Avançar para o conteúdo principal

É assim que a Stellantis finta a crise dos chips


Quando eclodiu a crise dos semicondutores, a maioria das marcas de automóveis foi apanhada desprevenida e a produção ressentiu-se com a falta de chips. A Stellantis vê aí uma oportunidade de negócio.

Chip shortage
i

No final de 2021, Stellantis e Foxconn acordaram desenvolver em conjunto uma família de semicondutores para aplicações na indústria automóvel. O acordo materializa-se com a SiliconAuto, uma nova empresa que vai fabricar os chips de que a Stellantis precisa

dpa/picture alliance/Getty Images

A nova empresa chama-se SiliconAuto e pretende tirar partido da experiência e da dimensão das duas companhias para, já a partir de 2026, conceber chips para a “nova geração de plataformas de veículos da indústria automóvel”, informa a Stellantis, que naturalmente vai ser cliente da empresa que detém a meias com a gigante de Taiwan. A Foxconn é “apenas” o maior fabricante de componentes electrónicos e computadores do mundo, o que diz tudo em relação ao seu domínio no universo das tecnologias de informação e comunicação, em geral, e no sector dos semicondutores, em particular. Tanto assim é que esta é a segunda joint-venture que o grupo liderado pelo português Carlos Tavares estabelece com o mesmo parceiro, pois, além da SiliconAuto, a Stellantis e a Foxconn estão igualmente juntas na Mobile Drive, uma companhia criada precisamente para antecipar a evolução tecnológica a bordo dos automóveis, dedicando-se ao desenvolvimento dos chamados cockpits inteligentes, “activados pela electrónica de consumo, interfaces homem-máquina e serviços”.

Com sede nos Países Baixos, à semelhança da própria Stellantis, a SiliconAuto não se vai limitar a “servir” as 14 marcas do grupo franco-italo-americano. A ideia é que forneça igualmente outros construtores de automóveis, sendo conveniente ter presente que quanto mais sofisticado é um veículo, maior é a electrónica que o suporta e, como tal, cresce em proporção a necessidade de chips. Para se ter uma ideia, um veículo moderno pode chegar a integrar 3000 chips, sendo que a tendência vai para que a tecnologia integrada constitua um dos principais factores diferenciadores do produto no ramo automóvel.

Daí que a Stellantis esteja a tratar de antecipar e garantir necessidades futuras, pois o grupo não só está a acelerar para a concepção de quatro plataformas específicas para veículos exclusivamente a bateria, como se encontra a desenvolver uma nova arquitectura de software, a STLA Brain, a qual deve ter “plena capacidade de actualização remota”, isto é, deve ser capaz de corrigir falhas ou instalar upgrades no própria arquitectura eléctrica, indo para além das comuns actualizações a nível do sistema de infoentretenimento e evitando, assim, a deslocação dos clientes às oficinas em grande parte dos casos. Com esta integração vertical e com estas metas pela frente, a estratégia da Stellantis parece que alinha pela realidade operacional da Tesla, excepção feita no que toca à constituição de uma rede própria de carregadores ultra-rápidos.

Para o chief technology officer da Stellantis, Ned Curic, a SiliconAuto vai permitir ao grupo que resultou da fusão da PSA com a FCA “beneficiar de um fornecimento robusto de componentes essenciais, algo fundamental para alimentar a transformação rápida e definida pelo software dos produtos” da Stellantis. “O nosso objectivo é construir veículos que se conectem perfeitamente à vida quotidiana dos nossos clientes e que ofereçam as melhores capacidades anos depois de saírem da linha de montagem”, acrescentou. 


É assim que a Stellantis finta a crise dos chips – Observador


Comentários

Notícias mais vistas:

Bruxelas considera que é possível acabar com mudança da hora e vai apresentar estudo

 A Comissão Europeia considera que alcançar um consenso para acabar com a mudança da hora "ainda é possível" e vai apresentar um estudo nesse sentido este ano, com os Estados-membros a manifestarem-se disponíveis para analisá-lo assim que for entregue. Na madrugada do dia 29 deste mês, a hora volta a mudar em toda a União Europeia (UE), para dar início ao horário de verão, o que acontece atualmente devido a uma diretiva europeia que prevê que, todos os anos, os relógios sejam, respetivamente, adiantados e atrasados uma hora no último domingo de março e no último domingo de outubro. Em setembro de 2018, a Comissão Europeia propôs o fim do acerto sazonal, mas o processo tem estado bloqueado desde então, por falta de acordo entre os Estados-membros sobre a matéria. Numa resposta por escrito à agência Lusa, a porta-voz da Comissão Europeia Anna-Kaisa Itkonnen referiu que o executivo decidiu propor o fim da mudança horária em 2018 após ter recebido "pedidos de cidadãos e dos ...

Armazenamento holográfico

 Esta técnica de armazenamento de alta capacidade pode ser uma das respostas para a crescente produção de dados a nível mundial Quando pensa em hologramas provavelmente associa o conceito a uma forma futurista de comunicação e que irá permitir uma maior proximidade entre pessoas através da internet. Mas o conceito de holograma (que na prática é uma técnica de registo de padrões de interferência de luz) permite que seja explorado noutros segmentos, como o do armazenamento de dados de alta capacidade. A ideia de criar unidades de armazenamento holográficas não é nova – o conceito surgiu na década de 1960 –, mas está a ganhar nova vida graças aos avanços tecnológicos feitos em áreas como os sensores de imagem, lasers e algoritmos de Inteligência Artificial. Como se guardam dados num holograma? Primeiro, a informação que queremos preservar é codificada numa imagem 2D. Depois, é emitido um raio laser que é passado por um divisor, que cria um feixe de referência (no seu estado original) ...

Os professores

 As últimas semanas têm sido agitadas nas escolas do ensino público, fruto das diversas greves desencadeadas por uma percentagem bastante elevada da classe de docentes. Várias têm sido as causas da contestação, nomeadamente o congelamento do tempo de serviço, o sistema de quotas para progressão na carreira e a baixa remuneração, mas há uma que é particularmente grave e sintomática da descredibilização do ensino pelo qual o Estado é o primeiro responsável, e que tem a ver com a gradual falta de autoridade dos professores. A minha geração cresceu a ter no professor uma referência, respeitando-o e temendo-o, consciente de que os nossos deslizes, tanto ao nível do estudo como do comportamento, teriam consequências bem gravosas na nossa progressão nos anos escolares. Hoje, os alunos, numa maioria demasiado considerável, não evidenciam qualquer tipo de respeito e deferência pelo seu professor e não acatam a sua autoridade, enfrentando-o sem nenhum receio. Esta realidade é uma das princip...