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Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco ucraniano reféns em Budapeste



 Kiev acusa as autoridades húngaras de terem raptado sete funcionários do Oschadbank da Ucrânia, e terem apreendido uma grande quantidade de dinheiro e ouro. Uma nova escalada numa amarga disputa diplomática entre Orbán e Zelenskyy.


O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia acusou na quinta-feira a Hungria de fazer sete funcionários de um banco ucraniano reféns em Budapeste, num momento de elevada tensão entre os dois países.


"Em Budapeste, as autoridades húngaras fizeram sete cidadãos ucranianos reféns. Os motivos permanecem desconhecidos, assim como o seu estado de saúde atual", escreveu Andriy Sybiga.


Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, os detidos são "funcionários do banco estatal Oschadbank que operavam dois veículos do banco em trânsito entre a Áustria e a Ucrânia, transportando dinheiro".


"Trata-se de terrorismo e de extorsão patrocinada pelo Estado" perpetrada pela Hungria, denunciou o ministro, afirmando já ter enviado uma nota oficial a exigir a "libertação imediata" dos seus compatriotas.


Segundo o banco, os camiões transportavam 40 milhões de dólares, 35 milhões de euros e 9 kg de ouro do Raiffeisen Bank, na Áustria, "em conformidade com as normas internacionais de transporte e os procedimentos alfandegários europeus aplicáveis".


Os dois veículos de transporte de valores "estão atualmente no centro de Budapeste", apontou o banco ucraniano, destacando que o paradeiro dos funcionários permanece desconhecido.


Hungria inicia investigação sobre lavagem de dinheiro

Entretanto, a Administração Nacional de Impostos e Alfândegas da Hungria emitiu uma declaração própria afirmando que foi iniciada uma investigação criminal sobre alegada lavagem de dinheiro.


A declaração afirma que, a 5 de março, sete cidadãos ucranianos foram detidos, incluindo um antigo general dos serviços secretos ucranianos, tendo também sido apreendidos dois camiões blindados de transporte de dinheiro.


O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, também emitiu uma declaração dirigida a Kiev.


"O governo exige respostas e explicações imediatas da Ucrânia sobre os transportes de dinheiro através da Hungria. Coloca-se a questão de saber se este é o dinheiro da máfia de guerra ucraniana", afirmou Szijjártó.


Testemunhas disseram à imprensa húngara que a operação foi realizada durante a noite pela polícia antiterrorista húngara TEK.


Ucrânia emitiu um aviso de viagem para os ucranianos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia emitiu um aviso de viagem recomendando aos ucranianos que evitem, se possível, transitar pela Hungria.


"O Ministério dos Negócios Estrangeiros recomenda que os cidadãos ucranianos se abstenham de viajar para a Hungria devido à falta de garantias de segurança, tendo em conta as ações arbitrárias das autoridades húngaras", afirma o comunicado, pedindo aos ucranianos que procurem outras rotas de trânsito.


O incidente assinala uma escalada dramática na conturbada relação entre os dois países, um dia depois de o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, terem trocado acusações e insinuado o uso da força, se necessário.


Budapeste e Kiev estão envolvidos numa polémica amarga devido ao encerramento do oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo barato para a Hungria através da Ucrânia. O oleoduto foi atingido por um suposto ataque russo no final de janeiro e não foi reparado desde então.


A Hungria acusou a Ucrânia de usar a questão para chantagem política.


Na quinta-feira, Orbán sugeriu que a Hungria iria recuperar os fluxos de petróleo e prometeu acabar com o "bloqueio" pela força, se necessário. Zelenskyy respondeu dizendo que poderia enviar soldados ucranianos e "deixá-los falar com ele na sua própria língua".


Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco ucraniano reféns em Budapeste | Euronews


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