Avançar para o conteúdo principal

Burla com baterias desliga centenas de carros elétricos


Há lesados que têm os carros elétricos parados há um ano e meio, Foto: José Carmo / Global Imagens


 Carla Quadrado é fisioterapeuta, vive em Fernão Ferro, e tem um Renault Zoe desde agosto de 2021. Quando chegou à sua mão, o veículo tinha apenas dois mil quilómetros e passou a ser de Carla a troco de 20 mil euros. Ligava, acelerava, travava e até carregava sem problemas, até ao dia 22 de dezembro. Depois de sair do trabalho, chegou à viatura e, em vez do típico som de um elétrico, só teve direito a uma mensagem: “Carga bloqueada”. A bateria do pequeno Zoe nunca mais carregou.


É então que se abre a panóplia das opções sobre o que terá acontecido: a vida útil das baterias chegou ao fim, uma mera avaria ou as baterias do Renault afinal são alugadas, podendo ser bloqueadas à distância sem aviso prévio e sem que o proprietário tenha comprado o veículo nestas condições? A resposta está na primeira página do Jornal de Notícias e o caso de Carla Quadrado não é único, nem sequer circunstancial. Há centenas de casos já reportados e, inclusive, de queixas feitas a várias autoridades nacionais, mas o problema ainda não foi solucionado. Todas as histórias desta alegada burla começam num stand de Vila do Conde que está ligado a uma financeira do grupo Renault.


A notícia do JN dá conta que entre os lesados há particulares, empresas e até câmaras municipais. Em comum está o problema: carros elétricos que deixaram de funcionar do dia para a noite sem aviso prévio. A esmagadora maioria dos carros comprados são Renaults Zoe usados, que foram importados e revendidos no stand E-Drive, em Vila do Conde. Outro detalhe comum importante é que todos têm fatura de “viatura sem aluguer de bateria” e registo de propriedade sem qualquer reserva extraordinária.


É aqui que, tal como os proprietários dos veículos, ficamos a conhecer a financeira RCI (do grupo Renault e, entretanto, rebatizada Mobile Financial Services) que invoca contratos de aluguer das baterias celebrados aquando da primeira compra da viatura, ou seja, ainda no estrangeiro. O concessionário escusa-se de culpas e lembra que “o contrato cessa com a exportação”.


Do Portal da Queixa à PJ, passando pelo Ministério Público, o número de queixas não para de aumentar e a alegada burla já está a ser investigada. 


A fisioterapeuta de Fernão Ferro comprou o carro a pronto, mas há três semanas que está apeada. Carla Quadrado garante que nunca ouviu falar da Mobilize e, como ela, estão mais 80 lesados e as Câmaras Municipais de Vila Pouca de Aguiar e a de Oliveira do Bairro. Alguns têm mais do que uma viatura e há quem esteja há mais de um ano para resolver a situação.


Burla com baterias desliga centenas de carros elétricos (jn.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...

Os professores

 As últimas semanas têm sido agitadas nas escolas do ensino público, fruto das diversas greves desencadeadas por uma percentagem bastante elevada da classe de docentes. Várias têm sido as causas da contestação, nomeadamente o congelamento do tempo de serviço, o sistema de quotas para progressão na carreira e a baixa remuneração, mas há uma que é particularmente grave e sintomática da descredibilização do ensino pelo qual o Estado é o primeiro responsável, e que tem a ver com a gradual falta de autoridade dos professores. A minha geração cresceu a ter no professor uma referência, respeitando-o e temendo-o, consciente de que os nossos deslizes, tanto ao nível do estudo como do comportamento, teriam consequências bem gravosas na nossa progressão nos anos escolares. Hoje, os alunos, numa maioria demasiado considerável, não evidenciam qualquer tipo de respeito e deferência pelo seu professor e não acatam a sua autoridade, enfrentando-o sem nenhum receio. Esta realidade é uma das princip...

ADSE muda regras dos óculos: reembolso passa a ter limite anual de 180 euros

 A ADSE vai alterar as regras de reembolso dos óculos, introduzindo um teto anual de 180 euros no regime livre, mantendo a comparticipação de 80%. Deixa assim de haver limites quanto ao número de armações e lentes, que até agora eram definidos por períodos de três anos. As mudanças abrangem também exames e cirurgias, com revisão da tabela de preços da radiologia e da gastroenterologia e inclusão de novos atos, sobretudo TAC e ressonâncias magnéticas, permitindo acesso a técnicas mais avançadas sem aumento dos encargos para os beneficiários, segundo avançou o ECO. As alterações terão um impacto orçamental estimado em 15,4 milhões de euros por ano para a ADSE, sistema de proteção na doença da função pública. A revisão das tabelas de preços abrange cerca de 200 atos médicos e inclui mais de uma centena de novos códigos, sobretudo na área da radiologia, com o objetivo de atualizar os valores de referência e alargar o acesso a cuidados mais diferenciados. ADSE muda regras dos óculos: re...