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Milhares de drones de cidadãos comuns estão a criar um novo “Google Street View” visto do céu

 

Vai nascer um novo “Google Street View” a partir de imagens captadas por milhares de drones. Esta nova abordagem à cartografia digital poderá transformar a forma como vemos o mundo a partir do ar.

Ilustração Google Street View

Em vez de depender de satélites ou de veículos equipados com câmaras, um projeto internacional está a recorrer a milhares de pilotos de drones comuns para criar uma espécie de “Google Street View aéreo”.

A ideia é simples, mas ambiciosa: aproveitar a enorme comunidade de utilizadores de drones para recolher imagens detalhadas de cidades e paisagens, criando um mapa global visto do céu.

Um “Street View” captado por cidadãos

A iniciativa está a ser desenvolvida pela startup canadiana Spexi, que criou uma rede colaborativa de pilotos de drones. Estes utilizadores utilizam um software específico que define rotas de voo automáticas e permite captar imagens aéreas de alta resolução de determinadas áreas.

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Atualmente, a rede conta já com mais de 8 mil pilotos de drones e conseguiu mapear mais de 5 milhões de acres em mais de 200 cidades nos Estados Unidos e no Canadá.

O objetivo final é construir uma base de dados global de imagens captadas a baixa altitude, criando uma visão intermédia entre o Street View tradicional, que mostra as ruas ao nível do solo, e as imagens de satélite, que oferecem uma perspetiva muito mais distante.

Imagens muito mais detalhadas do que as de satélite

Uma das grandes vantagens desta abordagem está na qualidade dos dados. As imagens captadas por drones podem atingir até 30 vezes mais resolução do que as imagens de satélite, permitindo observar com muito mais detalhe edifícios, estradas ou infraestruturas urbanas.

Este tipo de informação pode ser extremamente útil em várias áreas, como por exemplo:

  • planeamento urbano
  • avaliação de riscos e seguros
  • monitorização ambiental
  • resposta a catástrofes naturais

Com imagens captadas a baixa altitude e frequentemente atualizadas, as cidades podem ser representadas em modelos digitais muito mais precisos.

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Um modelo inspirado na lógica da economia colaborativa

O conceito lembra outras plataformas baseadas em contributos dos utilizadores. Um exemplo clássico é o Waze, que construiu grande parte do seu sistema de trânsito através de dados enviados pelos próprios condutores.

No caso da cartografia aérea, os pilotos de drones recebem missões para mapear determinadas zonas e podem ser remunerados por essas capturas. Assim, em vez de uma empresa investir milhares de milhões em infraestruturas de recolha de dados, o trabalho é distribuído por uma rede global de utilizadores.

O futuro dos mapas pode vir do céu

Os drones já são utilizados para criar mapas detalhados através de técnicas como a fotogrametria, em que várias imagens sobrepostas são combinadas para gerar mapas ou modelos 3D de grande precisão.

Ao juntar esta tecnologia com a participação de milhares de pilotos, torna-se possível imaginar um novo tipo de cartografia dinâmica, constantemente atualizada e muito mais detalhada do que os mapas atuais.

Se o projeto ganhar escala global, o resultado poderá ser uma nova geração de mapas digitais que mostram o mundo não apenas ao nível da rua, mas também a partir de uma perspetiva aérea detalhada e interativa.


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