O explosivo colocado numa caixa de correio, que visava o militar acusado de crimes de guerra pela UE e pelo Reino Unido, foi detonado no leste da Rússia na terça-feira. Ainda não se conhece o culpado.
A explosão destinada a matar o oficial russo conhecido como o “carniceiro de Bucha” foi detonada na passada terça-feira, tendo falhado o alvo. A bomba, que foi colocada na caixa de correio do marechal-general Azatbek Omurbekov, fez uma vítima mortal no bloco residencial de Knyaze-Volkonskoye-1, situado no leste da Rússia, perto da fronteira do país com a China. Fontes contactadas pela plataforma noticiosa em língua russa Vot Tak, afirmam que Omurbekov não perdeu a vida no atentado, mas não foram revelados detalhes sobre o seu estado de saúde.
O ataque incidiu sobre a comunidade militar construída à volta de uma base do exército nos arredores de Khabarovsk e foi divulgado numa publicação do canal anónimo do Telegram VChK-OGPU, alegadamente ligado aos serviços secretos da Rússia. A mesma fonte reportou a morte de um tenente-coronel, comandante do batalhão de comunicações de treino, apenas identificado pelo apelido, Kuzmenko. Segundo moradores locais citados pela Vot Tak, o terrorista “errou as entradas” e “colocou os explosivos no prédio ao lado”, numa caixa de correio entre o primeiro e segundo andares do edifício, onde ainda instalou uma câmara.
O acesso ao bloco habitacional era controlado, sendo que os não residentes necessitavam de permissão para entrar nas instalações. Sob vigilância constante de militares, o ataque configura-se como uma falha grave da agência de segurança interna russa. Após a explosão, que também provocou feridos, vinte moradores, oito dos quais crianças, foram evacuados do prédio.
O Comité de Investigação da região de Krai de Khabarovsk abriu um processo criminal por tentativa de homicídio de um agente da lei, cujo culpado permanece por identificar. Após liderar o massacre de Bucha, no norte da Ucrânia, em 2022 — na qual ficou conhecido pelo perfil sanguinário e impiedoso — Omuberkov constitui um alvo de valor para os serviços secretos do país beligerante com a Rússia.
Numa entrevista ao portal noticioso russo iStories, subordinados do marechal-general afirmaram que durante a estadia em Bucha ordenou, por diversas vezes, a morte injustificada de civis, estimando-se um total de 400 vítimas. Apesar das evidências inequívocas de crimes de guerra — já condenados pela União Europeia e pelo Reino Unido — as autoridades russas negaram as infrações e ainda condecoraram Omurbekov com a mais alta distinção disponível no país, o título de herói da Federação Russa, atribuído por Vladimir Putin.
Por enquanto, Kiev e Moscovo abstiveram-se de comentar o incidente. Os serviços de inteligência ucranianos já identificaram vários alvos militares russos, desde o início da guerra em 2022, mas pouco se sabe sobre as células clandestinas que mantêm no território do país vizinho. O país liderado por Volodymyr Zelensky já reivindicou tentativas de assassinato, como aquele que em fevereiro feriu o tenente-general Vladimir Alekseyev.
Tentativa de assassinar o "carniceiro de Bucha" falha – Observador

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