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Europa prepara plano para desbloquear Ormuz sem EUA


Navio-tanque de gás ancorado devido à redução do tráfego no Estreito de Ormuz , durante o conflito entre EUA e Israel com o IrãoBenoit Tessier/Reuters


 O jornal The Wall Street Journal noticiou esta quarta-feira que a França e o Reino Unido estão a preparar um plano para desbloquear o Estreito de Ormuz após o fim da guerra com o Irão, sem envolver os Estados Unidos.


Segundo o jornal norte-americano, a Alemanha poderá juntar-se ao projeto, que poderá necessitar de um mandato da ONU ou da União Europeia.


O Wall Street Journal, que publica detalhes do plano, adianta que o Palácio do Eliseu anunciou que irá discutir uma estratégia na sexta-feira, numa videoconferência presidida pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.


Esta missão será "puramente defensiva", procurando restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e envolvendo países "não-beligerantes", o que exclui os Estados Unidos, Israel e o Irão, especificou o gabinete de Macron.


China e Índia foram convidadas

Segundo o WSJ, a missão consistirá, em primeiro lugar, em ajudar as centenas de navios presos no estreito a sair, passando depois para uma operação para remover as minas colocadas no local pelo Irão no início da guerra. Por fim, serão fornecidas escoltas militares regulares e vigilância para proteger as embarcações comerciais.


Embora a lista dos países que participam na reunião de sexta-feira ainda não seja clara, o jornal refere que tanto a China como a Índia foram convidadas - mas ainda não confirmaram a sua presença - e que a Alemanha fará provavelmente parte do plano, de acordo com um responsável alemão que pediu o anonimato.


A operação terá um perfil mais impactante se conseguir incorporar a Alemanha, que tem recursos essenciais e mais espaço fiscal para a financiar.


No entanto, Berlim enfrenta muitos obstáculos políticos e legais para entrar em missões militares no estrangeiro, observa o jornal nova-iorquino.


Para participar na operação, o Governo alemão necessitaria de aprovação parlamentar, o que, por sua vez, exige um mandato internacional específico.


Esta autoridade poderia vir do Conselho de Segurança da ONU, cujo capítulo IV autoriza o uso da força para além da legítima defesa, mas cuja ativação é complexa.


Em alternativa, a União Europeia poderá optar por alargar o mandato da sua missão EUNavfor 'Aspides', que pode operar desde o Mar Vermelho até ao Golfo Pérsico e parte do Oceano Índico, e que visa proteger os navios de ataques por via marítima ou aérea.


Há um mês, a Espanha manifestou a sua oposição à expansão desta missão devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, mas o WSJ afirma que a operação proposta por Paris e Londres seria modelada a partir da 'Aspides', bem como da 'coligação de aliados' constituída em resposta à guerra na Ucrânia.


O Reino Unido está preocupado, no entanto, com a possibilidade de o Presidente norte-americano, Donald Trump, se opor à operação - por não ter sido incluído -, limitando o âmbito da missão, depois de os líderes europeus se terem recusado a ajudá-lo primeiro a desbloquear o Estreito de Ormuz através da força e depois a bloquear os portos iranianos, indica o jornal.


Europa prepara plano para desbloquear Ormuz sem EUA - SIC Notícias


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