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Aviação. Subida do preço dos combustíveis força suspensões e cancelamentos de voos e reservas

 

O impacto da guerra com o Irão está a empurrar os preços do querosene de aviação, com forte impacto em todo o setor, com quedas. A KLM cancelou 160 voos para maio, a Lufthansa retirou os serviços da sua subsidiária, a CityLine, e a easyJet anunciou reservas abaixo do esperado.


Voos cancelados no aeroporto de Berlim Annegret Hilse - Reuters
A companhia britânica prevê um prejuízo maior no primeiro semestre e poderá ter de rever as suas projeções para o ano inteiro, no meio de preocupações sobre o fornecimento de combustível de aviação. 

"Estamos a assistir a uma janela de reservas mais tardia. E se houver alguma mudança é um pouco para longe do Mediterrâneo oriental e um pouco em direção ao Mediterrâneo ocidental", disse O CEO da easyJet, Kenton Jarvis, numa teleconferência com a imprensa.

Jarvis acrescentou que as viagens para Chipre, Egito e Turquia, no entanto, estão a recuperar lentamente.O impacto mais amplo da guerra poderá levar ainda a outras revisões, depois de as ações da companhia britânica perderem até nove por cento do seu valor.

"O conflito no Médio Oriente introduziu incertezas de curto prazo em relação aos custos de combustível e à procura dos clientes. Como esperado, a curva de reservas diminuiu nas últimas semanas, resultando numa visibilidade futura inferior à normal", afirmou a companhia britânica.
Menos 160 voos em maio

À medida que as companhias aéreas contabilizam os prejuízos da guerra com o Irão, que faz subir os preços do querosene de aviação, os analistas alertam que são prováveis ​​novos cortes de capacidade, cancelamentos de voos e sobretaxas.

Para fazer face às dificuldades, a holandesa KLM anunciou esta quinta-feira o cancelamento de 160 voos durante o mês de maio, devido ao aumento dos preços dos combustíveis para a aviação. Correspondem a menos 80 voos de ida e volta do aeroporto de Schipol, em Amesterdão. O cancelamento representa menos de um por cento do total dos voos europeus, referiu ainda.

Esta decisão "diz respeito a um número limitado de voos dentro da Europa que, devido ao aumento dos custos do combustível, atualmente já não são financeiramente viáveis para operar", justificou a empresa.

A companhia aérea garantiu ainda que "não há falta" de combustível.

A transportadora disse que "os passageiros afetados por estas alterações serão remarcados para o próximo voo disponível", apontando que "como estes são destinos que a KLM serve várias vezes por dia - como Londres e Düsseldorf - os viajantes podem geralmente ser acomodados rapidamente".

A empresa é subsidiária da France-KLM, a qual divulgará os seus resultados do primeiro trimestre a 30 de abril, após ter adicionado uma sobretaxa de combustível aos seus bilhetes.

A Wizz Air já anunciou que o seu lucro líquido anual sofrerá uma queda de 50 milhões de euros (59 milhões de dólares). A par da EasyJet e da RyanAir, a empresa de baixo custo está igualmente a perder valor nos mercados.

As companhias aéreas nigerianas alertaram também na quinta-feira que podem suspender os seus voos devido aos elevados preços do combustível de aviação.

 a União Europeia deverá anunciar medidas para maximizar a capacidade de refinação, depois de os aeroportos europeus terem alertado para uma iminente crise de abastecimento de combustível de aviação.

De acordo com o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), a Europa tem "talvez mais seis semanas de combustível para aviões".
Lufthansa termina com CityLine 

As ações da Lufthansa, o maior grupo de companhias aéreas da Europa, caíram 1,36 por cento às 14h16 GMT desta quinta-feira, pouco depois do anúncio da suspensão das operações da sua subsidiária, CityLine.

A "retirada definitiva do serviço Lufthansa CityLine com efeito imediato" foi justificada com "o forte aumento dos preços dos combustíveis, que mais do que duplicaram em comparação com o período anterior à guerra no Irão, bem como o aumento dos custos adicionais relacionados com conflitos laborais".A decisão surge no meio de uma semana de greves dentro do grupo, convocadas por pilotos e assistentes de bordo, sobretudo relacionadas com salários e pensões.

"O objetivo é redefinir mais claramente as nossas plataformas de voos de curta e média distância e torná-las mais competitivas", afirmou o diretor financeiro da Lufthansa, Till Streichert, em comunicado.

A partir de sábado, "as 27 aeronaves operacionais da Lufthansa CityLine serão retiradas permanentemente da programação, de forma a reduzir ainda mais os prejuízos desta companhia aérea deficitária", segundo o comunicado da empresa alemã.

O grupo explicou ainda que deseja retirar pelo menos quatro aeronaves mais antigas da sua principal companhia aérea que registam elevado consumo de combustível, tornando-se ainda mais caras de operar devido à subida dos preços, uma decisão que abalou os sindicatos. 
Impacto no verão

As companhias aéreas afirmaram ser difícil prever como a procura poderá mudar no segundo semestre de 2026, uma vez que os turistas temem turbulências nas viagens e aumentos de preços.

As reservas para o quarto trimestre, de julho a setembro, estavam 30 por cento preenchidas, disse Jarvis, da EasyJet, enquanto as taxas de ocupação - a percentagem de lugares disponíveis preenchidos por clientes pagantes - eram incertas.

"Isso dependerá muito de como estará o mercado no final do verão e, obviamente, do que acontecer com o conflito nas próximas uma ou duas semanas", disse. 

A EasyJet, que já tinha avisado que a guerra com o Irão iria aumentar os preços dos bilhetes no final do verão e impactar as reservas, afirmou estar bem protegida contra a volatilidade do combustível, com 70 por cento do combustível para o verão fixado nos 706 dólares por tonelada métrica.

As proteções começarão a ser desfeitas no final do verão, o que poderá aumentar os custos dos bilhetes.

"Os preços estão protegidos no curto prazo. Mas, claramente, se o combustível se mantiver caro durante mais tempo, isso afetará todo o setor em termos de preços", disse Jarvis aos jornalistas.


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