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Carros incendiados. Os clássicos de luxo que desapareceram no mar


@ Força Aérea Portuguesa


 “Enorme dor de cabeça para o fabricante”. É desta forma que o secretário-geral da ACAP vê a destruição de quase quatro mil carros, a sua grande maioria era de luxo.


O incêndio do navio Felicity Ace provocou a par dos prejuízos ainda mais atrasos na entrega dos veículos, numa altura, em que a crise automóvel depara-se com uma grave crise de componentes. Esta é a fatura a pagar pelo grupo Volkswagen, depois do incêndio do navio Felicity Ace, que deflagrou o largo do Faial, nos Açores que transportava da Alemanha para os EUA cerca de quatro mil carros, incluindo 1100 Porsches, 189 Bentleys e 21 Lamborghini. No navio ainda estavam outras marcas como a Audi, Bugatti e VW.


“Trata-se de um prejuízo enorme. Assistimos a uma perda total destes veículos e a par das perdas financeiras este incidente ocorre, numa altura, em que o mercado enfrenta uma grave escassez de semicondutores e em que a atual produção está limitada face à fraca oferta de matérias-primas”, acrescentando ainda que estes carros já estavam produzidos, tinham um mercado de destino, o que cria uma enorme dor de cabeça ao seu fabricante”, diz ao i, Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP.


Uma questão que ganha ainda maiores contornos quando estamos a falar que a grande maioria dos veículos eram do segmento de luxo. “Tudo isto vem criar um problema ainda maior na oferta de um mercado que já está a ser muito afetado”, garante o responsável.


Para já, o grupo Volkswagen não quer prestar informações sobre eventuais consequências que o incidente poderá trazer aos clientes ou para a empresa.


Recorde-se que foi na quarta-feira que o Felicity Ace, um cargueiro de transporte de automóveis, se incendiou a cerca de 90 milhas (perto de 170 quilómetros) a sudoeste da ilha do Faial, nos Açores.


A embarcação com bandeira do Panamá fazia a ligação entre a Alemanha (Emden) e os EUA (Rhode Island) quando emitiu um sinal de alerta, pedindo auxílio devido a um incêndio no porão de carga.


O incêndio diminuiu de intensidade nas últimas horas e agora as autoridades ponderam permitir a ida a bordo dos técnicos de uma empresa holandesa para que se deem início aos procedimentos necessários ao reboque do navio, que poderá regressar à Europa, de onde tinha partido para uma travessia do Atlântico, ou seguir até às Bahamas.


Os 22 tripulantes que estavam a bordo da embarcação foram resgatados pela Força Aérea Portuguesa no mesmo dia em que o incêndio deflagrou e, agora, alem de todos os prejuízos inerentes, preocupa ainda a poluição.


Os maiores penalizados por este incêndio poderão ser as seguradoras. O valor a ser indemnizado depende do contrato que é feito com o fabricante, mas ao que o i apurou, a maioria destes contratos são feitos com base no termo custo, seguro e frete (cost, insurance and freight – CIF). Ou seja, o vendedor entrega os seus bens contratuais quando estes bens passam a linha de embarque no porto. Isto significa que o vendedor paga as despesas e o frete necessários para o transporte dos bens ao porto de destino. Os riscos de perda ou danos dos bens, assim como qualquer despesa adicional devido a eventos que ocorram após o momento de entrega, são transferidos do vendedor para o comprador. 


De acordo com as contas do portal Reinsurance News estamos a falar de um custo na ordem dos 500 milhões de dólares (mais de 440 milhões de euros) à indústria de (re)seguro, tendo como base os cálculos da Skytek, tecnológica irlandesa que é consultora em sinistros marítimos.


A título de exemplo, os Bentley em Portugal podem ir até aos 400 mil euros – um Bentley Bentayga, bem mais barato, pode ser comprado a partir dos 176 mil euros. Valores de centenas de milhares de euros que não variam muito dos Porsches no mercado nacional: um Porsche no modelo 718 Cayman pode custar 74 mil euros, sendo dos modelos mais baratos. Mas se optar por algo mais clássico, como o 911 Edition 50 Years Porsche Design já terá de desembolsar, pelo menos 228 mil euros.


Outros episódios Este não é um caso isolado. Na mesma semana que ocorreu o incêndio com o Felicity Ace deflagrou um outro no Euroferry Olympia, de bandeira italiana, ao navegar de Igoumenitsa, na Grécia, para Brindisi, em Itália, com cerca de 300 pessoas a bordo: 240 passageiros e mais de 50 elementos de tripulação, bem como mais de 150 camiões e reboques e 32 veículos de passageiros.


Visão geral do mercado O mercado global de carros de luxo foi avaliado em cerca de 410 mil milhões de dólares (mais de 61 mil milhões de euros) em 2020 e prevê-se que cresça para os 566 mil milhões de dólares (quase 500 mil milhões de euros) até 2026.


A pandemia teve um efeito negativo no mercado de carros de luxo com as vendas e a produção a sofrerem uma quebra em 2020. A somar há isso há que contar com o poder compra de muitos dos cidadãos. apesar de o mercado ter começado a ganhar novamente impulso. Segundo a imprensa internacional, espera-se um crescimento significativo de ofertas de luxo tangíveis em veículos, a par de mudança das preferências dos consumidores e que passam de carros utilitários para SUVs.


No entanto, existem alguns fatores de risco que podem travar este crescimento do mercado de carros de luxo, como é o caso do aumento das tarifas de importação. Por exemplo, espera-se que o Presidente dos EUA, Joe Biden, aumente as tarifas de importação de carros de luxo provenientes da Alemanha. A BMW e outros fabricantes alemães de carros de luxo podem ter de enfrentar uma taxa de importação de 35% para carros não fabricados no território americano. 


E por países? Comprar um carro de luxo não está, claro, ao alcance de qualquer um. Segundo a Car Insurance, o país do mundo mais caro para comprar um carro de luxo é Israel onde um novo Range Rover custa cerca de 368 mil dólares (aproximadamente 325 mil euros). Já o Mercedes Benz Classe S não fica muito atrás, a serem pedidos quase 336 mil dólares (296 mil euros).


Estes preços elevados resumem-se basicamente a impostos, com os israelitas a pagar cerca de 80% do valor do veículo em imposto de compra, a que se junta o IVA e, muitas vezes, taxas de importação.


Segue-se a Dinamarca onde o mesmo Mercedes custa 281 mil dólares (perto de 248 mil euros). Mais uma vez, os impostos são os grandes causadores destes preços elevados, apesar de a Dinamarca ser conhecida pelo seu custo de vida elevado.


A fechar o top3 está a Finlândia onde o Mercedes Benz Classe S tem o valor de 186 mil dólares (cerca de 164 mil euros).

Para surpresa de muitos, o país mais barato – dos analisados – para comprar um carro de luxo é, na verdade, os Estados Unidos. O mesmo modelo custa pouco mais de 94 mil dólares, o equivalente a perto de 83 mil euros.


Por curiosidade, em Portugal, o Mercedes Benz Classe S custa perto de 143 mil euros.


https://ionline.sapo.pt/artigo/763123/carros-incendiados-os-classicos-de-luxo-que-desapareceram-no-mar-?seccao=Dinheiro_i

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