Um juiz de Madrid condenou um hospital de Valência a pagar 13,3 milhões de euros a uma família por negligência médica durante um parto em 2019. A criança desenvolveu paralisia cerebral e outras complicações devido à falta de oxigênio no cérebro. Trata-se do caso mais caro da história espanhola.
Um juiz de Madrid atribuiu uma indemnização superior a 13 milhões de euros a uma família, na sequência de uma grave negligência médica ocorrida em 2019 durante um parto no Hospital de Sagunto, em Valência.
Segundo o El País, Neizan, agora com seis anos, deixou de receber oxigénio no cérebro durante o parto, sem que a equipa médica detetasse a situação, o que resultou em lesões neurológicas permanentes.
Tudo começou quando a mãe do menino, Andrea Téllez, deu entrada na unidade hospitalar às 6h31 da manhã de 16 de novembro desse mesmo ano. Neizan nasceu no dia 18 de novembro, à 00h05, num “estado clínico deplorável”, com fracos batimentos cardíacos, sem respirar espontaneamente e com tensão arterial muito baixa.
“Levaram-no para o Hospital Clínico de Valência, onde passou 35 dias na UTI. Quando acordei da anestesia da cesariana, a primeira coisa que perguntei foi por ele. Inicialmente disseram-me que estava bem, mas quando o vi em Valência, todo ligado a máquinas, o mundo caiu sobre mim”, disse Andrea ao El País.
A criança acabou por desenvolver paralisia cerebral, epilepsia, problemas de visão e dificuldades relacionadas com a alimentação, tendo sido atribuído um grau de incapacidade de 87%, de acordo com o advogado Rafael Martín Bueno, citado pelo jornal espanhol.
O caso de negligência médica mais caro de Espanha
Segundo a sentença, registaram-se falhas na monitorização fetal e na interpretação dos sinais clínicos durante o trabalho de parto, o que levou à não deteção atempada de uma situação de falta de oxigénio.
Apesar do agravamento do estado do feto, as intervenções recomendadas pelos protocolos hospitalares não foram realizadas, incluindo exames adicionais ou uma cesariana de emergência, o que terá permitido a progressão da asfixia perinatal. A equipa médica também teria recorrido ao uso de ventosas para acelerar o parto, quando o feto ainda não estava na posição indicada.
Aos pais de Neizan, agora separados, foi concedida uma indenização no total de 13,3 milhões de euros, que ainda pode ser alvo de recurso. O valor, que inclui capital e juros de mora, é o mais alto da história espanhola no que diz respeito a indenizações deste tipo.
Segundo Andrea Téllez, a indenização será fundamental para garantir um ambiente adaptado às necessidades de Neizan e assegurar todos os cuidados que o filho dependerá ao longo da vida.
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