Castro Almeida: crescimento dos salários nos últimos dois anos "é como se o Governo tivesse decretado um 15.º mês aos trabalhadores"
O ministro da Economia está no parlamento para uma audição regimental, onde fez uma análise ao crescimento real dos salários dos portugueses. "Em vez de 1 kg batatas, podem comprar 1,137 kg".

Numa intervenção inicial dedicada aos indicadores económicos, Castro Almeida considerou que “temos olhado pouco para o aumento dos rendimentos”, sublinhando que em 2024 “o crescimento do salário liquido médio foi o maior de toda a OCDE”. Em 2025 “não há termos de referência mas há um crescimento relevante do salário liquido de 8,2%, o que num ano é relevante”.
Deduzindo o valor da inflação, quer em 2024 quer em 2025, “o crescimento liquido real é, nos dois anos, de 13,7%. É quanto crescem os salários reais. Em vez de 1 kg batatas, os portugueses podem comprar 1,137 kg de batatas”, exemplificou. “Este acréscimo é como se o Governo tivesse decretado um 15º mês aos trabalhadores. Significa um 15.º mês e uma parte relevante de um 16.º mês. Se a política visa atingir resultados, creio que não devemos perder de vista este indicador”, declarou Castro Almeida na intervenção inicial de uma audição regimental.
No final da audição, o ministro deixou ainda um conselho aos deputados: “deverão inscrever nos vossos currículos que pertenceram a uma legislatura em que se verificou o maior aumento de sempre dos salários reais dos portugueses”, sublinhando que “há ainda muito para fazer, porque só temos 82% do rendimento per capita da UE”.
Castro Almeida começou por caracterizar o desempenho da economia portuguesa em 2025, que viu como tendo sido “globalmente positivo”, com um “crescimento acima da média europeia”, ainda que “não exuberante”.
“Temos o emprego em máximos. Tivemos, em 2024, um aumento significativo do salário mínimo e um aumento muito relevante do salário médio. Temos equilíbrio nas contas publicas, um excedente que cumpre com toda a certeza previsão do Governo de 0,3% PIB. A dívida pública abaixo de 90% do PIB. Tivemos exportações a crescer menos do que as importações mais, ainda assim, um saldo positivo 2,8 mil milhões de euros. Não é de estranhar que haja o reconhecimento internacional do bom comportamento da economia” por parte das agências de rating e ou de “comentários” em jornais e revistas internacionais, destacou o ministro.
Segundo Castro Almeida o consumo foi um “indicador particularmente relevante” que contribuiu com 2,5 pontos percentuais para a expansão do PIB. O investimento deu uma contribuição de um ponto enquanto as importações tiveram um impacto negativo de dois pontos percentuais. Se as exportações tivessem aumentado tanto como as importações, declarou o ministro da Economia, o aumento do PIB “teria sido o melhor dos últimos anos“.
As exportações atingiram os 80 mil milhões de euros, tendo havido uma quebra no final de dezembro “que condicionou o resultado anual”. Esta quebra “não tem nada de estrutural, teve que ver com obras de manutenção na refinaria da Galp, que é um grande exportador”, explicou Castro Almeida.
As importações aumentaram 3,9%, mais do que as exportações. “A maior parte deste crescimento é imputado a bens de equipamento e não de consumo. A expetativa dos empresários é que as exportações voltem a crescer em 2026 na ordem dos 5,1%”, adiantou.
O ministro realçou ainda o papel do turismo no crescimento da economia. Em 2025 o setor teve receitas de 30 mil milhões de euros, mais 6,1% do que no ano anterior. “Portugal é o 12º destino turístico mais desenvolvido do mundo, temos de aproveitar este potencial que temos”, defendeu, sugerindo que o “incremento da qualidade é que há-de gerar mais rendimento” ao setor.
Salários: "É como se Governo tivesse decretado 15.º mês" – Observador
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