Avançar para o conteúdo principal

Reforma fiscal nos EUA leva investimento estrangeiro mundial a derrapar 27% em 2018



A reforma fiscal norte-americana levou a uma queda do investimento estrangeiro no mundo. Portugal não escapou à tendência.

O investimento direto estrangeiro (IDE) no mundo caiu 27% em 2018 para 1.097 mil milhões de dólares (cerca de 980 mil milhões de euros), segundo os dados divulgados esta segunda-feira, 29 de abril, pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE). O valor representa 1,3% do PIB mundial, o rácio mais baixo desde 1999. Em causa está a reforma fiscal implementada por Donald Trump, tal como já indiciavam os números do primeiro semestre.

Esta queda em 2018 segue-se à redução de 16% do IDE mundial em 2017. Nos países da OCDE, onde se inclui Portugal, as entradas de IDE diminuíram 23%, principalmente por causa dos desinvestimentos na Irlanda e na Suíça.

Já as saídas de IDE nesse mesmo espaço baixaram 41%, em grande parte por causa da reforma fiscal implementada nos Estados Unidos pela administração Trump. As empresas norte-americanas decidiram aproveitar o alívio fiscal para repatriar os lucros de filiais estrangeiras para a sede nos EUA, com benefícios fiscais.

Esse movimento de capitais para dentro de território norte-americano fez com que os lucros reinvestidos fossem "largamente negativos" no primeiro semestre. Verificou-se depois a inversão dessa tendência, mas tal não foi suficiente para impedir uma queda do IDE (ver gráfico).

Esta redução, no entanto, deverá ter um impacto mínimo nas operações estrangeiras das multinacionais norte-americanas no curto prazo porque envolve a venda e a alienação de ativos financeiros, em oposição a ativos reais. A OCDE admite que é difícil medir o impacto a longo prazo.

Em 2018, em Portugal, as entradas de IDE (4,7 mil milhões de dólares) baixaram face a 2017 (6,7 mil milhões de dólares). As saídas de IDE não foram expressivas.

As maiores fontes de saídas de IDE foram o Japão, a China e a França. Ao contrário do que acontecia até agora, os Estados Unidos - que costumam ser o maior investidor no estrangeiro - registaram saídas negativas.

Apesar das preocupações com a desaceleração económica, o rendimento com origem de IDE no estrangeiro (pago pelas filiais) aumentou 17% para países fora da OCDE e 9% para países da OCDE.

Os centros financeiros continuam a captar mais de metade do IDE "recebido" nos países da OCDE. No entanto, os montantes direcionados para "offshores" diminuíram.

O investimento direto estrangeiro consiste nos capitais de multinacionais que se transferem para um determinado país. São contabilizadas também participações superiores a 10% em empresas já constituídas.

Neste indicador cabem os lucros reinvestidos por filiais em determinado país dessas entidades e todos os movimentos de capitais das suas empresas-mãe no exterior para as suas filiais. Está também incluído o investimento em imobiliário (propriedades e casas) para uso pessoal ou arrendamento.

https://www.jornaldenegocios.pt/economia/mundo/amp/reforma-fiscal-nos-eua-leva-investimento-estrangeiro-mundial-a-derrapar-27-em-2018

Comentários

Notícias mais vistas:

"Afastados da realidade": ataques da Ucrânia estão a esgotar a paciência até àqueles que sempre estiveram ao lado de Putin

Coluna de fumo na refinaria de petróleo de Moscovo da Gazprom Neft - Anadolu  Mais de quatro anos depois do início da invasão em larga escala da Ucrânia, a estratégia de Vladimir Putin de manter a guerra afastada do quotidiano da população começa a revelar os seus limites. Pela primeira vez em vários anos de guerra, até algumas das vozes mais nacionalistas e pró-guerra da Rússia começam a admitir que aquilo que os russos veem "com os próprios olhos" já não coincide com a narrativa oficial de que "está tudo bem" A guerra que Vladimir Putin tentou manter à distância dos russos está a chegar cada vez mais ao interior do país e a tornar-se impossível de esconder. A conclusão é do mais recente relatório do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), que considera que a intensificação dos ataques ucranianos em profundidade está a expor "as fraquezas da Rússia e a incapacidade de defender a sua população", ao mesmo tempo que coloca o Kremlin perante um dilema: como ...

Drones russos atingem dois navios civis no mar Negro

Drones russos atingiram dois navios civis com bandeira estrangeira no mar Negro na noite de quinta-feira, segundo as autoridades ucranianas. De acordo com Oleksii Kuleba, vice-primeiro-ministro ucraniano responsável pela Reconstrução, os drones atingiram um navio com bandeira de São Cristóvão e Neves e outro com bandeira panamiana, causando um morto e cinco feridos. Um dos marinheiros feridos está em estado crítico, adiantou Kuleba. "É mais uma prova de que a Rússia trava uma guerra contra a liberdade de navegação, o comércio internacional e a segurança alimentar global", escreveu. O governador da região ucraniana de Odessa, Oleh Kiper, afirmou que os navios já retomaram a marcha. Os ataques ocorreram numa vaga de ofensivas russas durante a noite em várias zonas da Ucrânia. Kiper acrescentou que ataques no sul da região de Odessa provocaram um incêndio num parque de camiões, que matou uma pessoa e feriu outras quatro. Pelo menos quatro pessoas ficaram ainda feridas noutro ata...

Depois dos elétricos Europa quer tarifas para híbridos plug-in feitos na China

BYD Seal U DM-i, frente © BYD  Para travar a expansão dos chineses em solo europeu Bruxelas prepara-se para recorrer a um mecanismo que conhece bem: as tarifas. Depois de ter aplicado tarifas adicionais aos veículos elétricos fabricados na China em 2024, a União Europeia (UE) prepara mais uma medida protecionista. Desta vez, o alvo são os híbridos plug-in produzidos no país asiático, de acordo com o reportado pelo jornal Handelsblatt. Com os automóveis elétricos produzidos na China sujeitos a tarifas adicionais que podem chegar aos 35,3%, sobre os 10% regulares, as marcas chinesas redirecionaram parte da sua oferta para os híbridos plug-in que estão a salvo destas penalizações. Os números refletem essa aposta: a quota de mercado na Europa dos híbridos plug-in produzidos na China saltou de 18% para 30% face a abril de 2025, com as vendas a crescerem 236% no mesmo período. O exemplo mais evidente é o BYD Seal U DM-i, que foi o híbrido plug-in mais vendido na Europa no ano passado e m...