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Pandemia pode durar até ao final do próximo ano. Novo estudo fala em 18 a 24 meses


Investigadores da Universidade do Minnesota recomendam que se evite falar no fim da pandemia para já e traçam três cenários possíveis para o surto global de coronavírus.

Na linha do tempo da pandemia, procuram-se respostas sobre o ponto de partida, mas também sobre o ponto de chegada. Se cientistas da University College London e da University of Reunion Island acreditam que o surto global terá começado ainda em outubro do ano passado, uma equipa de investigadores nos EUA prevê que possa ter uma duração entre 18 e 24 meses. Ou seja, com diferentes graus e cenários possíveis, a pandemia poderá chegar a junho ou dezembro de 2021.

Antes de chegar à conclusão, o Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade do Minnesota (CIDRAP) não deixa de fazer uma ressalva: tudo o que se pode seguir pela frente é “altamente imprevisível” e não existe “uma bola de cristal que descodifique o fim do jogo”. No entanto, é possível traçar cenários ao olhar para outros modelos de comparação, como são as epidemias da influenza, já que as características de outros surtos de coronavirus (o SARS e o MERS) são substancialmente diferentes da atual.

As semelhanças com a influenza não estão nas características intrínsecas do vírus, mas na forma como afetam a população: desde o século XVIII, já houve pelo menos oito casos de pandemia e não existia imunidade prévia. Nos dois casos, a disseminação é possível por via respiratória, chegando mesmo a poder ocorrer transmissão por pessoas assintomáticas. Por último, o estudo “The CIDRAP Viewpoint” sublinha que se tratam de vírus que podem mover-se rapidamente pelo planeta.

Antes de traçar os cenários de possibilidades para os próximos meses, a equipa norte-americana diz estar ciente de que existem diferenças, mas que não impedem a construção de previsões. Entre elas está o frenquentemente mencionado R0 (taxa de reprodução do vírus), que se revelou maior nesta primeira fase do coronavírus do que nos casos de gripe. À lista acrescentam-se o percentual de assintomáticos, que é maior na atual pandemia e o período de incubação do vírus: com o coronavírus, tem-se apontado para cinco dias em média e no caso da influeza são dois dias até o aparecimento dos sintomas.


Os três cenários possíveis

No primeiro, a vaga de infeções que ocorreu na primavera de 2020 é seguida por uma série de ondas menores e repetitivas durante o verão e que permancerão de forma consiste por um ou dois anos. Haverá variações geográficas, intensidades diferentes e que dependerão sempre das medidas de conteção aplicadas até ao seu possível fim: em 2021.

No segundo cenário, depois da onda que vivemos, acabará por surgir uma maior no outono ou no inverno e 2021 será o ano de uma ou mais réplicas menores. “Este padrão irá exigir a restituição de medidas de mitigação na segunda onda, na tentativa de reduzir a propagação de infeções e evitar que os sistemas de saúde acabem sobrecarregados. Este padrão é semelhante ao que foi visto com a pandemia de 1918-19”, pode ler-se no estudo. Como explicou o Observador previamente, no último ano da Primeira Guerra a segunda vaga da gripe espanhola foi muito pior do que a primeira.

O último cenário retrata um momento em que as infeções terão desaparecido lentamente depois da onda desta primavera, não sendo necessárias posteriores medidas de contenção. Mais uma vez, as características poderão ter variações geográficas e dependerão sempre das restrições que foram impostas durante o primeiro semestre do ano. Este é o caso de um declínio gradual, num padrão que “não foi observado em pandemias anteriores da influenza”, mas que é “uma possibilidade para o SARS-coV-2.

Tendo tudo isto em conta, o estudo admite a possibilidade de a pandemia ocorrer num intervalo de 18 a 24 meses, o suficiente para que se desenvolva uma imunidade de grupo com 60 a 70% da população. Por isso, recomenda às autoridades que se criem planos para os piores cenários, que incluam a inexistência de uma vacina e formas de reação rápida para o restabelecimento de medidas de mitigação em novos picos da crise. O alerta final faz menção à própria comunicação feita pelos governos, que deve passar pela recordação de que a pandemia pode não terminar brevemente e que os cidadãos devem estar preparados para novas ondas nos próximos meses.

https://observador.pt/2020/05/08/pandemia-pode-durar-entre-18-a-24-meses-estudo-traca-tres-cenarios/

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