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Trump ameaça Espanha com bloqueio comercial devido a posição do Governo de Sánchez sobre ofensiva contra Irão



 “Espanha tem sido terrível. Vamos cortar todo o comércio com Espanha. Não queremos ter nada a ver com Espanha”, disse o Presidente dos Estados Unidos


O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou hoje "cortar todo o comércio com Espanha" por causa da posição do Governo espanhol em relação à ofensiva militar norte-americana contra o Irão.


Trump admitiu "parar tudo o que está relacionado com Espanha, todos os negócios relacionados com Espanha".


"Espanha tem sido terrível. Vamos cortar todo o comércio com Espanha. Não queremos ter nada a ver com Espanha", disse Trump, em declarações a jornalistas na Casa Branca, em Washington, durante um encontro com o chanceler alemão, Friedrich Merz.


"Espanha não tem absolutamente nada de que precisemos", acrescentou o Presidente dos EUA.


Espanha rejeitou a utilização por parte dos EUA das bases militares de Rota e Morón, no sul do país, para as operações relacionadas com os ataques ao Irão lançados no sábado, o que levou os norte-americanos a deslocar os aviões cisterna de abastecimento de outras aeronaves que tinha em território espanhol para bases noutros países da Europa.


Além da postura de Espanha sobre os ataques ao Irão, Trump voltou hoje a criticar também a decisão do Governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, de recusar subir para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional o orçamento dedicado à defesa, como os restantes países-membros da NATO.


Por causa desta questão, Trump ameaçou há meses Espanha com tarifas comerciais extraordinárias, com o Governo espanhol a lembrar na altura que os acordos comerciais com os EUA são negociados em bloco pela União Europeia (UE) e não de forma bilateral.


De visita a Washington, o chanceler alemão afirmou hoje, ao lado de Trump, que os restantes aliados estão "a tentar convencer" Espanha a aumentar para pelo menos 3% a 3,5% do PIB o orçamento dedicado à defesa.


"Estamos a tentar convencê-los de que isto faz parte da nossa segurança comum e que todos devemos cumprir com estes números", disse Friedrich Merz.


O Governo de Espanha disse hoje, antes destas declarações de Trump, que não espera consequências por recusar a utilização de bases militares pelos Estados Unidos para os ataques ao Irão.


Numa conferência de imprensa em Madrid, o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), José Manuel Albares, reiterou a condenação de Espanha aos ataques dos EUA e de Israel ao Irão, lançados no sábado, por ser uma operação unilateral, à margem do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.


Segundo o ministro, os ataques não se enquadram, assim, no acordo bilateral entre Espanha e os EUA para a utilização de duas bases militares espanholas (Rota e Morón) pelos norte-americanos.


Espanha não espera, por isso, "nenhuma consequência" ou retaliação dos EUA por ter esta posição, acrescentou o ministro, que garantiu não ter recebido qualquer queixa por parte do Governo norte-americano.


O MNE realçou que Espanha condena também a retaliação do Irão e considerou "injustificados" os ataques de Teerão a diversos países no Médio Oriente e a uma base militar britânica em Chipre, país-membro da União Europeia (UE).


Albares disse ainda que Espanha não teme ficar isolada na Europa com estes posicionamentos, sobretudo relativamente a países como Alemanha, França ou Reino Unido, e lembrou que foi feita a mesma análise e colocada a mesma questão por causa de Gaza e da Palestina, acabando por comprovar-se que o Governo espanhol não só não estava isolado, como se adiantou a um entendimento alargado.


"Espanha tem uma política externa coerente" e defende "exatamente o mesmo", e seguindo os mesmos princípios de respeito pelo direito internacional, para o Irão, a Palestina, a Ucrânia, a Gronelândia ou a Venezuela, afirmou o ministro.


Trump ameaça Espanha com bloqueio comercial devido a posição do Governo de Sánchez sobre ofensiva contra Irão - Expresso


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