Avançar para o conteúdo principal

Governo lança apoios até 5000 euros para ajudar as micro e pequenas empresas a preparem-se para a reabertura


O Governo vai apoiar as micro e pequenas empresas na adaptação dos serviços à reabertura, num valor máximo de cinco mil euros.
Governo lança apoios até 5000 euros para ajudar as micro e pequenas empresas a preparem-se para a reabertura

Foi assinado este sábado, 2 de maio, um protocolo de cooperação para o setor do comércio e serviços, entre a CCP - Confederação do Comércio e Serviços de Portugal e a DGS - Direção-Geral da Saúde. No âmbito deste protocolo serão exigidas medidas de proteção dos trabalhadores e dos clientes às empresas nesta fase de reabertura — o que vai implicar custos. Neste sentido, o Governo, pela voz do ministro do Planeamento, Nelson Souza, anunciou hoje apoios a fundo perdido para as micro e pequenas empresas.

Em causa estão apoios entre os 500 e os 5000 euros, sustentados em 80% da despesa a fundo perdido, e que se destinam à aquisição de material de proteção, higienização de espaços, colocação de sinalética, entre outras medidas.

Estas são as datas em que estão previstas as reaberturas:

4 de maio

- Balcões desconcentrados dos serviços públicos;
- Comércio local (lojas até 200 metros quadrados);
- Cabeleireiros, barbeiros, manicures e similares;
- Livrarias;
- Comércio automóvel;
- Bibliotecas e arquivos;
- Prática de desportos individuais ao ar livre.

18 de maio

- Lojas até 400 metros quadrados;
- Aulas presenciais nos 11.º e 12.º anos;
- Creches;
- Museus, monumentos e palácios;
- Galerias de arte.

30 - 31 de maio

- Celebrações religiosas coletivas;
- I Liga de Futebol e Taça de Portugal.

1 de junho

- Lojas de cidadão;
- Lojas com mais de 400 metros quadrados;
- Lojas dos centros comerciais;
- Creches, pré-escolar e ATL;
- Cinemas, teatros, auditórios e salas de espetáculo.

Estes apoios para as micro e pequenas empresas visam todos os setores, mas estão especialmente pensados para comércio, restauração e serviços pessoais, como cabeleireiros e similares.

As despesas elegíveis a estes apoios podem ser retroativas a 18 de março, data da declaração do primeiro Estado de Emergência e incluem também a criação de serviços de entregas ao domicilio ou a facilitação de mecanismos de teletrabalho.

Segundo Nelson Souza o processo de candidatura será simplificado, resumindo-se à apresentação de um orçamento por grandes rubricas elegíveis ao apoio. As empresas têm de ter a sua situação regularizada junto da Autoridade Tributária e da Segurança Social.

O pagamento destes apoios estará dividido em dois momentos, 50% adiantados, numa fase de contratação ou aquisição do orçamentado, e os restantes 50% mediante apresentação da declaração de despesa realizada por parte da empresa, confirmada por contabilista certificado.

As candidaturas a estes apoios arrancam no próximo dia 11 de maio.

O Ministério do Planeamento lançará também um plano de apoio para empresas de maior dimensão, com regras diferenciadas, mas também com valores de apoio superiores, anunciou Nelson Souza.

Este novo sistema de apoios visa sobre tudo garantir que a retoma da atividade económica é realizada de forma segura. Veja aqui o plano completo do desconfinamento.

"Quem vai experimentar um carro tem condições diferentes de quem vai experimentar uma gravata"
António Costa marcou presença nesta cerimónia de assinatura de protocolo em que foram anunciadas as medidas de apoio às empresas e salientou que "na segunda-feira, Portugal vai dar um passo para começar a reabrir muitas das atividades do setor comercial que foram encerradas por necessidade de contenção da pandemia de covid-19, mas a retoma é essencial que seja feita com segurança para quem trabalha nos estabelecimentos e dos clientes".

Para o líder do Executivo, a existência de condições de segurança "é fundamental para que os portugueses regressem com confiança aos estabelecimentos comerciais: Cabeleireiros, barbeiros, institutos de beleza, stands de automóveis, livrarias ou lojas de roupa".

"Além das normas gerais que o Governo tem vindo a trabalhar em sede de concertação social, tendo em vista a higiene e proteção no trabalho - normas transversais a todos os setores -, há depois, naturalmente, especificidades próprias de cada ramo. Quem vai experimentar um carro tem condições diferentes de quem vai experimentar uma gravata", comentou, a título de exemplo.

É neste sentido que "damos um novo passo de criar um programa especificamente dirigido às microempresas e, em particular, às dos setores comercial e da restauração, tendo em vista apoiar em 80% a fundo perdido despesas entre 500 e os cinco mil euros que sejam realizadas com a aquisição de material de proteção individual para os trabalhadores e higienização dos locais de trabalho", disse o líder do executivo.

Neste ponto, o primeiro-ministro referiu que o programa, no que respeita a comparticipações por parte do Estado, "também se estenderá a um conjunto de outros investimentos que as empresas serão chamadas a fazer nos termos do protocolo com a Direção-Geral da Saúde".

"Sabemos que o cumprimento das normas de segurança vai representar custos acrescidos. Por isso, para mantermos as empresas vivas e os postos de trabalho, e para preservamos o mais possível o rendimento, o Governo tem vindo a adotar um conjunto de medidas que visam assegurar liquidez às empresas", defendeu.

