Avançar para o conteúdo principal

Governo português anuncia mais descontos nos combustíveis e incentivos fiscais na habitação



 Após o Conselho de Ministros desta manhã, o primeiro-ministro de Portugal dirigiu-se ao país para anunciar apoios extraordinários no setor dos combustíveis, tendo em conta a guerra no Médio Oriente. Também na área da habitação foram pensadas medidas. Redução do IVA ficou fora de cenário.

Após o Conselho de Ministros, ao qual presidiu, Luís Montenegro falou ao país para anunciar medidas relacionadas com setores de crise, como os combustíveis a profissionais e habitação.


O primeiro-ministro português surge orgulhoso referindo que Portugal é "uma referência económica e financeira na Europa" e que está , por isso, "na Liga dos Campeões da Estabilidade Económica e Financeira da Europa".


Prova disso, começou por realçar, é que "Portugal foi o primeiro país europeu a tomar medidas para o aumento dos combustíveis", disse


"Logo na primeira semana, introduzimos uma redução do ISP quando o aumento dos combustíveis é superior a 10 cêntimos", lembrando que com o desconto que vigorava do ano passado faz com que o atual desconto "ronde, no caso do gasóleo, cerca de 20 cêntimos e, no caso da gasolina, cerca de 16 cêntimos."


Assim, Luís Montenegro anunciou novas medidas, mas desta feita dirigidas ao setor profissional, tendo a tão aguardada redução do IVA ficado de fora.


O Conselho de Ministro decidiu assim que no período entre 1 de abril e 30 de junho, haverá "um mecanismo extraordinário para o gasóleo profissional, que consiste num apoio de mais 10 cêntimos por litro, a acrescer aquilo que já mencionei, até 15 mil litros nestes 3 meses", no gasóleo utilizado por veículos de transporte de mercadorias "com um peso superior a 35 toneladas e autocarros com com mais de 22 lugares para passageiros".


Também foram anunciados apoios extraordinários para os setores agrícola, florestal e das pescas e agricultura a pagar o IFAP (Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, I.P.) também "no valor adicional de 10 cêntimos por litro no gasóleo colorido", continuou.


Montenegro esclareceu que estes dois apoios existirão nas semanas em que o preço médio estiver mais de 10 cêntimos acima do que existia na semana de 2 a 6 de março, ou seja, antes do primeiro aumento.


Foi também decidido apoio apoios extraordinários às associações humanitárias de bombeiros, às empresas de transportes de táxis e instituições particulares de solidariedade social.


No total, as medidas pensadas rondam cerca de 150 milhões de euros por mês de apoio na área dos combustíveis.


Luís Montenegro reforçou que o Governo pretede atenuar os impactos na vida dos portugueses, mas manter a capacidade financeira do Estado para poder intervir e ajustar individuais medidas. "Não desequilibrar as contas públicas para não deitarmos fora o nosso esforço coletivo de anos", disse.


Setor da habitação

O Conselho de Ministros aprovou também outros instrumentos estruturais, estratégicos de transformação e reforma.


Luís Montenegro referiu três na área da habitação: "a primeira focada na fiscalidade, promovendo incentivos ao investimento e à disponibilização de habitações através da redução da tributação no arrendamento a valores moderados, a concretização da autorização legislativa aprovada no Parlamento, a aplicação da taxa reduzida de IVA nas empreitadas de construção de habitação própria e permanente, ou, para arrendamento (de rendas moderadas) incluindo a autoconstrução", anunciou.


E ainda "a isenção de mais valias na venda de habitações para aquisição de habitação para arrendamento de rendas moderadas", continuou.


O Governo acredita que, a médio prazo, estas medidas podem aumentar a oferta no mercado do arrendamento e da aquisição e assim moderar os preços.


Como segunda medida, destacou também " revisão do regime jurídico da urbanização e edificação" a ser promulgado ainda pelo Presidente da República.


O objetivo desta medida é haver regras mais claras, "processos mais previsíveis, prazos mais curtos e ágeis", ou seja "menos tempo significa mais casas à disposição dos portugueses, menos custos para quem constrói e, com isso, também melhor possibilidade para quem compra ou para quem arrenda", afirmou.


