Avançar para o conteúdo principal

Álvaro Santos Pereira dispensa o Álvaro de Centeno: chefe de gabinete será Filipa Santos



 Álvaro Santos Pereira não vai manter o chefe de gabinete do Banco de Portugal, Álvaro Novo, cujo mandato foi renovado por Mário Centeno na reta final do seu contrato.


Ouvido na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, o ainda economista-chefe da OCDE anunciou que Filipa Santos será a substituta de Álvaro Novo no cargo.


Questionado sobre a nomeação de Álvaro Novo para chefe de gabinete, o economista chefe da OCDE, indigitado para governar o Banco de Portugal, assegura que “durante o meu mandato quero que o banco seja mais presente, mais inovador e mais ativo”. E neste contexto anuncia para as dúvidas se dissipem: “O meu chefe de gabinete vai ser a Filipa Santos, e não Álvaro Novo”. “Um chefe de gabinete é alguém que trabalha muito perto do governador e é por isso da sua confiança total”, justificou.


Filipa Santos foi sua chefe de gabinete no ministério da Economia e do Emprego, quanto Santos Pereira exercia as funções de ministro. Antes tinha estado na consultora Deloitte para onde regressou quando saiu do Governo. Segundo o seu Linkedin, está há 12 anos na empresa.


Licenciada em Economia e pós-graduada em Análise Financeira pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), chegou à Deloitte em 2004. Depois, na sua passagem pelo ministério da Economia e do Trabalho (entre 2011 e 2013) começou como adjunta e passou à chefia do gabinete, menos de 2 anos depois. Mais recentemente, assumiu funções como Senior Manager de Marketing, Communications & Business Development da Deloitte Portugal.


Álvaro Novo, que foi colega de faculdade de Álvaro Santos Pereira, é desde setembro de 2020 chefe de gabinete do Banco de Portugal, tendo visto o seu mandato renovado na semana em que o mandato de Mário Centeno terminou.


Foi técnico do Banco de Portugal desde 2001, tendo estado no Governo entre 2015 e 2020, primeiro como economista chefe das Finanças e, depois, como secretário do Estado do Tesouro. É licenciado em em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde se cruzou com Álvaro Santos Pereira. Depois segue-se um percurso pelos Estados Unidos, com o mestrado em Economia na Southern Illinois University, e em Estatística Aplicada, na University of Illinois, Urbana-Champaign, e o doutoramento em Economia, na mesma instituição.


Em 2013, escreveu em conjunto com Centeno o ensaio “O Trabalho, uma visão de mercado”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos.


Na audição da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, Álvaro Santos Pereira promete independência, rigor e sobretudo uma “maior abertura e transparência”, um Banco de Portugal “mais presente nas diversas regiões e mais ativo na batalha contra a iliteracia financeira e o branqueamento de capitais”.


Sobre as polémicas em torno da nova sede, diz que terá de se informar, mas refere que se fosse ele o governador, não teria tomado a decisão em fim de mandato. “Decisões desta não se tomam em fim do mandato”, disse, escusando-se a mais explicações.


Álvaro Santos Pereira dispensa o Álvaro de Centeno: chefe de gabinete será Filipa Santos - Expresso


Comentários

Notícias mais vistas:

Armazenamento holográfico

 Esta técnica de armazenamento de alta capacidade pode ser uma das respostas para a crescente produção de dados a nível mundial Quando pensa em hologramas provavelmente associa o conceito a uma forma futurista de comunicação e que irá permitir uma maior proximidade entre pessoas através da internet. Mas o conceito de holograma (que na prática é uma técnica de registo de padrões de interferência de luz) permite que seja explorado noutros segmentos, como o do armazenamento de dados de alta capacidade. A ideia de criar unidades de armazenamento holográficas não é nova – o conceito surgiu na década de 1960 –, mas está a ganhar nova vida graças aos avanços tecnológicos feitos em áreas como os sensores de imagem, lasers e algoritmos de Inteligência Artificial. Como se guardam dados num holograma? Primeiro, a informação que queremos preservar é codificada numa imagem 2D. Depois, é emitido um raio laser que é passado por um divisor, que cria um feixe de referência (no seu estado original) ...

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...

Defender a escola pública

 1. Escrevo sobre o conflito que envolve os professores preocupada, em primeiro lugar, com o efeito que este está a ter na degradação da escola pública, na imagem e na confiança dos pais no sistema educativo, nos danos que estão a ser causados a milhares de alunos cujas famílias não têm condições para lhes proporcionar explicações ou frequência de colégios privados. Parece-me importante que, nas negociações entre Governo e sindicatos, esta dimensão do problema seja equacionada. Escrevo, em segundo lugar, porque espero poder dar um contributo para a compreensão e boa resolução do conflito, apesar de todo o ruído e falta de capacidade para ouvir. 2. Nos anos pré-pandemia, eram muitos os sinais das dificuldades das escolas em prestar um serviço de qualidade. A existência de milhares de alunos sem professor, em várias disciplinas e em vários pontos do país, gerou um clamor sobre a falta de docentes e a fraca atratividade da carreira. Porém, o problema da falta de professores nas escola...