Avançar para o conteúdo principal

Como a Inteligência Artificial pode revolucionar a cobrança de dívidas



 A Skit.ai, baseada em Nova Iorque e Bangalore, propõe empregar um sistema de Inteligência Artificial que pode ser usado por agentes humanos em todas as fases do processo de cobrança de dívidas. A utilização da tecnologia permite “escalabilidade instantânea” através da “automação ponto-a-ponto”, o que promete conduzir a aumentos de produtividade e redução de custos.


Numa altura em que os sistemas de IA generativa e de aprendizagem de máquina estão em franco desenvolvimento e a incerteza económica leva a um aumento do endividamento, este tipo de soluções pode vir a ser cada vez mais apreciado pelas empresas de cobranças. De um ponto de vista social, no entanto, ter robôs a fazer este tipo de chamadas, para pessoas que possam estar já a passar por dificuldades, pode colocar-nos mais próximos de um cenário distopiano.


Nos EUA, a cobrança coerciva de dívidas incide principalmente sobre as comunidades de negros e há estudos que mostram que comportamentos predatórios das empresas e os juros elevados contribuem para uma armadilha do qual as pessoas dificilmente conseguem sair.


Também a SmartAction oferece um produto de IA conversacional que promete “aliviar o sentimento negativo que os clientes possam ter por estar a falar com outro ser humano durante um processo desconfortável”. Por outro lado, a Latitude descreve que “resolve falhas na funcionalidade enquanto reduz a pressão nos agentes e aumenta as taxas de recuperação”, cita o Motherboard. O Katabat fornece “uma solução completa omnicanal, verdadeira aprendizagem de máquina” e um “motor de estratégia de cobrança poderoso”. Por fim, a TrueAccord afirma ter uma “plataforma líder da indústria para recuperação e cobrança, alimentada por aprendizagem de máquina e uma experiência digital amigável para o consumidor”.


Timnit Gebru, fundadora do Distributed AI Research Institute, escreve que a utilização de IA neste contexto é “castigador para quem já está em dificuldades”. “Num tempo em que a disparidade entre receitas está a bater recordes, quando devíamos estar a reduzir coisas como a dívida estudantil, estamos mesmo a construir ferramentas para colocar mais pressão naqueles que estão em dificuldades?”, salientando as discriminações que os modelos de aprendizagem têm, incluindo a perpetuação de estereótipos.


Nos EUA, os organismos reguladores mantêm-se atentos à situação e afirmam que, independentemente das ferramentas utilizadas, esperam que todos os agentes de cobranças de dívidas compactuem com os regulamentos em vigor.


Exame Informática | Como a Inteligência Artificial pode revolucionar a cobrança de dívidas (sapo.pt)



Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Carrinhos inteligentes são o futuro, mas fazem-nos gastar mais dinheiro no supermercado

  Os carrinhos de compras equipados com ecrãs e Inteligência Artificial (IA) ainda não são a norma em Portugal, mas já não são apenas ficção científica. Na verdade, um novo estudo concluiu que estão a mudar a forma como enchemos os cestos. Conduzida pela Bayes Business School, a investigação analisou 12.418 sessões de compras ao longo de um mês numa conhecida cadeia de supermercados alemã. Destas, cerca de 76% foram feitas com recurso a carrinhos inteligentes , equipados com tablets no guiador que permitem o seguinte: Digitalizar listas de compras; Receber recomendações personalizadas; Navegar pela loja; Pagar sem passar pela caixa. Os números mostram que quem usa estes carrinhos gasta, em média, mais 32% do que quem faz compras à moda antiga. A diferença é ainda mais notória ao fim de semana e durante a tarde , alturas em que os consumidores parecem mais recetivos às sugestões do ecrã. Em 2022, a Amazon lançou carrinhos de compras inteligentes em algumas lojas da Whole Foods. ...

Escola de aviação sem aviões nem pilotos: ANAC suspende Lusofly Academy de Bragança

 A ANAC travou a fundo a operação da Lusofly Academy. O regulador da aviação civil ordenou a suspensão total da atividade da escola de aviação de Bragança, deixando a empresa com um prazo limite de seis meses para corrigir falhas graves, sob pena de ver o certificado aeronáutico cancelado de forma definitiva, noticiou esta segunda-feira, 31 de agosto, a agência Lusa. A decisão do conselho de administração da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), tomada a 20 de agosto, resulta de uma apertada lupa colocada sobre a escola que operava a partir do Aeródromo Municipal de Bragança desde 2022. Na prática, a suspensão é absoluta: a Lusofly fica proibida de avançar com qualquer formação teórica, prática, instrução de voo ou sessões em simulador, informou a ANAC em resposta à Lusa. O retrato do colapso: 70 mil euros e zero pilotos O escândalo em torno da Lusofly rebentou no verão passado, quando se soube, através de fontes do meio aeronáutico, que a instituição – apesar de ter cobrado...