Avançar para o conteúdo principal

Rendas antigas: Governo vai atribuir compensação a senhorios



 As associações que representam os senhorios mostraram-se surpreendidas com o "volte-face" do Governo. A Associação Lisbonense de Proprietários vai entregar uma petição no Parlamento, que já conta com quase 5.000 assinaturas, para acabar com o congelamento das rendas antigas.


O Governo não vai, afinal, descongelar as rendas dos contratos de arrendamento anteriores a 1990, ao contrário do que está escrito na proposta do Orçamento do Estado. Após a polémica, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação garantiu a criação de um mecanismo de compensação para os senhorios, mas não explicou como irá funcionar.


Desde 2012 que está em vigor o novo regime de arrendamento urbano, que regula o mercado habitacional. Há mais de uma década que está suspensa a transição dos contratos anteriores a 1990 para o novo regime desde que os inquilinos cumpram um dos três critérios: terem 65 ou mais anos; incapacidade igual ou superior a 60%; ou um rendimento anual bruto corrigido inferior a cinco vezes a retribuição mínima nacional (820 euros).


Com António Costa ainda no poder, o então Governo decidiu congelar definitivamente as rendas antigas às pessoas mais vulneráveis, no âmbito do programa "Mais Habitação". Um cenário que parecia que ia mudar já no próximo ano.


Contudo, na proposta do Orçamento do Estado para 2025 está escrito, na página 281, que é "preciso corrigir as distorções criadas nos últimos anos" e que o Governo vai tomar "as medidas necessárias para a conclusão os processos de transição (...) dos contratos anteriores a 1990".


Após instalar-se a polémica, se o Governo ia ou não descolar as rendas antigas, o executivo rapidamente desmentiu a ideia, em comunicado, que pretende "garantir um tratamento justo para inquilinos e senhorios, assegurando a eficácia do mecanismo de compensação", sem alterar o regime em vigor.


No entanto, na proposta do Orçamento, ainda na página 281, está escrito o contrário. A intenção do Governo era atribuir um "apoio que permita aos arrendatários em situação de carência para suportar a atualização das rendas". as esse cenário parece estar fora dos planos tanto de Joaquim Miranda Sarmento como de Miguel Pinto Luz.


Ao invés de apoiar os inquilinos, o Governo vai apoiar os senhorios através de um mecanismo de compensação. As rendas anteriores a 1990 só podem ser atualizadas em função da inflação do ano anterior.


Governo esclarece que não vai descongelar rendas antigas, proprietários querem receber “valor justo” por imóveis


As associações que representam os senhorios mostraram-se surpreendidas com o "volte-face" do Governo. A Associação Lisbonense de Proprietários vai entregar uma petição no Parlamento, que já conta com quase 5.000 assinaturas, para acabar com o congelamento das rendas antigas.


João Tomás em:

Rendas antigas: Governo vai atribuir compensação a senhorios - SIC Notícias (sicnoticias.pt)


Comentário do Wilson:

Tal como o Passos Coelho dizia que não era Troika que governava, Montenegro diz que não é o PS que governa, a verdade é que o PS, que trouce a Troika, continua a ter muita força e continua a controlar os nossos destinos.

Enquanto houver Leis destas, atentatórias do respeito pela propriedade, continuará a haver falta de habitação para arrendamento e continuaremos todos a ser obrigados a ser proprietários ou a Emigrar.

Para estancar a Emigração, o IRS Jovem não é suficiente, é necessário haver habitação para arrendar e crescimento da economia para melhores salários.


Comentários

Notícias mais vistas:

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...

Os professores

 As últimas semanas têm sido agitadas nas escolas do ensino público, fruto das diversas greves desencadeadas por uma percentagem bastante elevada da classe de docentes. Várias têm sido as causas da contestação, nomeadamente o congelamento do tempo de serviço, o sistema de quotas para progressão na carreira e a baixa remuneração, mas há uma que é particularmente grave e sintomática da descredibilização do ensino pelo qual o Estado é o primeiro responsável, e que tem a ver com a gradual falta de autoridade dos professores. A minha geração cresceu a ter no professor uma referência, respeitando-o e temendo-o, consciente de que os nossos deslizes, tanto ao nível do estudo como do comportamento, teriam consequências bem gravosas na nossa progressão nos anos escolares. Hoje, os alunos, numa maioria demasiado considerável, não evidenciam qualquer tipo de respeito e deferência pelo seu professor e não acatam a sua autoridade, enfrentando-o sem nenhum receio. Esta realidade é uma das princip...

ADSE muda regras dos óculos: reembolso passa a ter limite anual de 180 euros

 A ADSE vai alterar as regras de reembolso dos óculos, introduzindo um teto anual de 180 euros no regime livre, mantendo a comparticipação de 80%. Deixa assim de haver limites quanto ao número de armações e lentes, que até agora eram definidos por períodos de três anos. As mudanças abrangem também exames e cirurgias, com revisão da tabela de preços da radiologia e da gastroenterologia e inclusão de novos atos, sobretudo TAC e ressonâncias magnéticas, permitindo acesso a técnicas mais avançadas sem aumento dos encargos para os beneficiários, segundo avançou o ECO. As alterações terão um impacto orçamental estimado em 15,4 milhões de euros por ano para a ADSE, sistema de proteção na doença da função pública. A revisão das tabelas de preços abrange cerca de 200 atos médicos e inclui mais de uma centena de novos códigos, sobretudo na área da radiologia, com o objetivo de atualizar os valores de referência e alargar o acesso a cuidados mais diferenciados. ADSE muda regras dos óculos: re...