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Portugueses aderem à nova febre da bitcoin

 A moeda digital mais popular em todo o Mundo superou o preço recorde atingido há três anos. Crise económica parece ter levado investidores do ouro para os criptoativos


De moeda associada ao lado mais negro da Internet a estrela dos investidores. A febre da bitcoin está de volta. Os portugueses também aderiram à nova onda de euforia em torno da moeda digital mais popular do Mundo. Atualmente, uma bitcoin vale mais de 21 mil euros, cerca de 26 mil dólares, um máximo histórico.


Os últimos meses "têm vindo a favorecer os criptoativos e, em especial, a bitcoin, que parece ter chamado a atenção dos investidores a nível internacional e Portugal não é exceção", segundo a corretora XTB. "A procura por este tipo de produtos financeiros tem vindo a recuperar os níveis que se registavam nos períodos de 2017-2018 e inclusive começam a surgir mais projetos à volta deste setor", destacou.


Retorno de 200%

A bitcoin superou o seu máximo alcançado há três anos e parece ter-se tornado um ativo comum. A aposta na moeda por parte de empresas e bancos veio ajudar a dar confiança aos restantes investidores. No espaço de 12 meses, a moeda virtual valorizou-se mais de 200%. Comparando com a média dos restantes países, "Portugal ainda apresenta níveis de procura modestos, mas nos últimos meses assistimos a um crescimento significativo da procura e das transações de criptoativos e começamos a assistir a investimentos por parte das empresas neste setor, em território nacional", segundo a XTB.


Em ano de crise económica, provocada pelas medidas adotadas no âmbito da epidemia do novo coronavírus, a bitcoin continua a beneficiar dos receios de que as atuais políticas dos bancos centrais levem a uma depreciação das divisas convencionais.


A valorização da bitcoin arrasta também para subidas outras moedas digitais alternativas à mais popular (altcoins). Segundo Henrique Tomé, analista da XTB, "ao nível da procura em geral, temos assistido a um aumento dos investidores de retalho a optar pelo mercado de criptoativos em vez dos mercados tradicionais, mas também das grandes instituições como a Paypal, que começam a dar os primeiros passos neste setor". A movimentação das grandes instituições "acaba por transmitir sinais de segurança".


Revolut

Uma das formas que os investidores de retalho têm para negociar moedas digitais é através da aplicação da Revolut, que permite comprar e vender bitcoin, ethereum, litecoin, bitcoin cash, ripple e stellar lumens em segundos. "Nas últimas quatro semanas, o valor transacionado pelos nossos utilizadores quadruplicou", disse uma porta-voz da Revolut. Os valores totais negociados "aumentaram, ultrapassando os 5,8 milhões de euros".



A Goldman Sachs diz ser possível que o ouro e a bitcoin coexistam, embora a criptomoeda possa estar a reduzir a procura pelo metal precioso, que ainda assim vale sete biliões de euros, muito acima dos 400 mil milhões da moeda virtual. Daqui a quatro anos, 30% da população mundial poderá ter bitcoin, estima Willy Woo, analista especializado em criptomoedas.


Famosos e investidores de Wall Street acreditam nas criptomoedas

No dia 16 de novembro, a atriz Maisie Williams, que desempenhou o papel de Arya Stark na série "A guerra dos tronos", perguntou na rede social Twitter se devia investir em bitcoins. Teve milhares de respostas. Mais de metade dos que responderam, aconselharam a atriz a investir. "Obrigada pelo conselho. Comprei mesmo assim", tuitou a atriz, no dia seguinte. Entre os que tinham respondido à pergunta da atriz está Elon Musk, fundador da Tesla e da SpaceX - e um habitual comentador no Twitter. "Atire uma bitcoin ao seu "Witcher" (bruxo)", respondeu Musk, fazendo alusão à música da série "The witcher", da Netflix, com um enredo similar ao de "A guerra dos tronos".


Musk anunciou em maio que tinha investido em bitcoins, embora com uma posição de apenas 0,25 bitcoins. O anúncio de Musk foi feito num comentário a um tuíte da autora da saga Harry Potter, J.K. Rowling, sobre bitcoins. Musk adiantou, na altura, que "a emissão massiva de moeda pelos bancos centrais" está a fazer "o dinheiro-fantasma bitcoin parecer sólido em comparação". Também a corretora Gemini, dos irmãos Winklevoss (os alegados criadores do Facebook que entraram em disputa judicial com o dono atual da rede social, Mark Zuckerberg), respondeu à atriz de "A guerra dos tronos": "O inverno cripto não está a chegar".


O presidente executivo do Twitter, Jack Dorsey, também é um dos detentores da bitcoin. Em outubro deste ano, o gestor anunciou, num tuíte, que a sua empresa de pagamentos, Square, investiu 50 milhões de dólares (41 milhões de euros) na compra de um bloco de quase 5000 bitcoins. Dorsey afirmou que acredita que o ativo será um dia a "moeda única" do Mundo. E pretende torná-la mais acessível e útil a milhões de pessoas através da aplicação Cash, da Square.


Em Wall Street, a bitcoin também atrai as atenções de investidores. É o caso de Paul Tudor Jones, cuja gestora de ativos gere uma carteira de 18 mil milhões de euros. Em maio deste ano, anunciou que detinha 1% a 2% dos ativos aplicados em bitcoins. Outro multimilionário que aposta na bitcoin é Michael Novogratz, que investiu cerca de 30% de sua fortuna em criptomoedas. Começou a investir em 2015 e anunciou a criação de um criptofundo de 408 milhões de euros, que inclui 122 milhões da sua fortuna.



Invento virtual criado sem pai assumido até à data


A origem da bitcoin remonta a 2007, quando foi apresentado um "white paper" sobre o seu modo de funcionamento. O documento, assinado por Satoshi Nakamoto e intitulado "A Peer-to-Peer Electronic Cash System", foi publicado num fórum sobre criptomoedas.

Nakamoto será um pseudónimo utilizado por um ou vários programadores que criaram a bitcoin. Dorian Satoshi Nakamoto, físico aposentado, é um dos nomes apontados como sendo o pai da ideia. Harold Thomas Finney, falecido em 2014, foi quem recebeu a primeira transação de bitcoins na história, e é outro dos nomes apontados.


Em 2007, foi registado o domínio Bitcoin.org. Em janeiro de 2009, Nakamoto lançou o software por detrás da bitcoin como "open source" (código aberto). Também nesse mês, Nakamoto minerou o primeiro bloco em tecnologia "blockchain", conhecido como "o primeiro bloco". A moeda esteve durante anos associada ao lado negro da Internet - a Darkweb.


A moeda está agora num novo máximo, bem acima dos 21 mil euros. Há previsões que apontam para uma contínua valorização da bitcoin. Mike Novogratz, CEO da Galaxy Digital, acredita que o valor de cada bitcoin pode atingir os 53 mil euros. Analistas ouvidos pela Bloomberg apontam que o seu preço poderá atingir os 40,7 mil euros já em 2021. Se a bitcoin chegar a valer no mercado sete biliões de euros, tal como o ouro, isso significa que cada unidade chegou aos 408 mil euros.


https://www.dinheirovivo.pt/economia/portugueses-aderem-a-nova-febre-da-bitcoin-13181615.html

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