Avançar para o conteúdo principal

CARRO ELÉTRICO: PRÓS E CONTRAS

Um fato é inegável: o motor a combustão já deveria estar no museu há dezenas de anos


Baker Electric 1912 (Foto: rmsothebys.com

Toda evolução gera resistência. No final do século XIX, o rei alemão Wilhelm II protestou e disse que seria provisória a substituição do cavalo pelo motor na carruagem. Com o carro elétrico não é diferente, mesmo que na Noruega, por exemplo, já seja mais vendido que o carro a combustão. Kaiser Wilhelm II morreu há tempos, mas deixou sucessores: já se tentou provar — na Alemanha — que o elétrico polui mais que o de motor Diesel…

A argumentação contra o elétrico mescla o emocional (apaixonados como eu…) e o racional. Pode até demorar um pouco mais em países sem infraestrutura para recebê-lo. Mas virá, mais dia, menos dia…

Ou, usurpando o mote do governo lá atrás em 1979, quando chegaram os primeiros carros a álcool, “Carro elétrico. você ainda vai ter um”…



Nissan Leaf 2019, totalmente elétrico (Foto: topgear.com)


Os prós:

– Mais “limpo” – Não polui, mas a produção de energia elétrica nem sempre é das mais limpas. Quem o defende alega que, na pior das hipóteses, a poluição apenas é deslocada dos centros urbanos para o campo.

– Eficiente – Nem se compara a eficiência do elétrico (95%) com o motor a combustão (35%), que já deveria ter virado peça de museu há tempos.

– Prático – Não tem o enorme espaço roubado por motor e transmissão, sobrando muito mais para passageiros e bagagem.

– Funcionamento suave e silencioso – dirigir um carro elétrico é um experiência nova e agradável ao não se sentir nenhuma vibração e ruído.

– Manutenção – Motor elétrico não tem centenas de peças móveis nem troca de óleo, água, ou correias. Nem caixa de marchas, diferencial ou cardã. Tem uma única peça móvel. E não ferve…

– Custo por km – Cerca de três vezes mais eficiente, reduz o custo do km rodado em pelo menos um-terço, ajudado pelo atual preço da energia elétrica.

– Custo por km II – Para quem dispõe de painel solar em casa ou no trabalho, o custo por km rodado cai ainda mais.

– Desempenho – Torque total desde que se encosta o pé no acelerador. Pode ter tração integral sem o peso nem o espaço ocupados pelo cardã dentro de um túnel: um motor no eixo dianteiro, outro no traseiro. E centro de gravidade lá em baixo, pois a bateria fica sob o assoalho.

– Opções de fontes de energia – A corrente elétrica não necessita de pesadas baterias: pode ser gerada no próprio carro por uma célula a combustível, alimentada por hidrogênio ou outro combustível (liquido ou gasoso), do qual se extrai o H2. Ou ter geração limpa: eólica, solar, biomassa ou hidrelétrica.

– Geração de energia a bordo – ao levantar o pé do acelerador e/ou ao frear, situação em que o motor elétrico passa a gerador. Essa geração de energia elétrica ao deixar de acelerar é forte o bastante para reduzir em muito o uso do freio. Já há carros em que esse “freio-gerador” pode ter sua intensidade ajustada a bordo..

– Sistema desliga-desliga motor (start-stop) – quando o carro elétrico para, o motor para também, o desliga-liga motor é inerente ao tipo de motor.. Como nos trens, trólebus e elevadores. Motor elétrico não tem marcha-lenta.


Os contras:

– Baterias – Estão em processo de desenvolvimento, mas ainda são pesadas, caras e de reciclagem complicada

– Emissões – O elétrico roda limpo, mas a produção de baterias e sua recarga podem gerar emissão de CO2. O que depende de como se gera energia elétrica no país: na China e na Alemanha, por exemplo, parte dela ainda vem de usinas termelétricas a carvão.

– Autonomia – Desde os primeiros elétricos, no início do século XX até o final da década de 1920, este problema ainda não foi bem resolvido.

– Consumo – O consumo de energia elétrica da bateria é bastante sensível à velocidade e ao uso de acessórios elétricos, especialmente no que diz à energia elétrica necessária para acionar o compressor do ar-condicionado

– Recarga – Ao contrário do combustível líquido, baterias demandam horas para serem completamente recarregadas.

– Perda de capacidade da bateria – Como já bastante conhecido nos telefones móveis, com o tempo a bateria vai perdendo capacidade de armazenar energia, o que de modo algum é interessante.

– Pontos de recarga – Este é um dos complicadores: onde instalar o equipamento de carga rápida? E quem não tem garagem em casa? E numa viagem, quando existirão suficientes pontos de recarga rápida na estrada?

– Permanência nos pontos de recarga público – Como esses pontos podem ser também vagas, o carro terá que ser tirado delas quando a bateria estiver carregada.

– Pagar pelo estacionamento – No caso de estacionamentos públicos pagos, é uma despesa a mais para ter a bateria carregada.

