Avançar para o conteúdo principal

Aviões no futuro poderão usar amoníaco como combustível livre de carbono

Ilustração aviçao a jato movido a amoníaco

 A aviação tem crescido substancialmente nos últimos anos e isso tem tido um impacto considerável no ambiente. Assim, várias organizações estão a estudar um novo tipo de combustível que seja “amigo do ambiente”. Um estudo agora dado a conhecer, embora ainda conceptual, aponta a utilidade da utilização do amoníaco como combustível para aviões a jato.

Os impactos climáticos das emissões não-CO2, como os óxidos de nitrogénio não podem ser ignorados, pois representam efeitos de aquecimento global a curto prazo que são importantes.


Combustível dos aviões tem de ser “amigo do ambiente”

As entidades Reaction Engines e o Britain’s Science and Technology Facilities Council (STFC) do Reino Unido, completaram um estudo de conceito sobre a utilidade da utilização do amoníaco como combustível para aviões a jato. Segundo as informações, é possível combinar a tecnologia de troca de calor dos Motores de Reação com os avançados catalisadores do STFC. O resultado, como se espera, é a produção de um sistema de propulsão sustentável e de baixas emissões para as aeronaves do futuro.

Conforme é conhecido, os modernos motores a jato utilizam uma variedade de combustíveis à base de querosene. Esta combinação complexa de hidrocarbonetos tem uma densidade energética muito elevada que pode impulsionar aviões muito para além da velocidade do som e transportar passageiros e carga em todo o mundo.

Infelizmente, estes combustíveis são também derivados de combustíveis fósseis e produzem emissões significativas de dióxido de carbono. Segundo alguns compromissos das entidades aeronáuticas e de alguns governos, estas emissões terão de ser drasticamente reduzidas até 2050.


Trocar a querosene por amoníaco

Uma forma de conseguir estas reduções é procurar alternativas aos combustíveis convencionais para aviões a jato. No entanto, o problema está nas alternativas. Quer isto dizer que a maioria das possíveis soluções têm uma densidade energética muito inferior aos combustíveis de aviação normais, para além de outros inconvenientes.

Por exemplo, a atual tecnologia de baterias exigiria que as futuras aeronaves fossem muito pequenas, de curto alcance e com baixa capacidade de carga útil. Por outro lado, o hidrogénio líquido poderia ser uma alternativa viável, mas o seu consumo exige equipamento complexo e que obrigaria a uma alteração radical do conceito de avião, assim como todas as infraestruturas que estes necessitam.

A ideia de utilizar amoníaco como combustível para a aviação não é nova. Contudo, este combustível tem apenas um terço da densidade energética do diesel. Apesar disso, tem argumentos que podem servir de contrapeso. Por exemplo, é relativamente fácil de liquefazer e armazenar, e já foi utilizado no famoso avião foguete X-15, impulsionando-o para o espaço numa série de missões suborbitais nas décadas de 1950 e 1960. Além disso…. isento de carbono!

A parte difícil é encontrar uma forma economicamente viável de o utilizar na aviação. Para resolver este problema, a Reaction Engines produziu um novo sistema de propulsão baseado na tecnologia de troca de calor que desenvolveu para o seu motor hipersónico SABRE, o qual foi testado pelo Laboratório Rutherford Appleton da STFC perto de Didcot em Oxfordshire.


Mecânica “simples” para usar o amoníaco como combustível de avião

Neste novo sistema, o amoníaco é armazenado como um líquido refrigerado e pressurizado nas asas da aeronave, tal como o combustível à base de querosene faz atualmente. O calor recolhido do motor pelo permutador de calor aqueceria o amoníaco enquanto este é bombeado e introduzido num reator químico onde um catalisador decompõe parte do amoníaco em hidrogénio.

A mistura de amoníaco e hidrogénio é introduzida no motor a jato, onde é queimada como combustível convencional. Como resultado, as emissões serão principalmente constituídas por azoto e vapor de água.

Segundo a Reaction Engines, a densidade de energia do amoníaco é suficientemente elevada para que a aeronave não precise de modificações significativas e o motor possa ser recondicionado num período de tempo relativamente curto. Os trabalhos estão em curso num teste em terra com um primeiro voo dentro de alguns anos.

A combinação da tecnologia de troca de calor dos Motores de Reação e os catalisadores inovadores do STFC permitirão o desenvolvimento de uma classe de sistemas de propulsão da aviação baseados em amoníaco ecológico que mudarão as regras. O nosso estudo mostrou que um motor a jato movido a amoníaco poderá ser adaptado a partir de motores atualmente disponíveis, e o amoníaco como combustível não requer uma reconsideração completa da conceção de aeronaves civis como os conhecemos hoje. Isto significa que é possível uma transição rápida para um futuro sustentável da aviação de baixo custo; Os aviões movidos amoníaco podem estar disponíveis para rotas de curta duração muito antes de 2050.

Dr. James Barth, engenheiro responsável da Reaction Engines.

https://pplware.sapo.pt/ciencia/avioes-poderao-usar-amoniaco-como-combustivel-livre-de-carbono/

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Depois dos mercados, Portugal passa Espanha também no rating

 Portugal está pela primeira vez acima de Espanha para uma das principais agências de rating mundiais. Há anos que a dívida pública e os juros cobrados no mercado já eram mais baixos em Portugal. Pela primeira vez desde pelo menos 2010, uma das três principais agências de notação financeira do mundo passou, esta sexta-feira, a atribuir a Portugal um rating superior ao da Espanha. Um reconhecimento que surge agora, depois de há já vários anos Portugal não só apresentar dados orçamentais mais favoráveis que a Espanha, como também beneficiar de taxas de juro mais baixas nos mercados. Portugal ultrapassa Espanha na classificação da dívida pública | Finanças públicas | PÚBLICO

Prova dos 9. Diferença de preços dos combustíveis Portugal/Espanha é igual à de Espanha/França?

 Ministra do Ambiente disse que "a diferença de preços que Portugal tem face a Espanha é idêntica à que Espanha tem relativamente a França". É mesmo assim? A ministra do Ambiente, em conferência de imprensa, na segunda-feira, garantiu que o “Governo não está a lucrar com a crise dos combustíveis”, depois de o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro ter acusado o Governo de estar a ganhar dinheiro com a subida dos preços. Maria da Graça Carvalho sublinhou que Espanha “é uma exceção” e que a diferença de preços que Portugal tem face a Espanha é idêntica à que Espanha tem relativamente a França. O boletim semanal da Comissão Europeia revela que a diferença é maior. A afirmação “A diferença de preços que temos com Espanha é a mesma que Espanha tem com França”, disse Maria da Graça Carvalho, na conferência de imprensa no Campus XXI, acrescentando: “O preço dos combustíveis em Portugal está em linha com o aumento verificado no resto da Europa”. Os factos O boletim semanal da Com...