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"Estamos a preparar o futuro": exército português estreia 'drone de ataque' e anuncia unidades especializadas em sistemas antidrone



 Aparelho distingue-se pela maior precisão e pelo menor risco de danos colaterais

O Exército português testou esta quarta-feira, pela primeira vez e "com sucesso", um drone de ataque e anunciou a criação de unidades especializadas em drones e sistemas antidrone, com reforço de formação e recrutamento numa aposta no combate moderno.


“Estamos a preparar o futuro [...] fizemos os testes dos ‘drones de ataque’, com sucesso, e é uma capacidade em que o Exército está a investir”, afirmou à Lusa o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Eduardo Mendes Ferrão, no Campo Militar de Santa Margarida, Constância, no distrito de Santarém.


O anúncio surge no dia em que o Exército testou, pela primeira vez, um drone de ataque - também conhecido como ‘loitering munition’ - num exercício multinacional com Espanha e França, num momento considerado inédito na força terrestre portuguesa.


“É adquirir o que já existe no mercado, mas também desenvolver sistemas totalmente feitos em Portugal, com a indústria e tecnologia nacionais”, acrescentou o responsável, sublinhando a aposta na inovação e na autonomia tecnológica.


O teste decorreu no âmbito do exercício Strong Impact 2026, o maior treino anual de artilharia, que juntou 417 militares, incluindo de Espanha e França, e incluiu uma sessão de fogos reais com integração de sistemas não tripulados.


Este tipo de drone distingue-se por poder permanecer no ar, identificar alvos em tempo real e atacar apenas no momento mais adequado, permitindo maior precisão e menor risco de danos colaterais face aos sistemas tradicionais.


“Aquilo que vemos nos conflitos atuais mostra que os fogos continuam relevantes, mas têm de ser modernizados”, disse Mendes Ferrão, apontando para uma transformação mais ampla da artilharia e dos sistemas de combate.


Segundo o general, esta modernização inclui também a aquisição de novos obuses, mísseis antiaéreos e sistemas de comando e controlo, bem como o desenvolvimento de capacidades antidrone, cujas primeiras entregas são esperadas a partir do próximo ano.


“Hoje, numa guerra digitalizada, precisamos de sistemas de comando e controlo que permitam trabalhar de forma integrada com as outras armas e com os nossos aliados”, afirmou.


Além da componente tecnológica, o chefe do Exército destacou como principal desafio a formação de militares, alertando para a necessidade de adaptação rápida às novas exigências operacionais.


“O grande desafio são as pessoas, pela necessidade de garantir não apenas quantidade, mas sobretudo qualidade operacional, e por isso estamos a apostar fortemente na formação e no treino adaptados às novas capacidades. Ao mesmo tempo, temos de mudar rapidamente processos, doutrinas e procedimentos para integrar estes sistemas e operá-los com eficácia”, disse o general.


O Exército já dispõe de uma unidade dedicada a sistemas aéreos não tripulados, mas prevê agora expandir o uso de drones a diferentes escalões, desde microdrones para unidades no terreno até sistemas mais complexos operados por equipas especializadas.


Também presente no exercício, o diretor do Strong Impact, coronel Nelson Rego, destacou o caráter pioneiro da iniciativa.


“Somos um dos primeiros países da NATO a adquirir drones de ataque e hoje foi a primeira vez que testámos este sistema, o que nos dá uma vantagem competitiva”, afirmou.


Segundo o oficial, estes sistemas representam “uma alteração drástica” nos procedimentos e doutrina, permitindo ao comandante acompanhar e decidir sobre o alvo até ao último momento.


O exercício incluiu ainda o uso de drones de vigilância desenvolvidos por empresas portuguesas, no âmbito de parcerias com a indústria nacional para o desenvolvimento de novas capacidades militares.


Num contexto internacional marcado por conflitos, o Chefe de Estado Maior do Exército afirmou que a integração de drones, sistemas antidrone e novas plataformas de artilharia é “essencial para garantir a prontidão operacional e a interoperabilidade com aliados” da NATO.


"Estamos a preparar o futuro": exército português estreia 'drone de ataque' e anuncia unidades especializadas em sistemas antidrone - TVI Notícias


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