Avançar para o conteúdo principal

Amianto nas escolas está a ser substituído por painéis com material inflamável

As coberturas de amianto nas escolas estão a ser substituídas por poliuretano, um derivado do petróleo. Este tipo de materiais combustíveis, usados como isolamento, são a origem de incêndios caracterizados pelo elevado número de vítimas mortais.

Em muitas escolas, as coberturas com amianto estão a ser substituídas por painéis que contém um material muito inflamável. Esse material é da mesma família do que foi utilizado na associação recreativa, em Tondela, onde morreram oito pessoas no passado sábado, na sequência de um incêndio.

Segundo José António Jesus, presidente da Câmara de Tondela, o material em causa é o poliuretano, um derivado do petróleo. De acordo com o Público, este é o material que está a ser aplicado nas escolas, embora de forma diferente da que foi utilizada na associação recreativa.

O Ministério da Educação, porém, não especifica quais os materiais utilizados nas escolas, dizendo apenas que “variam consoante a solução construtiva pré-existente nos edifícios escolares a intervencionar”. Mas, embora não tenha divulgado especificamente o material utilizado na substituição das coberturas de amianto, o jornal diz tratar-se de poliuretano.

O poliuretano, também conhecido por PUR, é um material combustível que em certas situações pode ser altamente inflamável, disse ao jornal o engenheiro e investigador principal do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Carlos Pina dos Santos.

O poliuretano projetado, utilizado para revestir coberturas ou paredes, não é protegido por outros materiais, ficando exposto a ignições. Este tipo de utilização constitui “um risco inadmissível”, pelo que não é aconselhada pelo LNEC. Esta terá sido a forma como o poliuretano foi utilizado na associação.

No que concerne à maioria das escolas em que é utilizado, o poliuretano está confinado entre duas chapas de metal – os painéis sanduíche. Utilizado desta forma, segundo Pina dos Santos, a grande rapidez de propagação bem como a rápida libertação de gases tóxicos são reduzidas.

No entanto, avança o Público, estes painéis necessitam de cumprir os requisitos de reação ao fogo exigidos na lei. São, assim, sujeitos a testes obrigatórios e os resultados fixam quais os usos que poderão ter.

Ainda assim, Marco Miguel, especialista de segurança contra incêndios da Associação Portuguesa de Segurança, refere que “o poliuretano é altamente combustível e o seu uso bastante problemático”, acrescentando que embora haja regulamentação, não é muito esclarecedora.

No entanto, não se sabe se as obras de substituição das coberturas de amianto foram fiscalizadas depois da sua conclusão ou se essas fiscalizações cumpriram o que está definido no código de segurança contra incêndios em edifícios, caso tenham existido.

No caso das escolas, a lei prevê que a entidade competente para realizar estas inspeções é a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC).

Ao Público, o Ministério da Educação esclareceu que, no início de dezembro, teve uma reunião com a ANPC “para estabelecer uma metodologia conjunta que garanta o cumprimento do regime jurídico da segurança contra incêndios em todas as escolas”.

“Neste momento existem procedimentos para a realização de inspeções periódicas em escolas públicas do território nacional”. No entanto, o ministério não indicou se estas inspeções já têm sido feitas ou em quantas escolas se realizaram.

https://zap.aeiou.pt/as-coberturas-amianto-nas-escolas-estao-substituidas-paineis-material-inflamavel-187782

Comentários

Notícias mais vistas:

Vem aí um Super El Niño histórico em 2026: o que significa para Portugal

  Se tens acompanhado as notícias sobre o clima, já percebeste que a meteorologia de 2026 promete ser muito complicada. Efetivamente, os especialistas do portal  lusometeo.com  alertam que a formação de um Super El Niño em 2026 é agora uma certeza absoluta e os modelos matemáticos mostram dados extremos. Por isso, preparamo-nos para enfrentar o episódio mais violento do último século. O oceano Pacífico Equatorial Leste pode registar um aumento assustador de três graus centígrados acima da média, criando uma bomba-relógio atmosférica. Super El Niño histórico em 2026: afinal, como é que isto afeta o nosso país? Antes de mais, existe um mito muito comum que precisa de ser desfeito imediatamente. Como explica claramente a equipa do portal lusometeo.com, este fenómeno não tem uma ligação direta com o estado do tempo diário em Portugal. Neste sentido, não vais sentir um impacto meteorológico automático no teu quintal só porque o Pacífico aqueceu. Contudo, isto não significa de ...

Constância e Caima

  Fomos visitar Luís Vaz de Camões a Constância, ver a foz do Zêzere, e descobrimos que do outro lado do arvoredo estava escondida a Caima, Indústria de Celulose. https://www.youtube.com/watch?v=w4L07iwnI0M&list=PL7htBtEOa_bqy09z5TK-EW_D447F0qH1L&index=16

Preços dos combustíveis: Quanto é que o Estado está a arrecadar a mais?

 A DECO PROteste considera que o desconto no ISP é uma medida positiva, mas com os combustíveis acima de dois euros por litro é preciso ir mais longe. Os preços dos combustíveis têm estado a subir no seguimento da guerra no Médio Oriente e o Governo anunciou um desconto no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) para mitigar o impacto. Segundo cálculos da DECO PROteste, com esta medida há um "valor praticamente neutro da receita fiscal para o Estado", mas a organização de defesa do consumidor considera que é necessário ir mais longe.  "Atualmente, na gasolina simples, cerca de 98 cêntimos de cada litro de combustível pago pelos consumidores correspondem a taxas e impostos, como o IVA, o ISP e a taxa de carbono. No gasóleo, esse valor é de cerca de 84 cêntimos por cada litro de combustível. A estes valores, acresce ainda a imposição de incorporação de biocombustíveis, o que pressupõe mais um custo para o consumidor. Por isso, sempre que o preço base dos combustíveis sob...