Avançar para o conteúdo principal

Fim do tecto ao aumento de rendas e facilitação de despejos. "desastre" ou "mais casas no mercado"?



inquilinos antecipam "desastre", proprietários antecipam "mais casas no mercado" mas que é necessário reverter todas as medidas do pacote "Mais Habitação" de António Costa para mudar a mentalidade dos proprietários e colocar as suas casas no mercado de arrendamento o que levaria a uma descida das rendas.


 Governo prepara-se para mexer na lei do arrendamento e pode pôr fim ao limite de 2% no aumento das rendas para novos contratos, medida que divide inquilinos e proprietários: uns avisam que só beneficiará "especuladores", senhorios veem passo positivo para dinamizar o mercado

Era uma das medidas que se esperava que fosse anunciada esta quinta-feira no Conselho de Ministros sobre a habitação. Mas, ao que tudo indica, o Governo só irá prestar esclarecimentos sobre a mesma na próxima reunião para a semana. Ainda assim, o seu prenúncio gera já muita preocupação nos inquilinos. "Será um desastre", antecipa à CNN Portugal Pedro Ventura, presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses. 


Segundo foi noticiado pelo ECO, o Governo tem a intenção de flexibilizar a lei do arrendamento e uma das medidas para o fazer é remover o limite dos 2% para o aumento das rendas nos novos contratos de arrendamento de imóveis que estavam no mercado nos cinco anos anteriores, bem como a simplificação e facilitação dos despejos em caso de incumprimento no pagamento de rendas. 


Esta quinta-feira, o ministro das Infraestruturas deu o sinal de que iriam existir mexidas na lei do arrendamento durante a conferência no final do Conselho de Ministros onde foi aprovada a venda de uma série de edifícios históricos do Estado para reinvestir em habitação pública. "Queremos abordar temas como a fiscalidade, a lei do arrendamento,  a simplificação de processos e o modelo do Governo no setor da habitação", afirmou Miguel Pinto Luz. 


A concretizar-se o fim do limite dos aumentos para rendas em novos contratos, Pedro Ventura garante que a medida apenas irá beneficiar os "proprietários especuladores" e aumentar os despejos. "Parece evidente que irá levar a um aumento dos despejos já que os proprietários terão a possibilidade de cobrar muito mais pelas rendas em novos contratos." 


É, acrescenta, uma "medida que irá ter um impacto altamente negativo nas famílias com dificuldades financeiras". "Isto é alimentar um incêndio", define. O presidente da associação aponta ainda que a decisão de vender património público sem utilização para reinvestir esse valor em habitação pública não é suficiente para colmatar os efeitos desta medida nos arrendatários. "Não tem hipóteses", sublinha. 


Mas aquilo que é anunciado como um "desastre" para o mercado de arrendamento é celebrado como uma "medida positiva" pelos proprietários. Luís Menezes Leitão, presidente da Associação dos Proprietários Lisbonenses, garante que é um passo na direção certa. "Terá um impacto claramente positivo, porque remove um limite que era absurdo e que gerava uma burocracia gigantesca." 


O limite, afirma, "gera uma grande confusão entre proprietários e há muitos que têm manifestado que esse é o motivo para o qual se recusam a colocar casas no mercado de arrendamento". Menezes Leitão refere também que não vê como provável o aumento dos despejos com esta medida. "Neste quadro, normalmente isso não acontecerá", apontando para o facto de o senhorio não poder opôr-se à primeira renovação antes de o contrato ter completado três anos de duração. "O que poderá acontecer é o oposto, é mais casas no mercado de arrendamento."


Ainda assim, Menezes Leitão afirma que a medida, "por si só", não irá ser o antídoto para o receio dos proprietários em colocar as casas disponíveis para arrendar. "Não vejo que só por isso as pessoas mudem de mentalidade", diz, acrescentando que é "preciso reverter todas as medidas do Mais Habitação - aprovado pelo anterior Governo de António Costa - para que isso aconteça".


Para além disso, o presidente da Associação dos Inquilinos Portugueses diz que o "imposto Mortágua" é outra razão que leva os proprietários a afastar-se do mercado. "Quem quiser apostar num edifício mais antigo é altamente prejudicado em termos fiscais", aponta.


Fim do teto ao aumento de rendas e facilitação de despejos. Inquilinos antecipam "desastre", proprietários antecipam "mais casas no mercado" - CNN Portugal


Comentários

Notícias mais vistas:

Armazenamento holográfico

 Esta técnica de armazenamento de alta capacidade pode ser uma das respostas para a crescente produção de dados a nível mundial Quando pensa em hologramas provavelmente associa o conceito a uma forma futurista de comunicação e que irá permitir uma maior proximidade entre pessoas através da internet. Mas o conceito de holograma (que na prática é uma técnica de registo de padrões de interferência de luz) permite que seja explorado noutros segmentos, como o do armazenamento de dados de alta capacidade. A ideia de criar unidades de armazenamento holográficas não é nova – o conceito surgiu na década de 1960 –, mas está a ganhar nova vida graças aos avanços tecnológicos feitos em áreas como os sensores de imagem, lasers e algoritmos de Inteligência Artificial. Como se guardam dados num holograma? Primeiro, a informação que queremos preservar é codificada numa imagem 2D. Depois, é emitido um raio laser que é passado por um divisor, que cria um feixe de referência (no seu estado original) ...

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...

Defender a escola pública

 1. Escrevo sobre o conflito que envolve os professores preocupada, em primeiro lugar, com o efeito que este está a ter na degradação da escola pública, na imagem e na confiança dos pais no sistema educativo, nos danos que estão a ser causados a milhares de alunos cujas famílias não têm condições para lhes proporcionar explicações ou frequência de colégios privados. Parece-me importante que, nas negociações entre Governo e sindicatos, esta dimensão do problema seja equacionada. Escrevo, em segundo lugar, porque espero poder dar um contributo para a compreensão e boa resolução do conflito, apesar de todo o ruído e falta de capacidade para ouvir. 2. Nos anos pré-pandemia, eram muitos os sinais das dificuldades das escolas em prestar um serviço de qualidade. A existência de milhares de alunos sem professor, em várias disciplinas e em vários pontos do país, gerou um clamor sobre a falta de docentes e a fraca atratividade da carreira. Porém, o problema da falta de professores nas escola...