Avançar para o conteúdo principal

Censurar a cultura? Livros da escritora de "Os Cinco" e "Noddy" estão a ser escondidos nas bibliotecas


GEORGE KONIG/GETTY IMAGES


As obras de Enid Blyton, uma das autoras mais conhecidas, estão a ser reescritas. Nas bibliotecas públicas, as versões originais estão armazenadas em locais não acessíveis. Esta decisão trouxe a público uma questão relevante.

Enid Blyton é uma das autoras de livros infantis mais queridas do Reino Unido, cujas obras estão entre as mais traduzidas do mundo. Porém, o legado deixado pela escritora, que faleceu em 1968, não está a ser visto com bons olhos por estar a ser “reescrito”.

As obras de qualquer autor são autênticas provas da história da Humanidade. São também provas do passado, das vivências e das mentalidades da sociedade de então.

Não é possível reescrever o passado, mas aparentemente é possível reescrever obras passadas. E o que está a acontecer com os livros de Enid Blyton é apontado como “censura”.

De uma coleção de mais de 700 livros escritos pela escritora britânica, vários clássicos estão a ser mantidos em sigilo nas bibliotecas por “medo de ofender os leitores” no Reino Unido, informa The Telegraph.

Em contrapartida, as bibliotecas públicas de Denver, na Inglaterra, oferecem “versões atuais” das obras mais vendidas de Blyton.

Em causa, indica o jornal Daily Mailestá uma “linguagem desatualizada e ofensiva” utilizada nas obras. Mais precisamente, a escritora que nasceu em 1897 recorreu a termos como “queer”, “gay”, “castanho” em referência à cor da pele de uma personagem, e a expressão “cala a boca”.

As versões originais que ainda estão listadas no site não foram removidas, mas sim armazenadas em espaços não acessíveis ao público. Mas se os leitores quiserem ter acesso às originais, terão de as solicitar especificamente aos bibliotecários.

Estas alterações foram reveladas nos documentos do Conselho do Condado de Devon. A Library Unlimitedque administra o serviço de biblioteca do município, audita regularmente os livros e posteriormente substitui-os por “versões atuais”.

"Nos livros que tenham linguagem que seja cada vez mais datada", afirmou a Libraries Unlimited. Dando o exemplo das obras de Enid Blyton, "as bibliotecas continuarão a adquirir novas edições onde as editoras tenham atualizado a linguagem".

Decisão está a provocar onda de indignação

A livraria Belfast Books promoveu os livros infantis e juvenis de Blyton ao escrever “a maioria são originais de um tempo antes de os ‘leitores sensíveis’ nos dizerem o que poderíamos ou não poderíamos ler”.

Os fãs da escritora britânica seguiram o exemplo e partilharam nas redes sociais fotografias de livros de Enid Blyton empilhados nas prateleiras das suas casas, numa clara manifestação de solidariedade.

"Os livros de Enid Blyton estão orgulhosamente exibidos na minha estante inferior, não podemos reescrever ou relegar a história, ela está escrita", escreveu uma leitora.

A organização britânica que defende a liberdade de expressão, intitulada Free Speech Union, denuncia que “Enid Blyton é a mais recente autora infantil cujo trabalho foi ‘modernizado’ por leitores de ouvidos atentos”.

A instituição de caridade English Heritage atualizou as informações sobre Enid Blyton, informa o The Washington Post.

“O trabalho de Blyton foi criticado durante a sua vida e depois pelo racismo, xenofobia e a falta de mérito literário”, lê-se no site, citando uma reportagem de 1996 do The Guardian que explora o livro “The Little Black Doll”, cuja personagem “Sambo” apenas é aceite quando a sua “cara preta feia” é “limpa” pela chuva.

No ano passado, a autora de livros infantis, Jacqueline Wilson, reformulou a obra “The Magic Faraway Tree”, de 1943. Em causa estava uma narrativa sexista de como mulheres fazerem trabalho doméstico. 


Censurar a cultura? Livros da escritora de "Os Cinco" e "Noddy" estão a ser escondidos nas bibliotecas - SIC Notícias (sicnoticias.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Diarreia legislativa

© DR  As mais de 150 alterações ao Código do Trabalho, no âmbito da Agenda para o Trabalho Digno, foram aprovadas esta sexta-feira pelo Parlamento, em votação final. O texto global apenas contou com os votos favoráveis da maioria absoluta socialista. PCP, BE e IL votaram contra, PSD, Chega, Livre e PAN abstiveram-se. Esta diarréia legislativa não só "passaram ao lado da concertação Social", como também "terão um profundo impacto negativo na competitividade das empresas nacionais, caso venham a ser implementadas Patrões vão falar com Marcelo para travar Agenda para o Trabalho Digno (dinheirovivo.pt)

Edmundo González deve assumir presidência "de imediato", diz Nóbel da Paz, María Corina

© Ole Berg-Rusten / NTB / AFP via Getty Images  A líder da oposição na Venezuela e Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, defendeu hoje que o antigo candidato opositor Edmundo González Urrutia deverá "assumir de imediato" o mandato presidencial, após os Estados Unidos terem capturado o líder venezuelano, Nicolás Maduro. "Esta é a hora dos cidadãos. Os que arriscaram tudo pela democracia no 28 de julho [de 2024]. Os que elegemos Edmundo González Urrutia como legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir de imediato o seu mandato constitucional e ser reconhecido como comandante supremo das Forças Armdas nacionais", afirmou María Corina, distinguida com o Nobel da Paz 2025, num comunicado divulgado nas redes sociais.   "Hoje estamos preparados para fazer valer o nosso mandato e tomar o poder", disse, numa alusão às eleições presidenciais de 28 de julho de 2024, nas quais Maduro foi reeleito para um terceiro mandato, apesar de a oposição reclamar a vi...

Bulgária torna-se 21.º país a aderir ao euro

Foto: Dado Ruvic- Reuters  Zona Euro tem na Bulgária o seu vigésimo primeiro membro. Trata-se, diz o BCE, de "um marco" para este país que entrou na União Europeia em 2007. A Bulgária torna-se hoje no 21.º país membro da zona euro, com a adoção oficial da moeda única, um marco histórico contestado pela população e que ocorre numa altura em que o país enfrenta instabilidade política. Até agora, a zona euro era composta por 20 países, que utilizam o euro como moeda oficial e participam nas decisões comuns de política monetária através do Banco Central Europeu (BCE), mas, com a entrada hoje concretizada da Bulgária, a moeda única passa a ser usada por 21 Estados-membros. Enquanto para a zona euro a entrada da Bulgária amplia o mercado interno, fortalece a estabilidade regional e envia um sinal de coesão comunitária num contexto geopolítico turbulento, para Sófia abandonar o lev búlgaro significa passar a participar diretamente nas decisões do BCE e integrar plenamente os mecanis...