Também o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, a quem coube as honras de abertura, destacou que "vamos a partir de segunda-feira entrar numa nova etapa deste combate (...) vamos reaprender a viver, a circular e a trabalhar de uma forma diferente, adaptada a uma noção do risco que ainda enfrentamos".

"Sabemos que quando voltarmos a circular vamos ter de ter especiais cuidados para nos proteger a nós e aos outros", acrescentou.

Uma noção, aliás, reforçada nesta cerimónia por Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, também presente:

“No momento que o país se prepara para retomar a atividade, o papel de cada um de nós é mais exigente. O risco de contágio é uma realidade, por isso, mais do que nunca, é fundamental que sejam promovidas e aplicadas regras de saúde higiene e segurança nos locais de trabalho e nos diversos locais da nossa vida social”.

Cientes de que esta adaptação "vai colocar exigências particulares ao setor do comercio e serviços (...), por isso é que quisemos disponibilizar às empresas apoios a fundo perdido que lhes permitam fazer esse investimento", explicou o ministro da Economia.

"É muito importante" que possamos oferecer a toda a comunidade a noção de que "podemos consumir e trabalhar com toda a confiança", reiterou.

Antes de terminar a sua intervenção, e tal como tinha afirmado na entrevista à RTP, na quinta-feira à noite, António Costa garantiu que o Governo pagará até ao dia 15 deste mês todos os requerimentos de ‘lay-off’ que entraram até 30 de abril.

O primeiro-ministro destacou ainda que "ao longo deste período, as empresas já puderam beneficiar das moratórias de pagamento, seja de contribuições à Segurança Social, seja de contribuições de impostos. Outras tiveram moratórias em matéria de arrendamento”.

Ainda segundo António Costa, “das mais de 12 mil empresas do setor do comércio e serviços que requereram apoio às linhas de crédito, mais de quatro mil já viram essas operações validadas pela Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua e, como tal, estão em condições de ser contratadas pelos respetivos bancos”.

https://24.sapo.pt/economia/artigos/ate-5000-euros-para-ajudar-preparar-as-micro-e-pequenas-empresas-para-a-reabertura

Comentários

Notícias mais vistas:

Este restaurante é tão bom que há pessoas proibidas por lei de irem lá comer

  Não é um local que sirva para ir todos os dias, mas antes em ocasiões bastante especiais. Ainda assim, nem nessas circunstâncias algumas pessoas podem entrar, mesmo que ninguém saiba porquê Como refúgio secreto outrora reservado aos antigos imperadores da China, para além da vigilância dos homens de negro que guardam a entrada em frente ao histórico Templo Lama de Pequim, um estreito caminho de pedra conduz silenciosamente a um pátio. A névoa flutua suavemente ao longo da passadeira. No final do mesmo, uma mulher envolta num manto simples sobre um vestido tradicional chinês aguarda junto a um muro caiado que protege o pátio das ruas movimentadas da antiga Pequim. Com um gesto delicado, convida os visitantes a entrar no restaurante. Não é o tipo de restaurante que se frequenta todos os dias. É um local reservado para ocasiões especiais: pedidos de casamento, aniversários ou receções. Contudo, há um tipo de convidado que não pode desfrutar do elegante estabelecimento, nem mesmo em ...

Construção da maior central solar em Portugal encravada há mais de dois anos na justiça, apesar de aprovada

Santa Luzia in northeastern Brazil.  EPA/SEBASTIAO MOREIRA  Desde 2024 que a autorização ambiental dada à central solar Fernando Pessoa foi suspensa por decisão do juiz e após impugnação do Ministério Público. Agência do Ambiente recorreu, mas não há decisão. A maior central solar aprovada para Portugal, com mais de mil megawatts (MW) de potência, está parada há mais de dois anos, na sequência de processos judiciais colocados contra a aprovação emitida pelas autoridades ambientais. A atribulada história do projeto, que foi batizado com o nome do poeta Fernando Pessoa, mostra que o licenciamento ambiental — por intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza de Florestas) — nem sempre é o maior obstáculo à execução dos projetos de energias renováveis. A central solar fotovoltaica Fernando Pessoa está prevista para o concelho de Santiago do Cacém e obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em jane...

Maior fábrica do mundo de baterias “em segunda mão” abriu em apenas seis semanas

Uma startup do Canadá inaugurou aquela que descreve como a maior fábrica de reaproveitamento de baterias de veículos elétricos do mundo. O mais impressionante não é apenas a escala do projeto, mas a velocidade, uma vez que da apresentação pública à entrada em funcionamento passaram-se apenas seis semanas. Uma segunda vida para baterias “reformadas” Pelas mãos da Moment Energy, uma startup da Colúmbia Britânica, no Canadá, a chamada Megafactory 1 abriu portas em Surrey , na área metropolitana de Vancouver, a 23 de junho. O objetivo é que, em vez de reciclar imediatamente as baterias que saem de veículos elétricos em fim de vida útil, a Moment Energy testa-as, desmonta-as e reconstrói-as em sistemas de armazenamento de energia à escala comercial . De facto, uma bateria retirada de um carro elétrico está longe de estar “morta”, mantendo tipicamente entre 80% e 85% da sua capacidade original. Apesar de já não ser suficiente para mover um automóvel com o desempenho exigido, é material dema...