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Depósitos recorde apertam Fundo de Garantia



 Recursos do Fundo de Garantia de Depósitos cobrem 1,04% dos depósitos. Um terço dos depósitos não estão cobertos pelo Fundo.


Segundo o Relatório anual de 2020 relativo ao Fundo, divulgado ontem pelo Banco de Portugal, os recursos do Fundo cobriam 1,04% dos depósitos. Trata-se de uma ligeira queda face ao rácio de 1,13% registado no final de 2019. Isto apesar de ter havido um aumento do montante dos recursos no ano passado, sobretudo devido à integração de recursos do Fundo de Garantia de Crédito Agrícola Mútuo. Em 31 de dezembro de 2020, os recursos próprios do Fundo totalizavam 1674,02 milhões de euros, o valor mais alto de sempre, que corresponde a um aumento de 132,3 milhões de euros face ao ano anterior.


"A relação entre os recursos próprios do FGD e os depósitos efetivamente cobertos pela garantia reduziu-se ligeiramente para 1,04% no final de dezembro de 2020 (1,13% em 2019)", refere o mesmo Relatório. O rácio de cobertura mantém-se "acima do nível de 0,8%, estabelecido na Diretiva 2014/49/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de abril de 2014, relativa aos sistemas de garantia de depósitos, e que corresponde ao nível de capitalização que os sistemas de garantia da União Europeia devem atingir até julho de 2024".


Em julho passado, o montante depositado pelas famílias nos bancos atingiu um novo máximo de sempre, em 168,5 mil milhões de euros. Tratou-se de um aumento de 1,8 mil milhões de euros em termos mensais, segundo dados divulgados esta semana pelo Banco de Portugal.


As poupanças dos portugueses têm vindo a crescer, apesar de o país ter vivido em 2020 uma das maiores crises económicas de sempre. As moratórias no crédito, sobretudo no que toca os empréstimos da casa, ajudaram as famílias a por mais dinheiro de lado. A maioria das moratórias terminam no final do próximo mês de setembro.


Quanto ao rácio de cobertura dos depósitos de titulares elegíveis para efeitos da garantia do Fundo, era de 72% (mantendo-se inalterado face ao valor registado a 31 de dezembro do ano anterior)", adiantou o Relatório. Significa que "a proporção de depósitos que, embora titulados por depositantes elegíveis, não se encontram cobertos por excederem o limite da garantia, era de 28%.


Em termos de resultado do exercício de 2020, "foi negativo em 1,09 milhões de euros, ainda assim melhor do que os resultados verificados em 2019, 2018 e 2017 [-1,56, -3,43 e -2,97 milhões de euros, respetivamente]". O Relatório lembra que "em 2020 reduziram-se ainda mais as possibilidades de investimento com remuneração esperada positiva", devido ao ambiente de baixas taxas de juro.


O Fundo de Garantia de Depósitos protege depósitos bancários até ao valor de 100 mil euros por depositante e por banco, em caso de falência de uma instituição de crédito.


O Fundo foi criado em 1992 e foi acionado em 2010 aquando da queda do Banco Privado Português, na sequência da revogação da autorização para o exercício de atividade do banco. O valor acumulado dos reembolsos realizados ou reconhecidos pelo FGD nessa operação ascendeu, com dados referentes a 31 de dezembro de 2019, a 104,3 milhões de euros.


Por Elisabete Tavares em:

https://www.dinheirovivo.pt/empresas/depositos-recorde-apertam-fundo-de-garantia-14007582.html

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