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Estás a deitar 36 euros ao lixo? O sistema Volta está a dar cabo dos nervos



O novo sistema de depósito de embalagens em Portugal, batizado de Volta, nasceu com uma intenção nobre. No entanto a sua execução está a transformar-se num autêntico pesadelo logístico. Efetivamente, o objetivo era incentivar a reciclagem ao cobrar um depósito de 10 cêntimos por cada garrafa ou lata, valor que recuperas ao devolver a embalagem. Contudo, o que parecia uma solução ecológica simples tornou-se uma fonte de frustração para milhares de portugueses que sentem que a regra foi desenhada num gabinete bem longe da realidade das ruas. Então o que se passa com o sistema Volta?

Sistema Volta, as contas da DECO e o peso da tua “preguiça” forçada

Para começares a perceber o impacto no teu orçamento, basta olhar para os números partilhados pela DECO PROteste. Desta forma, se fores daquelas pessoas que compra apenas uma garrafa de água por dia e decide não a devolver por causa da confusão das máquinas, as contas são pesadas:

Período de TempoValor Perdido
Por mêsCerca de 3€
Por ano36€

Por esse motivo, o que parece apenas um detalhe de 10 cêntimos acaba por ser o equivalente a uma mensalidade de um serviço de streaming. Ou então a várias refeições que estás literalmente a atirar para o contentor amarelo sem retorno. Efetivamente, o dinheiro é teu, mas o sistema está montado de forma a que recuperá-lo seja um fardo.

O paradoxo ambiental: Poluir para reciclar?

O grande problema do sistema Volta reside na sua implementação centralizada. Sendo assim, enquanto no comércio de proximidade a mercearia do teu bairro ou o pequeno café podes comprar a garrafa e pagar o depósito, na hora de a devolver a história é outra. Infelizmente, a maioria destes pequenos lojistas não tem as máquinas de recolha, o que te obriga a pegar no carro para ir a uma grande superfície comercial.

Consequentemente, cria-se uma situação ridícula onde, para recuperares uns cêntimos em nome do planeta, és obrigado a gastar combustível e a emitir CO2 no trânsito. Desta forma, a medida que deveria ser amiga do ambiente acaba por fomentar a dependência do automóvel e favorecer os gigantes do retalho em detrimento do comércio local. Afinal de contas, tempo é dinheiro e o custo do combustível muitas vezes ultrapassa o valor que vais recuperar na máquina.

Portugal a ser Portugal: Taxas sobre stock antigo

Igualmente relevante é a confusão que reina nas prateleiras. Neste sentido, muitos consumidores queixam-se de estarem a pagar o suplemento de 10 cêntimos em garrafas que ainda pertencem a stock antigo e que nem sequer têm o símbolo Volta. Sendo assim, estás a pagar um depósito que nunca vais conseguir recuperar porque a máquina não vai reconhecer o código de barras.

Por conseguinte, esta falta de coerência gera um sentimento de revolta. Dito tudo isto, o sistema alemão, conhecido como Pfand, funciona porque é simples e universal. Em Portugal, a fricção criada pelo processo está a fazer com que muita gente desista de ser ecológica simplesmente porque o sistema é demasiado complicado e punitivo para quem não vive ao lado de um hipermercado.

Solução ou problema?

O sistema Volta precisa urgentemente de sair do papel e entrar na vida real. Portanto, soluções sérias têm de ser práticas e alinhadas com o comportamento das pessoas. Ou seja, não baseadas em teorias de quem não conhece o dia a dia de quem trabalha. Sendo assim, enquanto a rede de recolha não chegar ao comércio de bairro, continuaremos a ver pessoas a perder 36 euros por ano apenas para não perderem a paciência no trânsito.

Estás disposto a gastar combustível e tempo para ir recuperar os teus 10 cêntimos ao hipermercado ou já te conformaste em perder esses 36 euros anuais?


Estás a deitar 36 euros ao lixo? O sistema Volta está a dar cabo dos nervos — Leak


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