serão inferiores à inflação


António Costa, primeiro-ministro © Orlando Almeida / Global Imagens


 Chefe do governo atira decisão sobre novo aeroporto para o final de 2023.. Sobre o SNS, pede a Lisboa que aprenda com a forma como o Porto se organizou.


João Pedro Henriques/DN


"Não incluímos nem decidimos". Esta foi a fórmula usada esta segunda-feira à noite pelo primeiro-ministro para comentar a hipótese de o Governo lançar um imposto sobre os lucros excessivos das empresas.


Entrevistado na TVI/CNN Portugal pelos jornalistas Pedro Santos Guerreiro e José Alberto Carvalho, Costa comentou esta hipótese - já defendida no PS por Carlos César, Pedro Marques e Alexandra Leitão, para já não falar do ministro da Economia, Antónia Costa e Silva - que o Governo está a "analisar" e "se se justificar haverá medidas e se não se justificar não haverá medidas", deixando assim as opções em aberto.


A entrevista começou pela questão dos aumentos das pensões, numa altura em que se especula sobre a hipótese de no futuro as fórmulas de cálculo serem alteradas diminuindo os montantes das pensões.


"Não há truque nenhum", "até ao final de 2023 os pensionistas irão ver integralmente reposto o poder de comprar perdido ao longo do ano", assegurou o chefe do Governo, dizendo que no próximo ano os aumentos serão em entre entre 3,53% e 4,43%.


Porém, quanto a 2024, não se vinculou com nenhum valor ("não me vou por neste momento a discutir qual vai ser o aumento em 2024"), ressalvando no entanto que os aumentos não poderão seguir o valor da inflação, tendo de ser inferiores. "Não podemos dar a uma inflação extraordinária um efeito permanente", sublinhou, dizendo que se as pensões aumentassem de acordo com a inflação "o país perdia 13 anos de pensões" e isso "não seria justo, equilibrado e responsável".


Para 2023, disse que o Governo está a trabalhar com previsões da inflação na ordem dos 7,4% - mas, acrescentou, os aumentos salariais na Função Pública serão inferiores. Ainda quanto a apoios à economia por causa do surto inflacionista, acrescentou que esta quinta-feira anunciará o que fará com as empresas.


SNS e novo aeroporto de Lisboa foram outros dos temas da entrevista.


Quanto ao novo aeroporto, António Costa disse pensar que "já não está longe" um entendimento com o PSD. Este entendimento será porém apenas, para já, sobre a "metodologia" a seguir para se chegar a uma decisão definitiva. E quanto a esta decisão definitiva mostrou não ter pressa dizendo ela só surgirá até ao final de 2023, sendo que, segundo acrescentou, as conversas com Luís Montenegro (e sem o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos) têm decorrido de "forma serena".


Já quanto à saúde, explicou que o Governo escolherá o novo diretor-geral do SNS depois de o Presidente da República promulgar a lei que regulamentou a criação do cargo.


Pelo meio, explicou que a este novo dirigente público competirá fazer a gestão "operacional" do "dia-a-dia" do SNS, cabendo ao Governo as grandes orientações políticas. O chefe do Governo comentou a crise deste verão nas urgências obstétricas insinuando críticas ao funcionamento dos serviços. Deu até o exemplo da redação da TVI: "Não é por as pessoas meterem férias que se interrompe a emissão."


Concretamente, elogiou a atuação dos serviços no Porto, por contraste com Lisboa: "Lisboa tem muito a aprender com o Porto em muitas coisas e designadamente em matéria de organização dos serviços de saúde", afirmou, com referências à forma metropolitana como ali as urgências estão organizadas (um elogio implícito ao atual presidente do Hospital de S. João, Fernando Araújo, que protagonizou essa reorganização quando dirigiu a ARS do Norte).


António Costa desvalorizou ainda as várias crises internas no seu Governo, salientando que só provam que "maioria absoluta não significa ausência de problemas."


Costa e o aumento das pensões: ″Não há truque nenhum″ (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Este restaurante é tão bom que há pessoas proibidas por lei de irem lá comer

  Não é um local que sirva para ir todos os dias, mas antes em ocasiões bastante especiais. Ainda assim, nem nessas circunstâncias algumas pessoas podem entrar, mesmo que ninguém saiba porquê Como refúgio secreto outrora reservado aos antigos imperadores da China, para além da vigilância dos homens de negro que guardam a entrada em frente ao histórico Templo Lama de Pequim, um estreito caminho de pedra conduz silenciosamente a um pátio. A névoa flutua suavemente ao longo da passadeira. No final do mesmo, uma mulher envolta num manto simples sobre um vestido tradicional chinês aguarda junto a um muro caiado que protege o pátio das ruas movimentadas da antiga Pequim. Com um gesto delicado, convida os visitantes a entrar no restaurante. Não é o tipo de restaurante que se frequenta todos os dias. É um local reservado para ocasiões especiais: pedidos de casamento, aniversários ou receções. Contudo, há um tipo de convidado que não pode desfrutar do elegante estabelecimento, nem mesmo em ...

Construção da maior central solar em Portugal encravada há mais de dois anos na justiça, apesar de aprovada

Santa Luzia in northeastern Brazil.  EPA/SEBASTIAO MOREIRA  Desde 2024 que a autorização ambiental dada à central solar Fernando Pessoa foi suspensa por decisão do juiz e após impugnação do Ministério Público. Agência do Ambiente recorreu, mas não há decisão. A maior central solar aprovada para Portugal, com mais de mil megawatts (MW) de potência, está parada há mais de dois anos, na sequência de processos judiciais colocados contra a aprovação emitida pelas autoridades ambientais. A atribulada história do projeto, que foi batizado com o nome do poeta Fernando Pessoa, mostra que o licenciamento ambiental — por intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza de Florestas) — nem sempre é o maior obstáculo à execução dos projetos de energias renováveis. A central solar fotovoltaica Fernando Pessoa está prevista para o concelho de Santiago do Cacém e obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em jane...

Sonae Sierra compra nove supermercados Mercadona a fundo israelita

 O braço imobiliário da Sonae soma, com esta operação, mais 15 mil metros quadrados de superfície na Catalunha, Aragão, Andaluzia, Astúrias, Navarra e Extremadura. ASonae Sierra adquiriu uma carteira de nove supermercados Mercadona, em Espanha, ao fundo israelita MDSR. Com esta operação, realizada através do Hahn Sierra Food Retail Fund, o braço imobiliário da Sonae soma mais 15 mil metros quadrados de superfície na Catalunha, Aragão, Andaluzia, Astúrias, Navarra e Extremadura. Os nove ativos, arrendados a longo prazo à empresa de distribuição espanhola, oferecem uma “exposição diversificada tanto por geografias como por áreas de influência comercial”, segundo nota da Savills, a consultora imobiliária que assessorou a operação. O valor da operação não foi avançado, mas o fundo israelita tinha comprado 27 centros à própria Mercadona em 2021, numa operação avaliada em 100 milhões de euros. Também a EY assessorou, legalmente, a Sonae Sierra, enquanto a Eversheeds Sutherland apoiou o v...