Avançar para o conteúdo principal

Europa alertada para risco de escassez de combustível e energia já no próximo mês

 

crude brent petroleo

"O Sul da Ásia foi o primeiro a sentir o impacto. Este deslocou-se para o Sudeste e o Nordeste Asiático e, depois, intensificar-se-á na Europa à medida que entrarmos em abril"


Wael Sawan, CEO da Shell, a maior empresa petrolífera da Europa, revelou estar em contacto com os governos europeus de forma a ajudar a lidar com a crise de abastecimento de petróleo e gás natural que, nesta fase, já levou ao racionamento de energia em vários países asiáticos.

Exemplo disso é o Sri Lanka que, face à crise, decretou um feriado semanal às quartas-feiras no setor público e a imposição de limites ao abastecimento: 15 litros para automóveis e cinco para motociclos. Esta tendência replica-se nas Filipinas, onde o teletrabalho passou a ser obrigatório pelo menos um dia por semana em vários organismos do Estado. Na Tailândia, a estratégia focou-se na redução do consumo de ar condicionado, através do trabalho remoto e da recomendação do uso de vestuário leve. Já em Myanmar, a solução passou pela restrição da circulação rodoviária, permitindo o uso de veículos particulares apenas em dias alternados, consoante o número da matrícula.

As revelações foram feitas à margem de uma conferência de energia em Houston, nos Estados Unidos. Citado pelo jornal The Guardian, o líder da Shell afirmou: "O Sul da Ásia foi o primeiro a sentir o impacto. Este deslocou-se para o Sudeste e o Nordeste Asiático e, depois, intensificar-se-á na Europa à medida que entrarmos em abril."

Sawan relembrou ainda que a crise, que entrou esta segunda-feira na quarta semana, afetou já o fornecimento de combustível para a aviação, projetando que o gasóleo será a próxima "vítima" a sofrer pressão, seguido da gasolina.

Este alerta foi reforçado pela ministra alemã da Economia, Katherina Reiche, que, durante a mesma conferência, afirmou que a escassez de fornecimento de energia pode ocorrer já no final de abril ou início de maio, caso o conflito dos EUA e Israel contra o Irão se prolongue. A ministra alemã acrescentou ainda ter sido um erro a Alemanha abandonar a energia nuclear, sublinhando que o aumento das importações de gás através de navios-tanque pode ser uma parte importante da solução.

Consequências "profundas" para a economia global

Esta ameaça constante sobre os fornecimentos energéticos da Europa poderá conduzir a uma recessão económica prolongada, sobretudo se o petróleo atingir os 150 dólares por barril. Numa entrevista à BBC, o líder da gestora norte-americana BlackRock, Larry Fink, afirmou que, se o Irão "continuar a ser uma ameaça" e os preços do petróleo permanecerem elevados, haverá consequências "profundas" para a economia mundial.

Embora seja prematuro definir a escala total e o desfecho do conflito, Fink delineou dois cenários: um em que a resolução do conflito permite que os preços regressem aos níveis pré-crise (cerca de 70 dólares por barril) e outro em que a guerra impulsiona os preços para máximos históricos.

Recorde-se que vários países europeus estão já a adotar medidas para combater a crise e o aumento significativo do preço do gás e combustíveis, sendo que a resposta tem passado sobretudo por cortes de impostos e apoios diretos. A Eslovénia, no entanto, destaca-se por ser o primeiro país da União Europeia a impor o racionamento: os condutores particulares só podem abastecer 50 litros por dia, enquanto empresas e agricultores estão limitados a 200 litros.

A medida entrou em vigor no passado domingo com o intuito de travar o chamado "turismo de combustível". Cidadãos de países vizinhos, como a Áustria e a Itália, estavam a congestionar os postos de abastecimento junto às fronteiras devido aos preços competitivos praticados no país: 1,47 € para a gasolina e 1,53 € para o gasóleo.


Europa alertada para risco de escassez de combustível e energia já no próximo mês - CNN Portugal


Comentários

Notícias mais vistas:

J.K. Rowling

 Aos 17 anos, foi rejeitada na faculdade. Aos 25 anos, sua mãe morreu de doença. Aos 26 anos, mudou-se para Portugal para ensinar inglês. Aos 27 anos, casou. O marido abusou dela. Apesar disso, sua filha nasceu. Aos 28 anos, divorciou-se e foi diagnosticada com depressão severa. Aos 29 anos, era mãe solteira que vivia da segurança social. Aos 30 anos, ela não queria estar nesta terra. Mas ela dirigiu toda a sua paixão para fazer a única coisa que podia fazer melhor do que ninguém. E foi escrever. Aos 31 anos, finalmente publicou seu primeiro livro. Aos 35 anos, tinha publicado 4 livros e foi nomeada Autora do Ano. Aos 42 anos, vendeu 11 milhões de cópias do seu novo livro no primeiro dia do lançamento. Esta mulher é JK Rowling. Lembras de como ela pensou em suicídio aos 30 anos? Hoje, Harry Potter é uma marca global que vale mais de $15 bilhões. Nunca desista. Acredite em você mesmo. Seja apaixonado. Trabalhe duro. Nunca é tarde demais. Esta é J.K. Rowling. J. K. Rowling – Wikipédi...

O fim do dinheiro físico: estamos a um apagão de perder tudo?

Primeiramente, estamos a caminhar a passos largos para uma dependência quase total das infraestruturas digitais no nosso dia a dia. Quando pagas um simples café com o smartphone ou com o cartão, dependes da bateria do teu equipamento, da qualidade da rede da tua operadora, dos servidores do teu banco e das plataformas de processamento de pagamentos. Consequentemente, se apenas um destes elos falhar, a transação não acontece e o sistema cai por terra. O fim do dinheiro físico pode levar-nos a perder tudo num apagão? Fim do dinheiro físico: o cerco cada vez mais apertado às notas e moedas Além disso, a legislação europeia e nacional está a apertar o cerco ao uso de dinheiro vivo, o que acelera esta transição para o digital. A União Europeia aprovou recentemente um limite máximo de 10 000 euros para pagamentos em numerário, uma regra que entrará em vigor em todos os Estados-membros até 2027. Por outro lado, em Portugal, as restrições já são significativamente mais severas. Atualmente, a l...

“Isso é mais assustador do que uma bomba nuclear”, reage CZ, da Binance, aos lobos robôs de combate da China

  A China começou a treinar seus robôs-lobos para realizar missões de ataque. O fundador Binance Changpeng Zhao, teme que esses robôs não tripulados sejam inevitáveis ​​em todos os países. A emissora estatal chinesa CCTV divulgou recentemente um vídeo de 5 minutos mostrando lobos robôs simulando uma batalha de rua. Alguns estavam equipados com armas de fogo, enquanto outros carregavam micromísseis e lançadores de granadas. A China exibe seus lobos robôs prontos para o combate Os robôs podem transportar cargas de até 25 kg e transpor obstáculos de até 30 cm de altura. Eles conseguem arrombar portas e se deslocar com segurança em terrenos irregulares a uma velocidade máxima de 15 km/h, como mostra o vídeo. As unidades também contam com recursos avançados de inteligência artificial que permitem o processamento de dados em tempo real, possibilitando a coordenação autônoma.  As imagens também mostraram que os lobos robôs são capazes de se coordenar com outras unidades aéreas para u...