Avançar para o conteúdo principal

“Multas absurdas”. Não pagamentos das antigas SCUT surpreendem cidadãos com dívidas de milhares

 


As SCUT começaram a ser pagas em 2011, com pórticos automáticos que leem automaticamente a matrícula dos veículos a serem instalados nas estradas.

Não é um caso novo, mas sempre que reemerge, por via das redes sociais, causa polémica pelos seus contornos, mas também valores envolvidos. Um cidadão, recorrente utilizador de portagens, terá acumulado 31 dívidas por passagens nos pórticos automáticos das antigas SCUT. O facto de ainda não as ter pago motivou a emissão de um aviso de cobrança, que acabou por ir parar a outra residência por erro na morada. Quando o cidadão em causa se apercebeu do erro, a dívida já ultrapassava os 63 mil euros.

A situação foi confirmada pela Ascendi, que garantiu que o valor resultava da normal e correta aplicação da lei. O caso está longe de ser único, o que já levou a DECO a lançar uma campanha que alerta os cidadãos, mas também para motivar uma alteração no sistema que deu origem a multas destes valores. O assunto foi trazido para a ordem do dia ainda mais recentemente por Carlos Guimarães Pinto, que pediu aos seus utilizadores que lhe fizessem chegar “exemplos de multas absurdas”.

“Não consigo verificar caso a caso, mas chegaram-me relatos de casos, com imagens do Portal das Finanças, onde mostravam dívidas de 80 e 40 mil euros. Tudo porque há um ou dois anos andaram duas semanas sem Via Verde”, explicou o deputado. “Dívidas que em princípio deveriam ser pequenas acabam a destruir a vida das pessoas“, vaticinou.

As SCUT começaram a ser pagas em 2011, com pórticos automáticos que leem automaticamente a matrícula dos veículos a serem instalados nas estradas. O pagamento tem que ser efetuado por via de um sistema que ao longo dos anos tem recebido múltiplas críticas, uma vez que o valor só fica disponível para pagamento 48 horas após a viagem. A partir dessa data, o utilizador tem 15 dias para efetuar o pagamento. Caso tal não aconteça, são enviados avisos de cobrança e as respetivas coimas. Ao valor original da portagem acrescenta-se os custos administrativos de 0,32€ por viagem, até um máximo de 2,56€.

A partir daí, os valores vão sempre aumentando, de acordo com a lei. Tal como explica a NiT, uma viagem na qual se passou por um pórtico ao qual está associado um pagamento de 0,70€ pode transformar-se numa coima superior a 50€. Caso o valor da viagem suba para 8€, o preço final será superior a 500€. A mesma fonte chama a atenção para o facto de os valores não serem cobrados pela concessionária, mas pela Autoridade Tributária.

“Existem aqui três problemas. Desde logo, a forma como se permite que esta cobrança de portagens das concessionárias, que são tecnicamente privados, seja feita pela Autoridade Tributária (AT). O segundo problema tem a ver como a forma como a AT faz essas cobranças: mesmo que sejam dívidas pequenas, adiciona coimas e custos administrativos elevados”, explicou o fundador da Iniciativa Liberal também à NiT.

“A terceira questão é o método que é usado para cobrar as portagens e que tem apresentado muitas falhas. A portagem só está disponível 48 horas depois e nesse período, há o risco de as pessoas se esquecerem ou não conseguirem ir aos CTT fazer o pagamento. Muitas vezes não recebem os avisos em casa, bastando para isso que a morada do livrete seja outra ou contenha um erro. De repente, têm em cima delas uma contraordenação fiscal sem ter havido dolo ou negligência na falta de pagamento.”

Como tal, Carlos Guimarães Pinto, que apresentou na Assembleia da República uma proposta de alteração da lei, destaca que mesmo “em casos de negligência ou dolo”, a “punição por não pagar uma portagem de 1€ não podem ser 300€”. “Não é justificável. As multas são excessivas.” O método de cobrança é igualmente criticado pelo deputado.


"Multas absurdas". Não pagamentos das antigas SCUT surpreendem cidadãos com dívidas de milhares (aeiou.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...

Os professores

 As últimas semanas têm sido agitadas nas escolas do ensino público, fruto das diversas greves desencadeadas por uma percentagem bastante elevada da classe de docentes. Várias têm sido as causas da contestação, nomeadamente o congelamento do tempo de serviço, o sistema de quotas para progressão na carreira e a baixa remuneração, mas há uma que é particularmente grave e sintomática da descredibilização do ensino pelo qual o Estado é o primeiro responsável, e que tem a ver com a gradual falta de autoridade dos professores. A minha geração cresceu a ter no professor uma referência, respeitando-o e temendo-o, consciente de que os nossos deslizes, tanto ao nível do estudo como do comportamento, teriam consequências bem gravosas na nossa progressão nos anos escolares. Hoje, os alunos, numa maioria demasiado considerável, não evidenciam qualquer tipo de respeito e deferência pelo seu professor e não acatam a sua autoridade, enfrentando-o sem nenhum receio. Esta realidade é uma das princip...

ADSE muda regras dos óculos: reembolso passa a ter limite anual de 180 euros

 A ADSE vai alterar as regras de reembolso dos óculos, introduzindo um teto anual de 180 euros no regime livre, mantendo a comparticipação de 80%. Deixa assim de haver limites quanto ao número de armações e lentes, que até agora eram definidos por períodos de três anos. As mudanças abrangem também exames e cirurgias, com revisão da tabela de preços da radiologia e da gastroenterologia e inclusão de novos atos, sobretudo TAC e ressonâncias magnéticas, permitindo acesso a técnicas mais avançadas sem aumento dos encargos para os beneficiários, segundo avançou o ECO. As alterações terão um impacto orçamental estimado em 15,4 milhões de euros por ano para a ADSE, sistema de proteção na doença da função pública. A revisão das tabelas de preços abrange cerca de 200 atos médicos e inclui mais de uma centena de novos códigos, sobretudo na área da radiologia, com o objetivo de atualizar os valores de referência e alargar o acesso a cuidados mais diferenciados. ADSE muda regras dos óculos: re...