Avançar para o conteúdo principal

Mais de metade dos estafetas contra regulação laboral mais rígida das plataformas


© Igor Martins / Global Imagens


 Estudo do ISCTE mostra que apenas 10% dos estafetas se dedicam somente a esta atividade; 26% indica ter outro emprego a 'part-time' e a mesma percentagem outro emprego a 'full-time', enquanto 12% tem em outras plataformas e 11% procura emprego.


Mais de metade dos estafetas inquiridos apontam para potenciais efeitos negativos de uma regulação laboral mais rígida das plataformas, segundo um estudo, que mostra que apenas um em cada dez profissionais tem esta como única atividade.


De acordo com um estudo do ISCTE Executive Education sobre o impacto social e laboral das plataformas digitais em Portugal, divulgado hoje, mais de metade dos profissionais desempenham cumulativamente uma atividade remunerada com a colaboração com as plataformas, com 52% dos inquiridos a afirmarem terem outro emprego a part-time ou a full-time.


Segundo o inquérito, apenas 10% se dedicam somente a esta atividade, uma vez que 26% indica ter outro emprego a 'part-time' e a mesma percentagem outro emprego a 'full-time', enquanto 12% tem em outras plataformas e 11% procura emprego. Em menor percentagem, 9% é estudante e 6% é paralelamente cuidador-informal.


Entre os estafetas inquiridos, 87% dizem, no caso de se manterem nesta atividade, preferir fazê-lo num regime de freelancer.


"Uma conclusão que os promotores do estudo acreditam que deve ser tida em conta na discussão pública sobre a regulação laboral dos estafetas, já que esta deve considerar as reais e verdadeiras expectativas destes profissionais", pode ler-se.


Dos 87%, metade quer combinar o regime de freelancer com mais benefícios e proteções sociais e 34% preferem também esta opção mesmo reconhecendo que têm menos benefícios e proteções sociais associados.


"De entre os potenciais efeitos negativos impostos por uma regulação mais rígida, os estafetas indicam a perda de flexibilidade e a redução de rendimentos, que são exatamente as características que dizem mais valorizar no desempenho da sua atividade", vinca o estudo.


No que toca aos benefícios e proteções adicionais que mais valorizariam, destacam-se a maior proteção laboral, como a cobertura de seguro para doença, seguida da maior previsibilidade de rendimentos.


Os inquiridos indicam que o principal motivo que os leva a iniciar a colaboração com as plataformas é a flexibilidade horária (40%), seguindo-se a capacidade de gerar rendimentos adicionais (25%) e a facilidade em entrar e gerar dinheiro (19%).


"Iniciada a sua atividade, 49% confirmam que a flexibilidade laboral é mesmo a característica que mais privilegiam, seguindo-se a capacidade de obter rendimentos superiores aos de outras atividades (17%)", refere o estudo.


Mais de 75% dos estafetas tinham situações profissionais anteriores passíveis de gerar rendimentos, o que segundo as conclusões do estudo, "confirma que estes profissionais encontram nas plataformas digitais de entrega uma solução para obterem rendimento adicional ou superior que não encontrariam de outra forma".


O estudo revela ainda que 87% dos inquiridos afirmam ter melhorado a sua situação económica após terem iniciado a sua colaboração com as plataformas.


Mais de dois terços dos estafetas têm entre 26 e 44 anos, sendo cerca de nove em dez do género masculino e 53% oriundos de países extracomunitários e 45% de nacionalidade portuguesa.


O estudo indica ainda que do total de estafetas estrangeiros (55%), 55% já trabalhava em Portugal e viu nas plataformas digitais de entregas uma alternativa, enquanto os restantes 45% tiveram nas plataformas a sua porta de entrada no mercado laboral nacional.


"Nenhuma atividade laboral é perfeita, mas esta realidade não deve ser ignorada. Existe ainda espaço de melhoria, tal como identificado pelos próprios estafetas no estudo, como maior proteção social. No entanto, essas melhorias devem ser construídas em cima daquilo que efetivamente querem e valorizam - a flexibilidade - e decidido em conjunto com os estafetas e não por eles", assinalam os três operadores, Bolt, Glovo e Uber Eats, numa declaração conjunta.


A amostra final após tratamento foi de 2.057 respostas a estafetas registados nas plataformas, tendo sido as questões colocadas entre 21 de dezembro de 2021 e 3 de janeiro de 2022.


Mais de metade dos estafetas contra regulação laboral mais rígida das plataformas (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Arrendamento. Senhorio pode dar preferência a inquilino português?

  Segundo a DECO PROteste, o "direito à habitação está consagrado na Constituição Portuguesa" e a "lei do arrendamento define que nenhum inquilino pode ser discriminado no acesso ao arrendamento" por este motivo. N ão,  um senhorio não pode dar preferência a inquilino português , porque o direito à habitação está consagrado na Constituição, esclarece a  DECO PROteste .    " Não. O direito à habitação está consagrado na Constituição Portuguesa. A lei do arrendamento define que nenhum inquilino pode ser discriminado no acesso ao arrendamento por motivos de sexo, ascendência ou origem étnica, língua, território de origem, nacionalidade, religião, crença, convicções políticas ou ideológicas, género, orientação sexual, idade ou deficiência ", adianta a organização de defesa do consumidor.  Mais: "Os  anúncios de imóveis para arrendamento não podem conter qualquer restrição, especificação ou preferência baseada em categorias discriminatórias ".  Arrend...

Linhas brancas que os aviões deixam no céu têm consequências graves. E Portugal pode ter um papel importante

 A aviação precisa de acelerar a descarbonização (foto: Freepik) Os rastos de condensação dos aviões, as linhas brancas que deixam no céu, provocam o aquecimento do planeta, mas é possível preveni-los e Portugal pode dar um contributo importante, indica um estudo divulgado hoje. Da responsabilidade da Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), que defende transportes sem emissões e acessíveis, o estudo foi divulgado pela associação portuguesa Zero, que faz parte da T&E. Alertando que os rastos de condensação também são responsáveis pelo aquecimento global, o estudo indica que eles se podem evitar e que tal é essencial para reduzir o impacto climático da aviação. Segundo o documento, o aquecimento causado por rastos de condensação na Europa é sazonal e concentrado no tempo. Em 2019, 75% do aquecimento causado por rastos de condensação ocorreu em voos entre janeiro e março e outubro e dezembro, e 40% em voos ao final da tarde e à noite. A associação Zero diz em comun...

Constância e Caima

  Fomos visitar Luís Vaz de Camões a Constância, ver a foz do Zêzere, e descobrimos que do outro lado do arvoredo estava escondida a Caima, Indústria de Celulose. https://www.youtube.com/watch?v=w4L07iwnI0M&list=PL7htBtEOa_bqy09z5TK-EW_D447F0qH1L&index=16