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Um “super El Niño” pode estar a caminho: o que significa para a temperatura do mundo



 O fenómeno climático El Niño pode regressar já este verão de forma intensa e há a possibilidade, ainda que reduzida, de evoluir para um “super El Niño”, capaz de empurrar as temperaturas globais para níveis muito elevados. Os especialistas alertam, no entanto, que a intensidade ainda é incerta.


Um “super El Niño” pode estar a caminho: o que significa para a temperatura do mundo

Os meteorologistas prevêem que o fenómeno climático El Niño poderá formar-se entre junho e agosto, com uma probabilidade de 62%, segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (NOAA).


O Oceano Pacífico tropical encontra-se atualmente no meio do fenómeno La Niña, que corresponde à fase fria deste ciclo climático, que deverá terminar nas próximas semanas à medida que o oceano aquece.


O que é o El Niño e La Niña

O El Niño é a fase quente de um ciclo natural conhecido como Oscilação Sul do El Niño (ENSO), que resulta de variações na temperatura das águas do Oceano Pacífico tropical.


Durante o El Niño, as águas superficiais do oceano ficam mais quentes do que o normal na zona central e oriental do Pacífico - ocorre se as temperaturas da superfície do mar atingirem e se mantiverem pelo menos 0,5 graus Celsius acima da média a longo prazo. Este aquecimento altera os padrões atmosféricos e pode influenciar o clima em várias regiões do planeta.


Em termos globais, o fenómeno tende a aumentar a temperatura média da Terra. Em algumas regiões, pode provocar secas; noutras, chuvas intensas e inundações.


A fase fria do ENSO, quando as temperaturas da superfície do mar descem pelo menos 0,5 graus Celsius abaixo da média de longo prazo, chama-se La Niña.


Pode tornar-se um “super El Niño”?

Há a possibilidade de o fenómeno se intensificar. Um “super El Niño” ocorre quando a temperatura da superfície do mar fica pelo menos 2 °C acima da média durante um período prolongado.


A empresa AccuWeather estima uma probabilidade de 15% para esse cenário até ao final da época de furacões, em novembro.


"A intensidade é incerta, mas existe potencial para um El Niño moderado a possivelmente forte neste outono e inverno", afirmou à Live Science Paul Pastelok, meteorologista e principal especialista em previsões de longo prazo para os EUA na AccuWeather.

Já o Centro de Previsão Climática da NOAA aponta para cerca de 33% de probabilidade de um El Niño forte entre outubro e dezembro, mas sublinha que a intensidade é “muito incerta”.


O último El Niño entre 2023 e 2024

O El Niño mais recente ocorreu entre 2023 e 2024 e contribuiu para temperaturas globais recorde. O ano de 2024 foi o mais quente desde que há registos.


Apesar de, nesse período, as temperaturas do oceano terem ultrapassado o limiar de um “super El Niño”, não se mantiveram elevadas durante tempo suficiente para que fosse classificado como tal.


O último “super El Niño” confirmado ocorreu entre 2015 e 2016.


Impacto nas temperaturas globais

Se o El Niño se desenvolver em 2026, é provável que contribua para um aumento das temperaturas globais.


Ainda assim, os especialistas consideram pouco provável que 2026 ultrapasse o recorde de 2024, em parte porque o ano começou sob a influência do La Niña, que tende a arrefecer temporariamente o planeta.


Já 2027 poderá ser mais crítico. Isto acontece porque o efeito do El Niño nas temperaturas globais costuma surgir com algum atraso, de vários meses.


O cientista climático e analista de sistemas energéticos, Zeke Hausfather, não tem dúvidas:

"O El Niño está a chegar. Isto elevaria a nossa estimativa para as temperaturas globais de 2026 (embora ainda seja improvável que ultrapasse 2024 como o ano mais quente) e tornaria 2027 muito provavelmente o ano mais quente de que há registo, dado o desfasamento histórico entre o ENSO e a temperatura à superfície", escreveu no X.

Os cientistas lembram que diversos fatores influenciam o clima e o tempo e os fenómenos como El Niño e La Niña influenciam o clima de forma temporária.


São já poucos os cantos do mundo que podem dizer que não sentem as consequências das alterações climáticas. Dos violentos fogos na Califórnia e na Austrália, ao degelo no Ártico e na Antártida, às inundações sem precedentes na Europa e na China, a verdade é inegável. O que acontece no planeta se as temperaturas aumentarem mais do que 1,5ºC, 2ºC ou 4ºC?


Um “super El Niño” pode estar a caminho: o que significa para a temperatura do mundo - SIC Notícias


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