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Cientistas descobrem dois novos satélites naturais da Terra além da Lua

Uma equipa de cientistas húngaros confirmou a existência de duas gigantescas nuvens de poeira a circular em volta da Terra, a uma distância de cerca de 400 mil quilómetros.

Segundo explica Judit Sliz Balogh, da Universidade de Budapeste, na Hungria, autora principal do estudo publicado este mês na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, “as nuvens de Kordylewski são os dois objectos mais imperceptíveis na vizinhança imediata da Terra”.

“Elas estão mais ou menos à mesma distância que a Lua, e é por isso que os astrónomos nunca conseguem vê-las. Por isso, estamos muito satisfeitos por ter podido confirmar a existência destes dois pseudo-satélites do nosso planeta“, diz Balogh.

Já no século XVIII, os cientistas tinham estabelecido que pequenos corpos celestes podem mover-se na mesma órbita que um planeta se estiverem perto de pontos em frente ou atrás do planeta, os chamados Pontos de Troia, nos quais a gravidade do Sol e do planeta está equilibrada.

Actualmente, são conhecidos seis quasi-satélites da Terra: 2016 HO3, 2010 TK7, 2003 YN107, 2004 GU9, 2001 GO2 e 2002 AA29. Com excepção do 2016 HO3, todos os demais orbitam em trajectórias instáveis – incluindo os que saíram da órbita do nosso planeta anos ou décadas depois de terem sido descobertos.


𝐃𝐚𝐯𝐢𝐝 𝐁𝐫𝐢𝐧 🛰
✔
@DavidBrin
Our wispy elusive neighbors in orbit: two dusty Kordylewski clouds identified - at earth’s L5 pointhttps://phys.org/news/2018-10-earth-cloud-satellites.html …

Earth's dust cloud satellites confirmed
A team of Hungarian astronomers and physicists may have confirmed two elusive clouds of dust, in semi-stable points just 400,000 kilometres from Earth. The clouds, first reported by and named for...

phys.org


O nome das nuvens é uma homenagem ao astrónomo polaco Kazimierz Kordylewski, que, observando dois Pontos de Tróia na órbita da Terra em 1961, notou que num deles havia uma grande quantidade de poeira, que eclipsava a luz do Sol e das estrelas.

A descoberta, como notou Sliz Balogh, foi recebida com cepticismo pela comunidade científica, uma vez que os astrónomos não acreditavam que objectos com essa magnitude pudessem manter a estabilidade nestes pontos. Os cientistas verificaram repetidamente os cálculos de Kordylewski, mas não puderam confirmar ou refutar a descoberta.

Para encontrar vestígios da existência destas nuvens, os astrónomos húngaros começaram a observar não o calor e a luz que as partículas de poeira emitem, mas a forma como as colisões das partículas alteram a polarização dos raios solares que passavam pelos Pontos de Tróia.

Depois de vários meses de observações, Sliz Balogh e os colegas conseguiram encontrar vestígios de que a luz solar é linearmente polarizada em quase 20% na região L5, o Ponto de Tróia localizado directamente atrás da Lua.

Analisando as suas propriedades, os cientistas chegaram à conclusão de que o objecto tinha gerado não por uma, mas por duas nuvens de poeira, cada uma das quais com cerca de três vezes o tamanho da Lua, principal satélite da Terra.

Ainda não está claro quão estáveis são estas nuvens, e há quanto tempo a Lua é “perseguida” por elas. Sliz Balogh planeia agora encontrar respostas para estas questões observando as nuvens de Kordylewski com a ajuda de telescópios orbitais mais poderosos, cujo funcionamento não seja afectado pela poluição luminosa e pela poeira na atmosfera.

https://zap.aeiou.pt/dois-novos-satelites-naturais-da-terra-224158

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