Avançar para o conteúdo principal

EDP escolhe parceira Engie para ser rival na produção de energia


Com a venda das seis barragens ao consórcio liderado pela Engie, a EDP vai encaixar mais de 2 mil milhões de euros. A elétrica portuguesa assegura que com o negócio encerra o plano de vendas de ativos na Península Ibérica.

Depois de vários meses de negociações, a EDP decidiu vender os seus ativos hídricos em Portugal ao consórcio liderado pela Engie. Uma escolha que foi tomada devido à proposta da francesa ter sido "inequivocamente a melhor", segundo António Mexia, presidente executivo da elétrica. O consórcio comprador conta com a Engie, que detém 40%, o Crédit Agricole Assurances (35%) e a Mirova, do grupo Natixis (25%).

Segundo o gestor da elétrica portuguesa, tratou-se de um processo "transparente" e "houve concorrência" até à última, não estando relacionado com a parceria que as empresas têm em curso para ativos eólicos offshore. "A Engie, aqui, não é nossa parceira. É nossa concorrente. Esta transação representa a entrada de um novo ‘player’ no mercado" nacional, sublinhou António Mexia em conferência de imprensa.

O valor da operação situou-se em 2,2 mil milhões de euros, um montante que supera a meta a que o grupo se tinha comprometido em março, na apresentação do plano estratégico, para a venda de ativos na Península Ibérica. Nessa altura, a elétrica anunciou que pretendia obter um encaixe de 2 mil milhões de euros com esta estratégia, tendo já na altura admitido que iria colocar à venda as suas barragens em Portugal.

Um passo que também tinha sido proposto pelo fundo Elliot quando apresentou o seu plano para "a nova vida da EDP". O fundo de Paul Singer tinha igualmente sugerido que a EDP vendesse o seu negócio da distribuição, bem como a operação no Brasil. Porém, até à data, não houve movimentações nesse sentido.

Com a concretização da venda de um total de seis barragens por 2,2 mil milhões de euros, a EDP garante ainda que não tem em curso a alienação de mais ativos. Os ativos em causa são seis centrais hídricas: três centrais de fio de água (Miranda, Bemposta e Picote) e três centrais de albufeira com bombagem (Foz Tua, Baixo Sabor e Feiticeiro).

A Engie, aqui, não é nossa parceira.
É nossa concorrente. Esta transação representa a entrada de um novo ‘player’ no mercado.

Estamos confiantes que a transação da venda das barragens seja aprovada,
mas quem decide é o Governo. (...) Esta transação também aumenta a concorrência no mercado.
ANTÓNIO MEXIA
PRESIDENTE EXECUTIVO DA EDP

EDP está confiante no OK do Governo
A elétrica nacional espera que o negócio da venda destes ativos hídricos esteja concluído no segundo semestre de 2020. Até porque a operação necessita ainda de várias aprovações regulatórias, entre as quais do Governo através do parecer da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e da Associação Portuguesa do Ambiente (APA).

Porém, António Mexia mostrou-se bastante otimista: "Estamos confiantes que a transação da venda das barragens seja aprovada, mas quem decide é o Governo", sublinhou. Para o gestor não há motivos que justifiquem outra posição: "Além das competências técnicas da Engie, esta transação também aumenta a concorrência no mercado. Por isso, estamos confiantes", acrescentou.

Durante a conferência de imprensa, António Mexia garantiu ainda que a transação prevê a constituição de uma empresa para onde vão passar os ativos, os contratos, bem como trabalhadores que assim entenderem.

A EDP revelou o plano para vender ativos na Península Ibérica quando apresentou o plano estratégico em Londres, em março. Na altura, a elétrica previa um desinvestimento no valor total de seis mil milhões de euros: quatro mil milhões de euros em rotação de ativos e dois mil milhões de euros em vendas de ativos (centrais térmicas na Península Ibérica).

O processo de venda das barragens foi liderado pelo Morgan Stanley e pelo UBS, tendo chegado a contar com o interesse de outras empresas e fundos de investimento da Europa, como a Enel, a Macquarie, a Iberdrola, a Endesa, a Verbund e a Brookfield.

