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Banco de Portugal alerta para queda dos preços das casas como risco para a economia


O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno © TIAGO PETINGA/LUSA


 O supervisor da banca alerta ainda para a queda dos rendimentos das famílias. Mas afasta uma subida preocupante do incumprimento do crédito à habitação. E avisa que os fundos europeus devem ter uma aplicação "eficiente".


por Sara Ribeiro:


O Banco de Portugal (BdP) aponta a redução dos preços no mercado imobiliário residencial como um dos riscos para a estabilidade financeira. Este risco, "decorrente de alterações nas condições de financiamento", é destacado numa altura em que as taxas de juros têm aumentado depois de vários anos em terreno negativo.


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Outro dos seis principais riscos para a estabilidade nacional, divulgados esta sexta-feira pelo supervisor, prende-se com a redução do rendimento disponível das famílias devido à inflação. No entanto, o governador do BdP afasta uma subida preocupante do incumprimento do crédito à habitação.


"As questões de incumprimento do crédito à habitação estão muito relacionadas com o mercado de trabalho", começou por explicar Mário Centeno durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira, relativo a Junho de 2022.. Tendo em conta que o mercado de trabalho tem "demonstrado capacidade e resiliência em Portugal e não só, que poucos antecipavam", o governador do BdP não antecipa uma subida preocupante do incumprimento do crédito à habitação.


Outro dos riscos destacados pelo BdP é o aumento da probabilidade de incumprimento das empresas, "refletindo o efeito conjunto da vulnerabilidade financeira de algumas empresas, da recuperação incompleta da atividade e da rendibilidade de alguns setores no pós-pandemia, bem como o enquadramento macroeconómico e financeiro atual", segundo o relatório de estabilidade financeira apresentando esta sexta-feira pelo supervisor.


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A entidade liderada por Mário Centeno destaca ainda que nos próximos anos, o aumento das taxas de juro deverá traduzir-se numa melhoria da margem financeira dos bancos e num aumento do reconhecimento de imparidades e de perdas potenciais decorrentes da desvalorização dos títulos de dívida a justo valor. "O impacto de cada um destes fatores é condicionado pela evolução da atividade económica e diferenciado conforme o horizonte temporal", sublinha.


O rácio de dívida das administrações públicas em percentagem do PIB não prosseguir a trajetória de redução prevista, derivado da incerteza sobre a atividade económica e do aumento dos custos de financiamento é outro dos riscos destacados.


No que toca à divida soberana, o BdP refere que poderá haver um aumento dos prémios de risco. Como explica no relatório, um dos riscos para a estabilidade financeira prende-se com "uma reavaliação adicional dos prémios de risco, não obstante a correção já ocorrida, podendo interagir com as vulnerabilidades acumuladas durante a pandemia e reduzir o preço dos ativos, com impacto no sistema financeiro, sobretudo na valorização de carteiras". Para impedir uma fragmentação entre países, na semana passada o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que vai criar um instrumento "anti-fragmentação" nos mercados de dívida, depois de países como Itália e Espanha verem os prémios de risco dispararem nos últimos dias, comparativamente à Alemanha.


Olhando a longo prazo, o supervisor da banca alerta que outros desafios poderão afetar de forma transversal e estrutural a economia, com implicações sobre o crescimento económico e a inflação. "A materialidade desses desafios - incluindo o abrandamento do comércio internacional, a pressão nos mercados da energia e o aumento da digitalização da economia - requererá aos setores institucionais residentes um esforço de investimento significativo". Além disso, "a capacidade dos bancos para gerar capital, a margem de manobra da política orçamental e o endividamento e o serviço de dívida do setor privado não financeiro constituem vulnerabilidades que limitam as decisões de investimento".


Por estes motivos, a entidade liderada por Centeno considera que "ganha uma importância acrescida uma utilização eficiente dos fundos europeus do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR)". "A política macroprudencial deve ter em conta os desafios colocados à estabilidade financeira, as vulnerabilidades de caráter estrutural e a origem do risco sistémico, destacando-se, nos últimos meses, o ajustamento à recomendação relativa aos novos créditos ao consumo e à habitação, fazendo depender a maturidade máxima das novas operações de crédito à habitação da idade dos mutuários".


Banco de Portugal alerta para queda dos preços das casas como risco para a economia (dinheirovivo.pt)


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