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Drones ucranianos ganham novo poder de destruição: agora são capazes de atingir comboios de combustível russos de uma só vez

 

Um funcionário monta um drone de longo alcance numa oficina da empresa Fire Point, fabricante dos drones de ataque de longo alcance FP-1 e dos drones de ataque FP-2, num local não revelado na Ucrânia, a 29 de janeiro de 2026, no contexto da invasão russa da Ucrânia. (Foto de Serhii Okunev / AFP via Getty Images)

Aposta surge numa altura em que a ofensiva ucraniana contra infraestruturas logísticas russas está a intensificar-se

A fabricante ucraniana Fire Point está a equipar alguns dos seus drones de ataque unidirecional FP-1 e FP-2 com rockets não guiados montados sob as asas, numa evolução que poderá reforçar significativamente a campanha ucraniana contra as linhas logísticas russas.

Se há apenas um mês os drones ucranianos conseguiam incendiar um único vagão-cisterna, agora uma nova versão armada poderá multiplicar por oito a capacidade destrutiva e atingir um comboio inteiro carregado de combustível destinado às forças russas.

O alvo considerado mais valioso é um comboio de abastecimento com vários vagões-cisterna cheios de combustível. Segundo Denis Shtilerman, cofundador da empresa, a combinação de oito rockets com a carga explosiva já incorporada no drone permitirá destruir toda a composição, em vez de atingir apenas um vagão.

“É exatamente aí que será eficaz”, afirmou ao órgão de comunicação ucraniano NV, defendendo que a eficácia desta configuração ficará demonstrada logo que seja utilizada contra um comboio deste tipo.

A aposta surge numa altura em que a ofensiva ucraniana contra infraestruturas logísticas russas está a intensificar-se. Entre fevereiro e março, os ataques com drones duplicaram, e entre março e abril a tendência manteve-se, de acordo com os dados mais recentes.

O grupo de análise ucraniano Tochnyi refere que mais de um quarto da atividade se concentrou em ataques contra depósitos de munições, infraestruturas de combustível e redes ferroviárias. Segundo a mesma análise, a pressão sobre os depósitos de armamento coincide com uma redução observada no uso da artilharia russa, enquanto os ataques ao combustível visam limitar operações mecanizadas ao comprometer cadeias de abastecimento.

FP-1 e FP-2

A Fire Point produz milhares de drones FP-1 e FP-2 por ano, com um custo aproximado de 50 mil dólares, mais de 43 mil euros, por unidade. Os FP-2 transportam ogivas maiores, com capacidade até 200 quilos, embora tenham menor autonomia devido à menor quantidade de combustível.

Drone de longo alcance durante a sua montagem numa oficina da empresa Fire Point, fabricante dos drones de ataque de longo alcance FP-1 e dos drones de ataque FP-2, num local não revelado na Ucrânia, a 29 de janeiro de 2026. (Serhii Okunev/AFP via Getty Images)

Controlados remotamente através de satélite ou rádio, estes drones são utilizados em ataques de médio alcance contra sistemas de defesa aérea e alvos fortificados, como quartéis-generais em territórios ocupados pela Rússia.

Apesar de operarem há mais de três anos sobre territórios ocupados e regiões russas adjacentes, só esta primavera receberam armamento adicional sob as asas. O primeiro vídeo de um FP-1/2 a disparar rockets S-5 surgiu no início de maio.

Os rockets podem ser ativados pelo operador à distância, mas também existe um algoritmo integrado que permite o disparo automático.

Atualmente, a principal função deste armamento passa por atingir defesas aéreas russas que protegem o alvo principal, abrindo caminho para o drone prosseguir até ao impacto com a sua própria ogiva.

Ainda assim, os mesmos rockets poderão revelar-se particularmente eficazes contra vagões carregados de combustível. Os S-5 são utilizados há décadas por aeronaves russas e ucranianas e continuam amplamente disponíveis na Ucrânia, sobretudo numa altura em que os helicópteros ucranianos raramente operam junto da linha da frente devido à ameaça de mísseis e drones intercetores.


Drones ucranianos ganham novo poder de destruição: agora são capazes de atingir comboios de combustível russos de uma só vez - CNN Portugal


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