Avançar para o conteúdo principal

Milhares de drones de cidadãos comuns estão a criar um novo “Google Street View” visto do céu

 

Vai nascer um novo “Google Street View” a partir de imagens captadas por milhares de drones. Esta nova abordagem à cartografia digital poderá transformar a forma como vemos o mundo a partir do ar.

Ilustração Google Street View

Em vez de depender de satélites ou de veículos equipados com câmaras, um projeto internacional está a recorrer a milhares de pilotos de drones comuns para criar uma espécie de “Google Street View aéreo”.

A ideia é simples, mas ambiciosa: aproveitar a enorme comunidade de utilizadores de drones para recolher imagens detalhadas de cidades e paisagens, criando um mapa global visto do céu.

Um “Street View” captado por cidadãos

A iniciativa está a ser desenvolvida pela startup canadiana Spexi, que criou uma rede colaborativa de pilotos de drones. Estes utilizadores utilizam um software específico que define rotas de voo automáticas e permite captar imagens aéreas de alta resolução de determinadas áreas.

Reprodutor de vídeo
00:00
00:27

Atualmente, a rede conta já com mais de 8 mil pilotos de drones e conseguiu mapear mais de 5 milhões de acres em mais de 200 cidades nos Estados Unidos e no Canadá.

O objetivo final é construir uma base de dados global de imagens captadas a baixa altitude, criando uma visão intermédia entre o Street View tradicional, que mostra as ruas ao nível do solo, e as imagens de satélite, que oferecem uma perspetiva muito mais distante.

Imagens muito mais detalhadas do que as de satélite

Uma das grandes vantagens desta abordagem está na qualidade dos dados. As imagens captadas por drones podem atingir até 30 vezes mais resolução do que as imagens de satélite, permitindo observar com muito mais detalhe edifícios, estradas ou infraestruturas urbanas.

Este tipo de informação pode ser extremamente útil em várias áreas, como por exemplo:

  • planeamento urbano
  • avaliação de riscos e seguros
  • monitorização ambiental
  • resposta a catástrofes naturais

Com imagens captadas a baixa altitude e frequentemente atualizadas, as cidades podem ser representadas em modelos digitais muito mais precisos.

Reprodutor de vídeo
00:00
00:14

Um modelo inspirado na lógica da economia colaborativa

O conceito lembra outras plataformas baseadas em contributos dos utilizadores. Um exemplo clássico é o Waze, que construiu grande parte do seu sistema de trânsito através de dados enviados pelos próprios condutores.

No caso da cartografia aérea, os pilotos de drones recebem missões para mapear determinadas zonas e podem ser remunerados por essas capturas. Assim, em vez de uma empresa investir milhares de milhões em infraestruturas de recolha de dados, o trabalho é distribuído por uma rede global de utilizadores.

O futuro dos mapas pode vir do céu

Os drones já são utilizados para criar mapas detalhados através de técnicas como a fotogrametria, em que várias imagens sobrepostas são combinadas para gerar mapas ou modelos 3D de grande precisão.

Ao juntar esta tecnologia com a participação de milhares de pilotos, torna-se possível imaginar um novo tipo de cartografia dinâmica, constantemente atualizada e muito mais detalhada do que os mapas atuais.

Se o projeto ganhar escala global, o resultado poderá ser uma nova geração de mapas digitais que mostram o mundo não apenas ao nível da rua, mas também a partir de uma perspetiva aérea detalhada e interativa.


Milhares de drones de cidadãos comuns estão a criar um novo “Google Street View” visto do céu


Comentários

Notícias mais vistas:

O que aconteceu à petição para proibir a condução aos 75 anos? Vai avançar?

 Há uns meses, a ideia de proibir toda a gente de conduzir a partir dos 75 anos incendiou as redes sociais. Era discutida ao café, partilhada no Facebook, defendida com paixão e atacada com a mesma força. Passado este tempo, vale a pena fazer a pergunta honesta: em que é que isto ficou? E será que os números que sustentavam a ideia se aguentam de pé? Vai-se mesmo proibir a condução aos 75 anos? Proibir a condução aos 75 anos: o que era isto de facto? Convém esclarecer uma coisa que se perdeu no meio do barulho: isto nunca foi uma proposta do Governo nem um projeto de lei. Foi uma petição pública, lançada a 1 de abril de 2026, dirigida à Assembleia da República. Pedia três coisas: a proibição total da condução a partir dos 75 anos, o fim automático da validade da carta nessa idade e a criação de alternativas de transporte para os idosos afetados. Uma petição não muda a lei sozinha. Para os peticionários serem ouvidos em comissão são precisas mil assinaturas. Para o tema se debater n...

Startup francesa cria drone cargueiro de baixo consumo com tecnologia de asa pneumática

Foto: Celeste Ecoflyers  Uma startup francesa chamada Celeste Ecoflyers está desenvolvendo um drone cargueiro de asa pneumática voltado para missões logísticas de longa duração e baixo consumo energético. Batizada de dAS10, a aeronave concluiu recentemente testes de ativação de aviônicos e taxiamento no aeroporto de Le Havre, na França, avançando para a próxima etapa de desenvolvimento. O diferencial do projeto está na estrutura das asas: em vez de utilizar componentes rígidos tradicionais, o drone emprega uma espécie de envelope têxtil pressurizado. Segundo a empresa, essa mudança reduz significativamente o peso da aeronave, permitindo maior eficiência energética e aumentando a autonomia de voo. “Celeste não é um dirigível, é uma aeronave de asa fixa. O elevador é aerodinâmico, não flutuante. O que é pneumático é a própria estrutura da asa: um envelope têxtil pressurizado substituindo a pele rígida e os spars, que é o que torna a fuselagem implantável, reparável em campo e lhe dá ...

Navio de carga atingido no estreito de Ormuz após avisos do Irão

AP Photo  As forças armadas britânicas informaram que um navio de carga que seguia na nova rota omani apoiada pela ONU sofreu danos na ponte de comando causados por um projétil, horas depois de a Guarda Revolucionária ter avisado que navios sem autorização iraniana estavam a transitar "ilegalmente". Um navio de carga que seguia pelo estreito de Ormuz numa nova rota de Omã apoiada pela ONU foi atingido por um projétil esta quinta-feira, sofrendo danos na ponte de comando, mas sem vítimas nem impacto ambiental, segundo militares britânicos. O navio foi atingido a 7,5 milhas náuticas da costa de Omã, depois de, no mesmo dia, o a Guarda Revolucionária do Irão ter ameaçado os navios que atravessam o estreito sem autorização de Teerão. Um vídeo gravado na ponte de comando de um navio foi divulgado nas redes sociais, alegando reproduzir uma transmissão por rádio da Marinha da Guarda Revolucionária a avisar que só seriam autorizados a passar os navios com permissão iraniana. "Tr...