Avançar para o conteúdo principal

Exportações de gás russo para a União Europeia no nível mais alto desde o início da guerra na Ucrânia


Omar Marques/Getty Images


A França lidera as importações europeias de GNL russo, com aumentos de 16%, seguindo-se Espanha e Bélgica


 As exportações de gás natural liquefeito da Rússia para a União Europeia (UE) atingiram no primeiro trimestre o nível mais elevado desde 2022, quando começou a guerra na Ucrânia, segundo um estudo publicado esta quarta-feira.


O relatório do grupo de reflexão Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA) destaca a dependência do continente europeu do gás natural liquefeito (GNL) russo, numa altura em que o conflito no Médio Oriente está a interromper o fornecimento global de hidrocarbonetos.


Impulsionadas por França, Espanha e Bélgica, as compras de GNL russo pela UE aumentaram 16% em termos homólogos no primeiro trimestre de 2026, atingindo 6,9 mil milhões de metros cúbicos.


A tendência foi semelhante em abril, quando as importações europeias de GNL russo aumentaram 17% em relação ao mesmo mês de 2025.


Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a UE, procurando diversificação, aumentou as importações de GNL para reduzir a dependência histórica do gás russo transportado por gasodutos.


Estas importações representaram 45% das compras de gás da UE em 2025, sendo o restante transportado por gasoduto, segundo a Comissão Europeia.


Mas o gás russo continuou a fluir: a Rússia continua a ser o segundo maior fornecedor de GNL da UE, mesmo que a Comissão Europeia tenha aprovado a proibição de todas as importações de gás russo até ao outono de 2027, a fim de privar Moscovo dos recursos que financiam a guerra na Ucrânia.


A França, em particular, “importou mais GNL russo do que qualquer outro país europeu no primeiro trimestre de 2026”, tendo sido atingido um recorde em janeiro, de acordo com o grupo de reflexão.


Entretanto, a Europa aumentou as importações de GNL dos Estados Unidos (EUA) desde a guerra na Ucrânia, e ainda mais desde o conflito no Médio Oriente, ao ponto de os EUA estarem “a caminho de se tornarem o principal fornecedor de gás do continente até 2026”, segundo a IEEFA.


No primeiro trimestre, a Noruega manteve-se como o principal fornecedor da União Europeia, com uma quota de 31%, seguida de perto pelos EUA (28%) e pela Rússia (14%), considerando todas as suas importações (gasodutos e GNL), de acordo com os dados da Comissão Europeia.


“A mudança da Europa do gás natural por gasoduto para o GNL deveria garantir a segurança do abastecimento e a diversificação. No entanto, as perturbações causadas pela guerra no Médio Oriente e a excessiva dependência do GNL dos EUA mostram que o plano europeu falhou em ambas as frentes”, afirmou Ana Maria Jaller-Makarewicz, analista do IEEFA, citada no comunicado de imprensa.


"O GNL tornou-se o calcanhar de Aquiles da estratégia de segurança energética da Europa", acrescentou Jaller-Makarewicz, expondo o bloco a "preços elevados e novas formas de interrupção do fornecimento".


De acordo com o grupo de reflexão, em 2028 a UE poderá estar a depender dos EUA para 80% das importações de GNL.


Exportações de gás russo para a União Europeia no nível mais alto desde o início da guerra na Ucrânia - Expresso


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

KillSec. Desmantelado grupo internacional de hackers liderado por um jovem de 16 anos. Foi traído pela paixão por motas

 Operação liderada pela Alemanha e coordenada pela Europol levou a três detenções de alegados membros de um grupo responsável por lucrar milhares de euros com dados roubados. Dois erros ditaram o desmantelamento do KillSec, um grupo de hackers que se dedicava a extorquir vítimas de roubo de dados pessoais para que estes não fossem divulgados, o chamado ransomware. Segundo as autoridades, algumas vítimas do KillSec pagaram meio milhão de euros para que os seus dados não fossem divulgados; são-lhes atribuídos cerca de mil ataques pelo mundo inteiro. Eram liderados por um jovem de 16 anos a partir de Alicante, Espanha, acredita a Europol. Foi a Europol que coordenou as operações policiais em nove países europeus e nos EUA que levaram à detenção de três membros do KillSec. Tudo foi possível graças ao cruzamento de informações entre o FBI do território norte-americano de Porto Rico e a Guardia Civil espanhola, que permitiu identificar uma morada e um número de telefone. Esta quarta-feir...

Ex-juíza venezuelana denuncia coação para desqualificar Corina Machado

Corina Machado. © Jesus Vargas/picture alliance via Getty Images  A ex-juíza do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) da Venezuela, Bárbara César Siero, revelou esta terça-feira que foi coagida a assinar várias sentenças de inelegibilidade política, entre as quais a de María Corina Machado. Bárbara César Siero relatou num vídeo e numa carta publicados nas redes sociais que, a 15 de dezembro de 2023, Machado interpôs uma ação junto do TSJ para que fosse revista a medida de inelegibilidade que lhe tinha sido imposta pelo Tribunal de Contas venezuelano anos antes, mas a juíza acabou por impedi-la de se candidatar à presidência nas eleições de 2024. "Paralelamente a esse facto, nesse mesmo dia, os meus dois irmãos, o tenente-coronel Guillermo Enrique César Siero, o major Guillermo Henry César Siero, e a minha cunhada, a major Diana Desirée Victoria Justo, foram detidos arbitrariamente por funcionários da Direção-Geral de Contra-Inteligência Militar (DGCIM)", acrescentou. A juíza desc...