Avançar para o conteúdo principal

Nove em cada dez empresas estão pelo alívio do IRS em 2022


© António Pedro Santos / Global Imagens


 Mais que alterações no IRC ou no IVA, redução no imposto sobre os rendimentos das famílias são vistas como tendo o maior impacto para relançar economia, segundo inquérito da EY.


É para alterações no IRC e no IVA que apontam as grandes propostas do setor empresarial apresentadas até aqui ao governo para inclusão na proposta do Orçamento do Estado de 2022. Mas mesmo para os negócios, as medidas de maior impacto para o conjunto da economia serão, ainda assim, as que promovam alívio do IRS, apontam os resultados de um inquérito da consultora EY.


Nove em cada dez empresas entendem que as alterações do menu fiscal mais relevantes para apoiar famílias e negócios na resposta à pandemia serão as que tiverem lugar em sede de IRS, segundo o estudo de opinião que obteve, em setembro, 72 respostas entre clientes de serviços de fiscalidade da consultora, tendo mais de metade das respostas origem em grandes empresas.


Dentro do que o governo poderá mudar em sede de IRS, a redução de taxas de imposto e o aumento dos limites de dedução à coleta por despesas gerais e de saúde acrescidas devido à covid-19 surgem como mais importantes do que a revisão de escalões que está a ser preparada pelo governo, sendo consideradas relevantes por uma percentagem maior de inquiridos.


Praticamente sete em cada dez defendem a redução de taxas no IRS, com um universo menor - a rondar os seis em cada dez - pela mudança nos intervalos de rendimento aos quais se aplicam as taxas progressivas. A revisão das tabelas de retenção na fonte, que asseguraria um impacto mais imediato de qualquer medida de alívio, só surge depois. É prioridade para cerca de metade dos que responderam ao inquérito.


Nove em cada dez empresas estão pelo alívio do IRS em 2022:

 © Infografia: Pedro Panarra


Ainda defendidas por uma maioria de inquiridos, as mexidas no IRC e no IVA são vistas como importantes apenas por seis em cada dez, e o número cai para três em cada dez no que toca a dar prioridade a mudanças nas contribuições pagas à Segurança Social, catálogo de benefícios fiscais existente, impostos especiais de consumo ou IMI.


No que toca a IRC, a redução das taxas de tributação autónoma e das taxas da derrama estadual cobrada aos grande lucros são prioritárias, sendo defendidas por seis em cada dez inquiridos. Já no IVA, a preocupação maior está nos custos da eletricidade, que têm vindo a subir. Três quartos dos inquiridos defendem que o governo deve estender a aplicação da taxa intermédia de IVA para a eletricidade a todos os escalões de consumo.


Menos consensual é a redução do IVA para 6% na hotelaria e restauração, prioridade para apenas quatro em cada dez inquiridos.


Mas, antes de mudanças para IVA e IRC e logo após mexidas no IRS, surge a preocupação com situações de tributação excessiva pela coexistência de imposto, taxas e contribuições. E, aqui, são exemplo casos em que o IVA se aplica sobre taxas e outros impostos na aquisição de bens e serviços. Como sucede com os combustíveis. São sete em cada dez os inquiridos da EY que acham que o governo deve eliminar estas situações de "imposto sobre imposto".


A avaliação do sistema fiscal nacional pelos cliente da EY é negativa e desce mesmo face há um ano. Recebe apenas 2,02 pontos entre cinco possíveis.

De resto, a carga fiscal - de 34,8% do PIB em 2020 - recebe uma das pontuações mais baixas na avaliação do sistema fiscal nacional, logo a seguir ao acesso e celeridade do sistema de justiça fiscal. Ambas as pontuações pioram face aos resultados de estudo semelhante da EY produzido há um ano, não indo além de 1,68 pontos e 1,46 pontos em cinco, respetivamente.


A estabilidade do sistema fiscal é o único aspeto onde as pontuações melhoram face à avaliação feita antes da apresentação do Orçamento do Estado de 2021, chegando ainda assim apenas a 2,1 pontos em cinco possíveis. Os inquiridos avaliam apenas como ligeiramente mais positivos os incentivos fiscais à inovação (2,71 pontos) e a qualidade da interação com a Autoridade Tributária (2,51 pontos), mas também com avaliações em queda face há um ano.


Globalmente, a avaliação dos clientes da EY quanto ao sistema fiscal nacional mantém-se negativa, e cai mesmo relativamente aos resultados apurados pela consultora em 2020. De 2,15 para 2,02 pontos entre cinco possíveis.


Maria Caetano

https://www.dinheirovivo.pt/economia/nove-em-cada-dez-empresas-estao-pelo-alivio-do-irs-em-2022-14174412.html

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Depois dos mercados, Portugal passa Espanha também no rating

 Portugal está pela primeira vez acima de Espanha para uma das principais agências de rating mundiais. Há anos que a dívida pública e os juros cobrados no mercado já eram mais baixos em Portugal. Pela primeira vez desde pelo menos 2010, uma das três principais agências de notação financeira do mundo passou, esta sexta-feira, a atribuir a Portugal um rating superior ao da Espanha. Um reconhecimento que surge agora, depois de há já vários anos Portugal não só apresentar dados orçamentais mais favoráveis que a Espanha, como também beneficiar de taxas de juro mais baixas nos mercados. Portugal ultrapassa Espanha na classificação da dívida pública | Finanças públicas | PÚBLICO

Prova dos 9. Diferença de preços dos combustíveis Portugal/Espanha é igual à de Espanha/França?

 Ministra do Ambiente disse que "a diferença de preços que Portugal tem face a Espanha é idêntica à que Espanha tem relativamente a França". É mesmo assim? A ministra do Ambiente, em conferência de imprensa, na segunda-feira, garantiu que o “Governo não está a lucrar com a crise dos combustíveis”, depois de o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro ter acusado o Governo de estar a ganhar dinheiro com a subida dos preços. Maria da Graça Carvalho sublinhou que Espanha “é uma exceção” e que a diferença de preços que Portugal tem face a Espanha é idêntica à que Espanha tem relativamente a França. O boletim semanal da Comissão Europeia revela que a diferença é maior. A afirmação “A diferença de preços que temos com Espanha é a mesma que Espanha tem com França”, disse Maria da Graça Carvalho, na conferência de imprensa no Campus XXI, acrescentando: “O preço dos combustíveis em Portugal está em linha com o aumento verificado no resto da Europa”. Os factos O boletim semanal da Com...