Avançar para o conteúdo principal

As primeiras 131 casas de renda acessível prontas em três anos

Vão ser apartamentos T0, T1 e T2 no centro da capital com rendas entre 100 e 350 euros

São 131 os apartamentos na Rua de São Lázaro (Martim Moniz) que dentro de três anos estarão prontos a habitar ao abrigo do Programa Renda Acessível da Câmara Municipal de Lisboa. Em causas estão 16 edifícios municipais, "que serão divididos em tipologias T0, T1 e T2, com rendas entre 100 e 350 euros", segundo informou a autarquia.

A adjudicação da obra - há habitações construídas e requalificadas - foi dada uma empresa privada, a Brightempathy, Lda, que ganhou o concurso público, entre um conjunto de quatro propostas apresentadas. O valor do investimento inicial é de 12 milhões de euros.

"Esta empresa tem um prazo máximo de 36 meses para projetar e construir as novas habitações", é referido na nota da CML.

Apresentado a 06 de abril de 2016, o programa de rendas acessíveis prevê parcerias do município com o setor privado: enquanto o primeiro disponibiliza terrenos e edifícios que são sua propriedade, ao segundo caberá construir ou reabilitar. O investimento municipal total será de cerca de 400 milhões de euros, em património imobiliário municipal.

A nota refere que as rendas para este programa "são aprovadas e fixadas pela Câmara em cada operação" e que "as habitações serão atribuídas pelo método de sorteio, como está definido no programa debatido e aprovado pelos órgãos do município".

"À medida que as obras de reabilitação ou de construção se estiverem a concluir, abrem os concursos para as famílias se candidatarem às localizações da sua preferência e aos fogos que considerem mais adequados", esclarece o município.

A Câmara Municipal de Lisboa tem já em curso uma série de iniciativas para dar resposta a moradores que não têm capacidade económica para as novas rendas que estão a surgir na cidade, como o Programa Renda Acessível (PRA), o Programa Renda Convencionada, com valores de aluguer muito abaixo dos que estão a ser praticados. Em andamento está também o concurso "Habitar o Centro Histórico", que prevê a atribuição de 100 fogos municipais, localizados nas freguesias da Misericórdia, Santa Maria Maior, Santo António e São Vicente, no regime de arrendamento apoiado. Destina-se a arrendatários residentes nestas freguesias em comprovado risco de perda de habitação ou em situações em que esta já tenha ocorrido, por motivos imputáveis ao senhorio.

Projetado está igualmente o protocolo com a Segurança Social para destinar o património desta entidade na capital ao arrendamento acessível, com valores entre 150 e 600 euros, tanto em apartamentos como em quartos para estudantes.

São as soluções encontradas por Fernando Medina para tentar combater o problema crescente da falta de habitação na capital perante a pressão do mercado de arrendamento em Lisboa.

Bloco quer mais

Ricardo Robles, vereador do BE com o pelouro da Educação, Saúde, Direitos Sociais e Cidadani, entende que é preciso fazer mais ainda. "Precisamos de ter investimento público. O município tem de ter uma palavra a dizer em alguns casos e o investimento pode ser feito a partir do direito de preferência. Havendo inquilinos, quem transaciona tem de comunicar à Câmara o direito de preferência".

Segundo adiantou o vereador, existem seis mil fogos disponíveis no PRA e mais 3000 de investimento público do município que decorre do acordo entre o Bloco de Esquerda e o PS. "É uma resposta que não garantirá solução de habitação para todos mas também tem de haver alternativas criadas pelo Estado. O Estado tem que dar uma resposta nesta área". Afinal, como lembrou, "o direito à habitação está na Constituição".

E os "problemas são muitos" diz, Ricardo Robles, que vai receber amanhã vários moradores de prédios Fidelidade que estão a receber cartas de não renovação dos contratos de arrendamento, não só na cidade de Lisboa como em Loures. São mais dezenas de casos a somar a outros tantos de inquilinos a serem despejados na capital no que já se tornou um "problema grave de habitação" como o sintetizou.

https://www.dn.pt/portugal/interior/as-primeiras-131-casas-de-renda-acessivel-prontas-num-ano-e-meio-9272896.html

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Open Cosmos capta 300 milhões e “vai acelerar investimento em Portugal”

 Empresa britânica tem 50 milhões para investir em Portugal, onde pretende duplicar a equipa de 50 para 100 pessoas. Com este novo financiamento, esse plano vai "acelerar". A britânica Open Cosmos fechou uma ronda de 300 milhões de euros para acelerar a ligação a partir do Espaço. Portugal é “uma das quatro localizações core” da empresa, mercado onde tem previsto um investimento de 50 milhões. “Este financiamento vai apenas acelerar este investimento”, diz fonte oficial ao ECO/eRadar. “Portugal é uma das quatro localizações core da Open Cosmos. Tal como anunciámos anteriormente, a equipa em Portugal é constituída por 50 pessoas, e planeamos dobrar a equipa e investir 50 milhões no país”, adianta a mesma fonte. Com quatro fábricas no Reino Unido, Grécia, Espanha e Portugal, com 400 trabalhadores, e capacidade para fabricar um satélite por dia, a empresa tem vindo a lançar uma nova geração de satélites para a OpenConstellation, procurando reduzir o tempo de entrega de produtos ...

Energia nas rochas: será o subsolo a bateria de que precisamos para a transição energética?

Direitos de autor AP Photo/Ross D. Franklin Um estudo de investigadores portugueses analisou diferentes possibilidades de armazenamento de energia com ar comprimido em rochas porosas em profundidade. No melhor cenário, um reservatório poderia armazenar energia suficiente para o consumo de uma pequena cidade. Armazenar energia no subsolo: parece ficção científica mas é uma prática que não é propriamente nova no contexto da investigação geológica. Conhecida desde a década de 70 do século passado com as primeiras experiências em cavernas de sal na Alemanha, o processo representa um mundo de possibilidades no campo da energia renovável e da necessidade de armazenamento que este acarreta. "Um dos problemas que existe com a transição energética é a existência de uma maior disponibilidade de energia de fontes renováveis, que não é possível ser armazenada", explica à Euronews Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisb...