Avançar para o conteúdo principal

Forças da NATO não conseguiram detetar drones ucranianos em exercício militar em Portugal

 

Drone Magura V7 da Inteligência Militar da Ucrânia, equipada com mísseis terra-ar, encontra-se num local não revelado na Ucrânia, no sábado, dia 6 de dezembro de 2025.
 Drone Magura V7 da Inteligência Militar da Ucrânia, equipada com mísseis terra-ar, encontra-se num local não revelado na Ucrânia, no sábado, dia 6 de dezembro de 2025.  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo

O exercício experimental militar REPMUS25 aconteceu ao largo da costa portuguesa, no distrito de Setúbal, e pôs a nu algumas fragilidades das forças navais da NATO. Em cenário de guerra drones ucranianos teriam afundado uma fragata.

O exercício experimental REPMUS 25, em paralelo com o exercício DYMS da NATO e considerado o maior a nível mundial no que diz respeito a sistemas não tripulados em âmbito marítimo, realizou-se entre Tróia e Sesimbra, no distrito de Setúbal, em setembro de 2025.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

No local estiveram duas equipas opositoras: a força RED ("força inimiga") liderada por militares da Ucrânia, que participou pela primeira vez, e por militares americanos, britânicos e espanhóis; e a força BLUE ("força amiga"), representada pelas forças da NATO. Na simulação ganhava quem conseguisse alvejar mais vezes os navios inimigos.

Uma fonte ucraniana envolvida no exercício relatou ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung ( acesso fechado), que em cinco cenários do treino as forças ucranianas (RED) ganharam às forças da NATO (BLUE), o que mostrou, não só a capacidade dos equipamentos militares marítimos da Ucrânia, como as vulnerabilidades de defesa dos Aliados.

Segundo a mesma fonte, os ucranianos levaram várias versões do seu drone naval Magura V7 para os exercícios que contribuíram em muito para o sucesso da operação.

Em setembro, na altura em que decorreram os exercícios, o portal de notícias militares ucraniano Militarnyi (fonte em ucraniano) tinha confirmado a utilização destes USV (veículos de superfície não tripulados) no exercício da NATO em Portugal, descrevendo a atualização feita no Magura V7.2.

"A versão atualizada do Magura v7.2 passou por alterações no casco, onde os lançadores de mísseis foram movidos da popa para o convés central, e as saídas do coletor de escape foram reposicionadas das laterais. Além disso, a câmara foi reposicionada mais acima no mastro, onde também passou a integrar o radar de navegação de bordo", pode-se ler.

Ainda ao jornal alemão FAZ, a fonte exemplificou que, num dos exercícios, a equipa vermelha conseguiu atingir a fragata da NATO vezes suficientes "para a afundar num cenário real de guerra" e adiantou também que um dos fatores mais preocupantes é que a equipa da aliança Atlântica não terão sequer conseguido detetar a aproximação dos Magura V7.

"O problema não era eles não nos conseguirem parar. O problema é que eles nem viram as nossas armas", revelou a fonte ucraniana ao jornal FAZ.

 drone Magura V7 da Inteligência Militar da Ucrânia, equipada com mísseis terra-ar, encontra-se num local não revelado na Ucrânia, no sábado, dia 6 de dezembro de 2025.
drone Magura V7 da Inteligência Militar da Ucrânia, equipada com mísseis terra-ar, encontra-se num local não revelado na Ucrânia, no sábado, dia 6 de dezembro de 2025. AP Photo

A Euronews acompanhou o exercício, em setembro, e em entrevista com o capitão Valter de Bulha Almeida, o mesmo admitiu que a participação da Ucrânia era "muito importante porque nos traz os procedimentos e as táticas que estão a utilizar na linha da frente", acrescentando que estavam a ser testadas muitas técnicas e procedimentos utilizadas em cenários reais.

"É muito importante compreendermo-nos uns aos outros e compreender as capacidades de todas as unidades, de todos os participantes no exercício, incluindo a equipa ucraniana", referiu.

Desde o início da invasão russa, em 2022, que a Marinha ucraniana tem utilizado drones marítimos na defesa do Mar Negro.

Mudança de paradigma

Na Revista Armada, no artigo sobre o REPMUS 25, a Marinha portuguesa refere no seu balanço final que estes exercícios, frequentemente feitos em Portugal, evoluíram a nível de complexidade "com o emprego de sistemas não tripulados com um maior grau de maturidade tecnológica (technology readiness level – TRL)", como são o caso dos Magura V7, ainda que não os tivesse referido.

"À medida que os sistemas não tripulados vão evoluindo, o REPMUS 25 deixa um legado importante: o entendimento que o futuro de uma Marinha moderna será híbrido, onde plataformas tripuladas e não tripuladas atuam em sinergia como um todo coerente", refere ainda o mesmo artigo.

Existem avanços contínuos da inovação tecnológica com novos sistemas que representam também eles novos desafios como se mostrou neste exercício.


Forças da NATO não conseguiram detetar drones ucranianos em exercício militar em Portugal | Euronews


Comentários

Notícias mais vistas:

"Denúncia caluniosa" transformou sete semanas de sonho na vida de um empresário em vários anos de pesadelo

 João abriu uma empresa em Portugal no final de 2019 ligada à compra e venda de bitcoins. Cumpriu todas as regras, mas viu as contas bancárias bloqueadas. Suspeitas de burla e branqueamento deram origem a um processo que só foi arquivado em 2024. O Ministério Público admitiu no despacho final que houve “denúncia caluniosa” e que a empresa tinha procedimentos de segurança além dos exigidos por lei. O que é certo é que a empresa fechou por culpa de uma justiça lenta. A pessoa “é condenada antes de qualquer conclusão”, lamentou à CNN Portugal o empresário Nasceu no Brasil, mas reside na Alemanha há mais de uma década. João (nome fictício) sempre se sentiu atraído pelo mundo do trading e pelas novas tecnologias. Decidiu abrir uma empresa de compra e venda de criptomoedas em Portugal, mas o sonho transformou-se num pesadelo. A empresa apenas funcionou sete semanas, mas esteve quatro anos perdido entre a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP). Os montantes elevados de alguma...

Salário mínimo cada vez mais perto do mediano. O rácio entre os dois já chega aos 91%, diz o Banco de Portugal

O governador do Banco de Portugal, Álvaro dos Santos Pereira. Foto: JOÃO RELVAS/LUSA  Banco de Portugal avisa que esta compressão da distribuição salarial levanta questões relativamente aos incentivos dos trabalhadores e à dinâmica da produtividade da economia. A distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem no setor privado tem registado uma compressão, nomeadamente associada ao salário mínimo, que tem um “papel central” na formação dos ordenados, conclui uma análise do Banco de Portugal. O rácio entre o salário mínimo e o salário mediano subiu para 91% em 2025. Segundo a caixa divulgada esta segunda-feira, sobre a distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem, que estará disponível no Boletim Económico de junho, os aumentos salariais mais elevados ocorrem nos níveis inferiores associados ao salário mínimo, por via da atualização deste valor. No verão, a atualidade não fica em pausa.Assine por 39,90€/ano habilite-se a ganhar 1 estadia num hotel ...

Valor do salário mediano próximo do mínimo? "É gravíssimo", alerta Cotrim

 O antigo líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, considerou "gravíssimo" que o salário mediano em Portugal esteja apenas 110 euros acima do salário mínimo nacional. O liberal alerta que esta proximidade desvaloriza a qualificação. O antigo líder da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, considerou que "é gravíssimo" que o salário mediano em Portugal esteja com valores tão próximos com o salário mínimo nacional.    "O salário bruto mediano em Portugal são 1.030 euros, isto quer dizer que há 50% dos trabalhadores que ganham mais de 1.030 euros e 50% de trabalhadores ganham menos de 1.030", começou por explicar no seu espaço de comentário "Visto Assim Daqui", na SIC Notícias, frisando que "isto já é mau porque não é um valor extraordinário". Cotrim Figueiredo sublinhou que "o pior" é que "estes 1.030 euros são apenas 110 euros mais altos do que os 920 euros" do salário mínimo nacional. "Está...