Joint-venture vai ter novidades
A EDP e a Engie anunciaram em maio deste ano uma joint-venture para criar um "gigante na eólica offshore", tendo prometido mais novidades até ao final de 2019. Questionado sobre o ponto de situação desta operação, António Mexia, presidente executivo da EDP, remeteu para janeiro novidades, incluindo o nome da futura empresa que será criada. A nova entidade, que será sediada em Madrid, tem como objetivo atingir entre 5 a 7 gigawatts (GW) de projetos em operação ou construção até 2025. A joint-venture terá a Europa, os Estados Unidos da América e algumas regiões na Ásia como alvos prioritários. Na altura, António Mexia salientou que "até 2030 teremos enorme potencial para crescer. A ideia é juntar também novos mercados como o Japão e Coreia do Sul, mercados que são relevantes e têm um grande potencial". "Vai ser uma viagem interessante", concluiu então o líder da energética.

https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/energia/detalhe/edp-escolhe-parceira-engie-para-ser-rival-na-producao-de-energia?adsVideoViewed=1

Comentários

Notícias mais vistas:

Este restaurante é tão bom que há pessoas proibidas por lei de irem lá comer

  Não é um local que sirva para ir todos os dias, mas antes em ocasiões bastante especiais. Ainda assim, nem nessas circunstâncias algumas pessoas podem entrar, mesmo que ninguém saiba porquê Como refúgio secreto outrora reservado aos antigos imperadores da China, para além da vigilância dos homens de negro que guardam a entrada em frente ao histórico Templo Lama de Pequim, um estreito caminho de pedra conduz silenciosamente a um pátio. A névoa flutua suavemente ao longo da passadeira. No final do mesmo, uma mulher envolta num manto simples sobre um vestido tradicional chinês aguarda junto a um muro caiado que protege o pátio das ruas movimentadas da antiga Pequim. Com um gesto delicado, convida os visitantes a entrar no restaurante. Não é o tipo de restaurante que se frequenta todos os dias. É um local reservado para ocasiões especiais: pedidos de casamento, aniversários ou receções. Contudo, há um tipo de convidado que não pode desfrutar do elegante estabelecimento, nem mesmo em ...

Construção da maior central solar em Portugal encravada há mais de dois anos na justiça, apesar de aprovada

Santa Luzia in northeastern Brazil.  EPA/SEBASTIAO MOREIRA  Desde 2024 que a autorização ambiental dada à central solar Fernando Pessoa foi suspensa por decisão do juiz e após impugnação do Ministério Público. Agência do Ambiente recorreu, mas não há decisão. A maior central solar aprovada para Portugal, com mais de mil megawatts (MW) de potência, está parada há mais de dois anos, na sequência de processos judiciais colocados contra a aprovação emitida pelas autoridades ambientais. A atribulada história do projeto, que foi batizado com o nome do poeta Fernando Pessoa, mostra que o licenciamento ambiental — por intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza de Florestas) — nem sempre é o maior obstáculo à execução dos projetos de energias renováveis. A central solar fotovoltaica Fernando Pessoa está prevista para o concelho de Santiago do Cacém e obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em jane...

Trump anuncia que cessar-fogo com Irão “acabou” e corta relações comerciais com Espanha

 "Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles", avisou o Presidente norte-americano, a partir de Ancara, quando questionado sobre se o memorando de entendimento com Teerão tinha chegado ao fim. O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que o memorando de entendimento assinado com o Irão para pôr fim ao conflito “acabou”, acrescentando que não quer manter contactos com Teerão e referindo-se aos líderes iranianos como “pessoas doentes”. As declarações do líder da Casa Branca, que se encontra em Ancara, na Turquia, para participar na cimeira da NATO, surgem após os Estados Unidos terem lançado novos ataques militares contra o Irão e revogarem uma licença que permitia a Teerão vender petróleo, em resposta aos ataques a três petroleiros. “É uma questão muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles. São escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes“, afirmou o Chefe de Estado norte-americano, quando questionado...