Avançar para o conteúdo principal

Preço dos fretes pode disparar com bloqueio em Xangai


 © D.R.


 O porto de Xangai, o maior da China, tinha esta semana cerca de 500 navios a aguardar o início das operações de carga e descarga devido à política covid zero do governo chinês. Neste contexto, a relação do preço e prazo dos fretes deverá voltar a disparar, alertam os transitários.


O preço dos fretes poderá disparar nos próximos meses, impulsionado pelo bloqueio verificado nos portos asiáticos, mas ainda assim deverá ser inferior ao nível registado no último trimestre de 2021, indicou a associação dos transitários.


"Agora há outra situação preocupante, que é o que se está a passar nos portos asiáticos, nomeadamente Xangai, que é o maior porto da China, em que [na terça-feira à noite] estavam fundeados cerca de 500 navios para serem operados. É provável que esta relação do preço e do prazo volte, outra vez, a disparar", afirmou o presidente executivo da Associação dos Transitários de Portugal (APAT), António Nabo Martins, em declarações à Lusa.


O bloqueio nos portos asiáticos decorre há cerca de duas semanas, potenciando um aumento do prazo do transporte e dos preços, uma vez que "vamos continuar a ter procura, mas não há oferta", explicou.


Ainda assim, os acréscimos deverão ser inferiores aos registados no último trimestre do ano passado, durante a pandemia de covid-19, altura em que se registaram subidas que chegaram a ultrapassar os 1.000%.


O presidente executivo da APAT não antecipou a percentagem das subidas, sublinhando que o bloqueio "é muito recente", devendo-se à política de covid zero, adotada pela China.


"Aqui já temos que avaliar não apenas o transporte ou o frete marítimo, mas a cadeia logística que está envolvida [...]. Deverá ser um aumento da cadeia de transportes generalizado e não apenas de uma parte desta cadeia", referiu.


António Nabo Martins lembrou que, entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, os preços dos fretes começaram a regredir, tendo estabilizado, na casa dos 10.000 dólares (cerca de 9.500 euros), muito acima dos valores habituais.


Em abril, perante a escalada energética, o valor dos fretes voltou a aumentar ligeiramente, embora tenha variado consoante o armador.


"Alguns aumentaram de forma residual e apenas o que consideraram ser a taxa dos combustíveis, outros aumentaram mais e outros praticamente nada. Não foi um aumento médio, mas houve companhias que aumentaram entre 5% e 10%", adiantou.


De acordo com a associação, o setor tem lidado com estes aumentos "com muita dificuldade", tendo procurado soluções alternativas ao transporte marítimo, que representa entre 80% a 85% do transporte de bens para Portugal, Europa e América.


As ligações ferroviárias entre a China e a Europa começaram a ser consideradas, mas, perante a guerra na Ucrânia, alguns corredores foram cancelados e as mercadorias foram transitadas pelo modo aéreo, encarecendo o valor.


"Estes métodos alternativos são mais caros e o setor [...] tem tentado optar pela melhor forma, sendo que os preços são sempre mais altos e repercutidos no preço final", apontou.


Preço dos fretes pode disparar com bloqueio em Xangai (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Diarreia legislativa

© DR  As mais de 150 alterações ao Código do Trabalho, no âmbito da Agenda para o Trabalho Digno, foram aprovadas esta sexta-feira pelo Parlamento, em votação final. O texto global apenas contou com os votos favoráveis da maioria absoluta socialista. PCP, BE e IL votaram contra, PSD, Chega, Livre e PAN abstiveram-se. Esta diarréia legislativa não só "passaram ao lado da concertação Social", como também "terão um profundo impacto negativo na competitividade das empresas nacionais, caso venham a ser implementadas Patrões vão falar com Marcelo para travar Agenda para o Trabalho Digno (dinheirovivo.pt)

BEN, o e-car português, já pode ser conduzido na Europa

  O novo e-car português BEN está já apto a ser conduzido em toda a Europa. O certificado de homologação da União Europeia já foi atribuído e em 2026 deverá começar a produção em larga escala. Está a chegar um novo e-car criado em Portugal . É o  BEN , desenvolvido no Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), que esta quinta-feira (18 de dezembro)  recebeu o certificado de homologação da União Europeia  - ou seja, na prática, já pode ser conduzido na Europa.   O modelo, de pequenas dimensões,  deverá entrar em produção em larga escala já no próximo ano , não só em Portugal, como também na Europa. Com um preço projetado de 8.000 euros , segundo um comunicado, decorrem negociações para que  em 2030 sejam fabricadas 20 mil unidades por ano  "de forma descentralizada". Trata-se de um e-car acessível, que é também o primeiro do género com contador de emissões de dióxido de carbono evitadas. A tecnologia AYR permite-lhe compensar as emissões origi...

Justiça dos EUA valida taxa de 100 mil dólares a vistos de trabalhadores qualificados

Uma juíza federal dos Estados Unidos autorizou na terça-feira a Administração Trump a aplicar uma taxa de 100 mil dólares a vistos de trabalho muito utilizados na área tecnológica, num duro golpe para o setor.  O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou em setembro a medida relativa aos vistos H-1B, que permitem que trabalhadores estrangeiros com qualificações específicas (cientistas, engenheiros e programadores de computador, entre outros) possam trabalhar nos Estados Unidos. Desde o seu primeiro mandato, o chefe de Estado republicano manifestou a vontade de limitar estes vistos, a fim de dar prioridade aos trabalhadores norte-americanos. A medida provocou uma onda de protestos nos setores que os utilizam amplamente, nomeadamente na tecnologia, mas também em países fortemente afetados, como a Índia. A Câmara de Comércio dos Estados Unidos recorreu à justiça, ao lado da Associação das Universidades Americanas (AAU), considerando, nomeadamente, que a decisão não era da com...