Em terceiro, a criação do processo especial de venda de coisa imóvel indivisa. A medida pretende romper com situações de heranças indivisas. "Há muitas propriedades que estão devolutas e, mesmo em centros urbanos, não robustecem o mercado, nomeadamente do arrendamento, mas também da aquisição", começou por dizer o primeiro-ministro e que por isso, o texto final do Conselho de Ministros propõe que "ao fim de dois anos de indivisão, um ou mais herdeiros possam provocar a venda do imóvel quando não haja acordo entre eles."


Luís Montenegro foi confrontado com as questões do jornalistas sobre a redução do IVA e do cabaz alimentar, contudo, o primeiro-ministro português deixou claro que para já nenhuma medida está pensada nesse sentido.


Governo português anuncia mais descontos nos combustíveis e incentivos fiscais na habitação


Comentários

Notícias mais vistas:

Europa responde à escalada dos preços da energia e dos combustíveis

  Preços dos combustíveis disparam 22 dias após o início da guerra no Irão, 21 de março de 2026 -  Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved. O Brent ultrapassou os 100 euros por barril após o fecho do estreito de Ormuz. Sem resposta europeia comum, cada governo avançou com cortes fiscais, tetos de preços ou continua sem medidas concretas. A guerra no Irão provocou uma escalada nos preços do barril de Brent, com efeito em cadeia nos preços dos combustíveis e da energia. A subida dos combustíveis na Europa é bem visível, chegando a ultrapassar os 34% no caso de Espanha. O aumento de preços também se fez sentir para os europeus na eletricidade e no gás, pelo que muitos países tomaram ou anunciaram medidas para atenuar esta subida imparável desde 28 de fevereiro, quando começou o ataque ao Irão. O conflito interrompeu aproximadamente 20% dos abastecimentos globais de petróleo que passam pelo Estreito de Ormuz, o que fez o Brent subir de cerc...

ASAE e ENSE fiscalizam 70 postos de combustível e aplicam contraordenações a 17

A ASAE e a ENSE realizaram fiscalizações a 70 postos de combustível tendo aplicado 17 contraordenações por ausência de inspeções periódicas quinquenais obrigatórias, práticas comerciais desleais e irregularidades relacionadas com exatidão nas medições de combustível. A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através das suas Unidades Regionais, e a Entidade Nacional para o Setor Energético, E.P.E., (ENSE), através da sua Unidade de Controlo e Prevenção, desenvolveram nos últimos dias, a nível nacional, várias operações de fiscalização e de prevenção criminal dirigidas a postos de abastecimento de combustível, na sequência do recente aumento dos preços praticados no mercado nacional. A operação decorreu nos concelhos de Lisboa, Setúbal, Leiria, Coimbra, Viseu, Castro d´Aire, Barcelos, Braga, Vila Nova de Gaia, Porto, Vila Real e Faro. Da operação resultou a fiscalização de 70 operadores económicos, tendo sido instaurados 17 processos de contraordenação, entre as principais...

Supercarregadores portugueses surpreendem mercado com 600 kW e mais tecnologia

 Uma jovem empresa portuguesa surpreendeu o mercado mundial de carregadores rápidos para veículos eléctricos. De uma assentada, oferece potência nunca vista, até 600 kW, e tecnologias inovadoras. O nome i-charging pode não dizer nada a muita gente, mas no mundo dos carregadores rápidos para veículos eléctricos, esta jovem empresa portuguesa é a nova referência do sector. Nasceu somente em 2019, mas isso não a impede de já ter lançado no mercado em Março uma gama completa de sistemas de recarga para veículos eléctricos em corrente alterna (AC), de baixa potência, e de ter apresentado agora uma família de carregadores em corrente contínua (DC) para carga rápida com as potências mais elevadas do mercado. Há cerca de 20 fabricantes na Europa de carregadores rápidos, pelo que a estratégia para nos impormos passou por oferecermos um produto disruptivo e que se diferenciasse dos restantes, não pelo preço, mas pelo conteúdo”, explicou ao Observador Pedro Moreira da Silva, CEO da i-charging...