Avançar para o conteúdo principal

Cientistas estão a tentar alterar ADN pela primeira vez num doente vivo

Um grupo de cientistas da Califórnia, no Estados Unidos da América, está a tentar pela primeira vez alterar o ADN de um doente com o objetivo de curar uma doença rara, o Síndrome de Hunter.

A experiência foi feita esta segunda-feira na Califórnia, nos EUA, num doente que sofre de Síndrome de Hunter, uma doença metabólica caracterizada pela falta de uma enzima que controla determinados hidratos de carbono que se acumulam nas células, causando lesões no organismo.

Segundo a Associated Press, através da SB-913, terapia intravenosa que envolve um procedimento chamado “nuclease de dedo de zinco”, o doente recebeu milhares de cópias de um gene corretivo, que foi inserido no seu material genético com uma ferramenta que corta o ADN num local específico.

Sandy Macrae, presidente da Sangamo Therapeutics – empresa que está a testar a técnica na Califórnia – explicou à Associated Press que a metodologia da equipa científica permitiu “cortar” e “abrir” o ADN, inserir o gene corretivo e “cosê-lo” novamente.

A SB-913 inclui um novo gene e duas “nucleases de dedo de zinco”, uma classe de proteínas de ligação de ADN que facilitam a edição do genoma. As instruções genéticas para cada um destes três elementos foram colocadas num vírus modificado, para não causar infeções, permitindo assim que milhares de células fossem injetadas no doente.


Em 2016, cientistas já tinham utilizado uma técnica semelhante de edição genética em embriões – a técnica de edição de genes CRISPR, uma ferramenta que permite cortar uma porção de código genético e introduzi-la novamente num ponto específico da cadeia de ADN, permitindo o seu estudo em tempo real.

As técnicas são semelhantes, mas a SB-913 consiste em injetar no sangue um vírus geneticamente modificado com milhares de genes corretivos.

As nucleases de dedo de zinco “cortam” o ADN, permitindo que o novo gene corretivo entre na sequência genética do paciente, levando as células a produzir a enzima de que o paciente carece. Macrae considera a técnica uma “reparação invisível” de ADN.

No entanto, a técnica não é capaz de apagar um erro genético que a edição do gene possa eventualmente causar. Além disso, não repara lesões presentes no doente – apenas evita que este tenha de receber tratamentos enzimáticos semanais que, para além de caros, podem provocar danos cerebrais.

Os cientistas ainda não sabem ao certo se o teste realizado no paciente foi bem-sucedido. Os resultados iniciais devem sair dentro de um mês e, daqui a três meses, deverá estar concluída uma análise mais completa. Apesar disso, os especialistas esperam realizar outros testes, com um grupo de 30 adultos, para garantir a segurança do SB-913.

Se esta implantação genética for bem-sucedida, estaremos perante um grande desenvolvimento terapêutico. No futuro, e se os resultados com adultos forem positivos, os cientistas pretendem “alargar a técnica a crianças, para que estas não sofram as consequências do Síndrome de Hunter quando crescerem”, conclui Sandy Macrae.

https://zap.aeiou.pt/cientistas-estao-tentar-alterar-adn-pela-primeira-vez-num-doente-vivo-180603

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Como a Google está a transformar smartphones antigos em pequenos servidores

Os smartphones antigos podem ter um destino bem diferente da reciclagem ou de uma gaveta esquecida.  Projeto da Google reutiliza motherboards de smartphones reformados para reduzir a necessidade de fabricar novo hardware. Um projeto apoiado pela Google Research está a demonstrar que é possível reutilizar a motherboard destes equipamentos para criar uma plataforma de computação de baixo impacto ambiental, prolongando a vida útil do hardware e reduzindo a necessidade de produzir novos servidores para determinadas workloads. Reutilizar a parte mais valiosa do smartphone O projeto está a ser desenvolvido por investigadores da Universidade da Califórnia em San Diego, com o apoio da Google Research. Em vez de aproveitarem o smartphone completo, a equipa reutiliza apenas a motherboard, onde se encontram o processador, a memória e o armazenamento, componentes que representam cerca de metade da pegada de carbono incorporada do dispositivo. Depois de removerem os restantes componentes, como ...

Portugal regista o maior número de pedidos de patentes de invenção da última década

 Foram registados 1.170 pedidos de patentes de invenção em 2025, mais 22,9% do que no ano anterior. Os pedidos de patente europeia de origem portuguesa cresceram 6,1%, atingindo 368 em 2025. O número de pedidos de direitos de propriedade industrial aumentou em 2025. Os dados do Relatório Anual de Estatísticas do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), recentemente divulgado pelo Ministério da Justiça, mostram uma subida dos pedidos de patentes de invenção, das patentes europeias de origem portuguesa, bem como do registo de marcas. Assim, ao longo de 2025, foram apresentados 1.170 pedidos nacionais de patentes de invenção, mais 22,9% do que no ano anterior (952) e o valor mais elevado da última década. A Universidade de Coimbra foi a entidade que apresentou mais pedidos de patentes nacionais. O relatório mostra ainda que 34% dos pedidos incluem mulheres inventoras. A região Norte lidera o número de pedidos nacionais (37%), seguida da Grande Lisboa (26%) e da região Cent...