– Investimento inicial – O carro elétrico é mais caro que o convencional, pois as baterias ainda são muito caras.

– “Fantasma” – Por maior que seja a autonomia (que já pulou de 100 para 400 km nos últimos dois anos), ainda não se afastou o fantasma de ficar na rua com as baterias arriadas. Exceção: elétricos com um motor a combustão para recarregá-las ou movimentar o carro no evento de a bateria descarregar-se. Mas, tudo tem seu custo…

– “Plano de voo” – Utilizar carro elétrico exige algum planejamento quanto a autonomia e postos de recarga, ao contrário dos carros convencionais. Não se pode, como nestes, parar rápido num posto de combustíveis e colocar, em poucos minutos, um pequeno volume de combustível, uma “pingada”, um “splash and go”.

– Carga de auxílio – Por enquanto não se sabe se haverá carga de auxílio na estrada no caso de a bateria descarregar-se completamente, como um power bank de telefone celular, o que num carro convencional cinco litros de combustível comprado num posto resolve o problema.

– Desencarceramento complicado – Devido à alta tensão da bateria de tração, da ordem de 350 volts, o desencarceramento das vítimas presas no interior do veículo requer equipes de salvamento altamente especializadas, pois uma descarga elétrica com essa tensão é mortal.

– Opções – Ainda são poucos os fabricantes de carros elétricos e as opções para o consumido

Uma solução doméstica
No Brasil, solução adequada seria do carro elétrico sem bateria de tração. Uma célula, ou pilha, de hidrogênio (fuel cell) produziria a eletricidade para os motores. O tanque seria abastecido com álcool de onde se extrairia o hidrogênio para a fuel cell. Somos o único país no mundo que já tem uma rede de postos com bombas de álcool em número igual às de gasolina. E a Unicamp já desenvolve um projeto (parceria com a Nissan) para reduzir custo e peso do reformador, equipamento que extrai o H2 do etanol.

https://www.autoentusiastas.com.br/2019/05/carro-eletrico-pros-e-contras/

Comentários

Notícias mais vistas:

Este restaurante é tão bom que há pessoas proibidas por lei de irem lá comer

  Não é um local que sirva para ir todos os dias, mas antes em ocasiões bastante especiais. Ainda assim, nem nessas circunstâncias algumas pessoas podem entrar, mesmo que ninguém saiba porquê Como refúgio secreto outrora reservado aos antigos imperadores da China, para além da vigilância dos homens de negro que guardam a entrada em frente ao histórico Templo Lama de Pequim, um estreito caminho de pedra conduz silenciosamente a um pátio. A névoa flutua suavemente ao longo da passadeira. No final do mesmo, uma mulher envolta num manto simples sobre um vestido tradicional chinês aguarda junto a um muro caiado que protege o pátio das ruas movimentadas da antiga Pequim. Com um gesto delicado, convida os visitantes a entrar no restaurante. Não é o tipo de restaurante que se frequenta todos os dias. É um local reservado para ocasiões especiais: pedidos de casamento, aniversários ou receções. Contudo, há um tipo de convidado que não pode desfrutar do elegante estabelecimento, nem mesmo em ...

Construção da maior central solar em Portugal encravada há mais de dois anos na justiça, apesar de aprovada

Santa Luzia in northeastern Brazil.  EPA/SEBASTIAO MOREIRA  Desde 2024 que a autorização ambiental dada à central solar Fernando Pessoa foi suspensa por decisão do juiz e após impugnação do Ministério Público. Agência do Ambiente recorreu, mas não há decisão. A maior central solar aprovada para Portugal, com mais de mil megawatts (MW) de potência, está parada há mais de dois anos, na sequência de processos judiciais colocados contra a aprovação emitida pelas autoridades ambientais. A atribulada história do projeto, que foi batizado com o nome do poeta Fernando Pessoa, mostra que o licenciamento ambiental — por intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza de Florestas) — nem sempre é o maior obstáculo à execução dos projetos de energias renováveis. A central solar fotovoltaica Fernando Pessoa está prevista para o concelho de Santiago do Cacém e obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em jane...

Trump anuncia que cessar-fogo com Irão “acabou” e corta relações comerciais com Espanha

 "Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles", avisou o Presidente norte-americano, a partir de Ancara, quando questionado sobre se o memorando de entendimento com Teerão tinha chegado ao fim. O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que o memorando de entendimento assinado com o Irão para pôr fim ao conflito “acabou”, acrescentando que não quer manter contactos com Teerão e referindo-se aos líderes iranianos como “pessoas doentes”. As declarações do líder da Casa Branca, que se encontra em Ancara, na Turquia, para participar na cimeira da NATO, surgem após os Estados Unidos terem lançado novos ataques militares contra o Irão e revogarem uma licença que permitia a Teerão vender petróleo, em resposta aos ataques a três petroleiros. “É uma questão muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles. São escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes“, afirmou o Chefe de Estado norte-americano, quando questionado...